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Circuito 5 Lagos + Ovos de Galinha + Sino de Itatiaia

Circuito 5 Lagos + Ovos de Galinha + Sino de Itatiaia

Hiking de cerca de 21km feito na parte alta do Parque Nacional de Itatiaia passando pelo 9° ponto mais alto do Brasil

Hiking Mountaineering

Logística e Planejamento:

Foi idealizado fazer, no mais antigo parque nacional Brasileiro, o Parque Nacional de Itatiaia, o Circuito 5 Lagos e, por esta rota e parte da travessia do Rancho Caído, acessar a Pedra do Sino passando pela Cachoeira Aiuruoca e pelos Ovos de Galinha. Ao final, retornar pela Pedra do Altar e descer pelo Abrigo Rebouças até a portaria, completando, desta forma, um circuito circular.

Para isso, no meu planejamento utilizei o tracklog do Dino e o da Stephanie Vidigal pelo app Wikiloc:

Tracklog do Dino: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/pn-itatiaia-circuito-5-lagos-ovos-de-galinha-sino-e-cach-aiuruoca-23713740#

Tracklog da Stephanie: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/circuito-5-lagos-pedra-do-sino-de-itatiaia-13828805

Para esta aventura, recebi o convite da Leticia, integrante do grupo Marias Aventureiras, numa trilha só de mulheres, oito no total, sendo quatro do Rio de Janeiro e quatro de São Paulo.

Como não conseguimos ingressos para o camping do Abrigo Rebouças, acabamos fechando estadia no Hostel Picus, que fica a cerca de 5km da Garganta do Registro.

A ideia era pegar a estrada na sexta, pernoitar no Picus e acordar bem cedinho no sábado para acessar o parque sem pegar fila e fazer o circuito planejado com bastante tempo.

Relato:

Cheguei ao Picus por volta de 19h de sexta. Acabei indo sozinha pois, por motivos pessoais, saí de Caxambu - MG, ao invés do Rio com as demais meninas. Assim que cheguei, pedi uma cerveja para esperar a Let, Vanessa e Clara, que já estavam se organizando para cair na estrada e vir ao meu encontro. As meninas de Sampa decidiram sair na madrugada e ir direto para o parque.

As horas foram passando, e no meio da madrugada elas avisaram que estavam paradas num engarrafamento bizarro; e quando digo paradas, leia que o carro ficou desligado por 4h30 na meia na altura de Paracambi, antes da subida da Serra das Araras. Havia acontecido um acidente gravíssimo no fim da tarde que causou o fechamento da rodovia. Dessa forma, e por conta de um outro acidente em Barra do Piraí, elas perceberam, pela estimativa do GMaps, que só conseguiriam chegar quase na hora do almoço de sábado. Aí as três meninas do Rio resolveram retornar e voltar pra casa quando o trânsito voltou a andar bem lentamente. Eu vi essa notícia umas três da manhã. Entre cochilos e despertares, era mais ou menos cinco da manhã quando todas estavam seguras em casa. Essa baixa no grupo me fez desanimar demais...

As meninas de Sampa - Michelle, Rafa, Marilia e Julia - vieram então ao meu encontro. Ainda não conhecia ninguém, mas elas fizeram questão de me buscar no hostel para irmos todas ao parque. E assim fizemos.

Chegamos ao Posto do Marcão, assustadoramente lotado, por volta das 8h da manhã. Na estrada de acesso ao parque passamos por umas 5 vans pelo menos, fora as que chegaram antes de nós. Apesar disso, depois de apenas vinte minutos conseguimos entrar e estacionar o carro e nos preparar para o início da caminhada.

A trilha do Circuito 5 Lagos começa há poucos metros da portaria. Ali, às 8h 40 começamos nossa pernada. O trajeto começa subidas e descidas ora pelo Rio e ora por MG, já que nesta parte do parque está a divisa entre os dois estados.

Início do Circuito Cinco Lagos

Infelizmente estava bastante nublado nesta parte da trilha, além de ser um período de seca, e por esse motivo só enxergamos dois dos cinco lagos que o circuito contempla em seus 4km de extensão. Vale dizer que nesta parte da trilha andamos em uns trechos mais íngremes e expostos em rocha.

Após esses 4km encontramos a bifurcação que leva, para a direita, à Pedra do Altar e, para a esquerda, ao caminho das travessias Rancho Caído e Serra Negra. Seguimos pela esquerda, contornando a Pedra do Altar numa descida leve até que a imensidão se abriu no Vale do Aiuruoca. Mesmo com o tempo bem nublado, vimos a extensão absurda do Vale e logo identificamos ao longe os Ovos de Galinha. Depois de cerca de 2km caminhados a trilha separa as travessias da Serra Negra e do Rancho Caído.

Começando a caminhar pelo Vale do Aiuruoca - Ovos de Galinha ao fundo

Como nosso objetivo era a Pedra do Sino, seguimos o vale pelo caminho da travessia do Rancho Caído. Uns metros a frente, cruzamos um pequeno riacho e chegamos à bifurcação que levaria, à esquerda, ao caminho da Cachoeira Aiuruoca. Decidimos continuar rumo ao nosso objetivo e paramos para comer pouco a frente. Preciso falar que me surpreendi com o banquete que as meninas levaram... Mandioca cozida, abacate, tomate, pães, bolo... Um verdadeiro piquenique da montanha! Ficamos paradas por volta de 30 minutos até recomeçar a andar.

Deste ponto ainda faltavam cerca de 2,5km até o cume do Sino. Passamos pelos Ovos de Galinha, fizemos algumas fotos, e cerca de 100m depois do acesso aos Ovos está, à direita, o acesso à Pedra do Sino.

Cruzamos um pequeno charco e passamos um trechinho de capim alto até começar a ascensão de 1km em rocha razoavelmente inclinada. A dificuldade da subida está mais no fato das pedras se assemelharem à superfície meio esburacada da Lua. Nesta parte, a orientação é feita por muitos totens espalhados.

Caminhando pela superfície irregular da Pedra do Sino

Para nossa sorte, o tempo abriu. O céu nublado deu lugar ao azul clarinho enquanto o Sol ia nos aquecendo aos poucos. Subimos até encontrar uma pedra enorme que parecia um Sino, de fato. Contornamos e fomos pela esquerda, meio que olhando o vale que tínhamos passado horas atrás e dali fizemos o último trecho da subida.

Chegar ao cume do Sino de Itatiaia trouxe uma sensação absurda. Estavamos ali, olhando as costas das Agulhas Negras e tendo uma visão incrível de toda a expansão desse setor do Parque. O cume era nosso! Estávamos extasiadas! Logo fomos assinar o livro e tirar fotos, curtir o lugar... Festejamos muito!

Nós cinco no cume do Sino de Itatiaia

Aos poucos o céu azul voltou a dar espaço ao tempo nublado e decidimos que era hora de descer. Quase no final da rampa esburacada os pingos nos atingiram e uma chuva fina (e geladinha) caiu. Refizemos parte do caminho com as gotas d'água nos acompanhando em boa parte do Vale do Aiuruoca. Basicamente voltamos pelo mesmo caminho até a bifurcação da Pedra do Altar, caminhamos até o momento por volta de 14km.

Dali seguimos para a Pedra do Altar, contornando-a. Agora, as Agulhas Negras nos encaravam em toda sua imponência! Com a tarde caindo, as Agulhas ganharam tons de laranja, amarelo e rosa... Se na luz do diz já é mágico, imagine que no pôr do Sol as luzes deixam tudo ainda mais incrível! Em mais 3km, iluminadas por diversos tons, além de sermos presenteadas com algumas gotas de chuva, fomos incrivelmente abençoadas por um arco íris que se abriu bem em frente às Agulhas.

As luzes do fim de tarde incidindo nas Agulhas Negras, vista a partir da trilha da Pedra do Altar

Ainda inebriadas com tanta beleza, caminhamos até o Abrigo Rebouças, onde fizemos uma breve parada para comer alguma última coisinha e pegar as lanternas. Rapidamente a noite caiu e seguimos últimos 3km da estrada de acesso que leva do abrigo à portaria. O céu, que estava absurdamente estrelado, nos acompanhou até finalizarmos nossa aventura. E veio aquela tremenda alegria por cumprir o desafio.

Reflexões e Considerações:

Sobre a trilha, é super bem marcada em toda sua extensão e nos trechos de rocha há muitos totens. Há muita água em todo trajeto, e igualmente há muito Sol na cabeça por conta da vegetação mais baixa. Não deixe de se hidratar! É um caminho lindo, então vá bem cedinho para aproveitar bastante! Vale dizer que nosso percurso completo foi concluído em cerca de 10h de atividade, começando às 8h40 e terminando por volta de 18h40.

O circuito total foi bastante desafiador não pela dificuldade em si, pois se tratava de um caminho razoavelmente fácil de percorrer, mas pela extensão de toda a trilha. Caminhar cerca de 21km pelo meu lugar favorito no mundo foi incrível, me fez sentir viva... Mesmo com os contratempos, foi perfeito como tinha que ser.

Itatiaia, como já mencionei em vários outros relatos, tem uma importância ímpar na minha vida. Sempre mostra o tamanho da minha força, resiliência... Dessa vez não foi diferente, ainda mais pela companhia das meninas!

Fazer uma trilha só com mulheres, e mulheres brabas que andam muito, foi uma experiência que eu nunca vou esquecer! Por diversas vezes lembrava de alguns trechos do livro 'Mulheres que Correm com os Lobos', vendo cada uma de nós enfrentar os mesmos desafios físicos da trilha, porém cada uma carregando sua história, seu psicológico... Essa experiência serviu para reafirmar que a mulher tem uma fé inabalável em si própria, além de uma força surpreendente.

Agradeço muito a oportunidade, a troca e a parceria às meninas! O coração sempre fica quentinho e muito feliz na montanha, mas essa conquista não teria sido tão incrível sem vocês!

Danielle Hepner
Danielle Hepner

Published on 08/17/2021 12:04

Performed on 08/14/2021

1 Participant

Marias Aventureiras

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149

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Marias Aventureiras
Marias Aventureiras 08/17/2021 21:04

Que relato incrível, Dani. Fico muito feliz de ter ajudado, de alguma forma, você a conhecer as outras Marias (Rafa e Ju). Não pudemos estar juntas em presença desta vez, mas meu coração estava lá com vocês! Não faltarão oportunidades . Beijos

Danielle Hepner
Danielle Hepner 08/18/2021 09:24

Let! Com certeza você fez muita falta! Mas a todo momento eu e as demais meninas falávamos de você e também da Vanessa e da Clara! Certeza que estaremos juntas em muitas outras! ♡

Camila Moura
Camila Moura 08/19/2021 18:03

Que experiência! Mal posso esperar a hora de conhecer o parque Itatiaia.

Danielle Hepner
Danielle Hepner 08/22/2021 22:14

Vai amar, Camila! Itatiaia é mágico! ♡

Victor Rogath
Victor Rogath 08/28/2021 15:47

The area seems to be.so fantastic.

Danielle Hepner
Danielle Hepner 08/29/2021 11:12

It is, Victor! Itatiaia is awesome!

Danielle Hepner

Danielle Hepner

Rio de Janeiro - RJ

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nerd! professora de matemática apaixonada por montanhas, viagens, doguinhos e ukulele.

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