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Meteorologia e Montanhas

Parte 2 - Entendendo sobre Nuvens

Entendidos todos os elementos climáticos que foram apresentador na Parte 1, nesta parte será abordado sobre a formação de nuvens, características e como identificar mudanças e tendências climáticas a partir do comportamento das nuvens.

 

As nuvens são resultado do processo de condensação (quando a água passa do estado líquido para o gasoso) ou sublimação (quando passa do estado sólido direto para o gasoso) acima de 30 metros da superfície terrestre.

Até 30m da superfície, esse processo recebe o nome de nevoeiro ou névoa. A diferença entre estes dois últimos está em alguns pontos específicos como a visibilidade e umidade relativa do ar.

A umidade relativa é a relação entre a quantidade de água existente no ar e a quantidade máxima que poderia haver na mesma temperatura. Então, dentro das definições de ar seco, úmido e saturado que foram apresentadas na Parte 1, temos, em termos de umidade relativa:

  • Ar seco - 0%
  • Ar úmido - 0 < x < 100%
  • Ar saturado - 100%

Desta forma, o nevoeiro é caracterizado pela visibilidade (distância horizontal do quanto enxergamos no horizonte) menor que 1km e umidade relativa do ar entre 97 e 100%. A névoa ocorre quando a visibilidade é superior a 1km, porém, quando falamos da umidade relativa, ela se divide em dois tipos: névoa úmida (umidade relativa acima ou igual que 80%) e névoa seca (umidade relativa abaixo de 80%).

Vale dizer que, no meio de um nevoeiro, a orientação se torna muito complexa já que, na maior parte das vezes, temos conhecimento visual dos caminhos. Neste caso, saber fazer uma leitura correta de mapas, gps, etc é muito importante para não sair do percurso e eventualmente se perder. Se não souber se orientar, o melhor a fazer é manter a calma e esperar o nevoeiro passar.

Nevoeiro - Foto de 2015, na Chapada das Perdizes, em Carrancas / MG

 

Voltando às nuvens, elas são classificadas de acordo com seu aspecto básico, estrutura e estágio de formação.

Em relação ao seu aspecto básico, podem ser estratiformes, cumuliformes ou cirriformes.

  • Estratiformes: são camadas contínuas, com ampla extensão horizontal;
  • Cumuliformes: camadas descontínuas formadas por bloquinhos de expansão vertical;
  • Cirriformes: aparência fibrosa, geralmente granulada ou estriada.

Falando da estrututra, podem ser líquidas (formadas por gotículas de água), sólidas (formadas por cristais de gelo) ou mistas (quando possuem gotículas de água e também cristais de gelo).

Quanto ao estágio de formação, são chamadas de nuvens baixas, médias ou altas:

  • Baixas: formadas entre 30m e 2km de altitude;
  • Médias: formadas entre 2 e 8km nas regiões tropicais, entre 2 e 7km nas zonas temperadas e entre 2 e 4km nos pólos;
  • Altas: formadas acima de 8km nas regiões tropicais, acima de 7km nas temperadas e acima de 4km nos pólos.

Bem, vamos às nuvens propriamente ditas:

 

Das nuvens acima, aquelas que são mais importantes na montanha, principalmente em travessias e grandes expedições são as nuvens Cirrus, já que indicam a chegada de frente fria e geralmente aparecem 2 ou 3 dias antes dela. A observação destas nuvens pode auxiliar na logística, evitando aborrecimentos e minimizando a possibilidade de acidentes gerados pela mudança de tempo que a frente traz.

 

Além de todos os tipos que já foram citados, há também as nuvens de desenvolvimento vertical. Como o nome já diz, se trata de nuvens que inicialmente são pequenas e sem muita altura, mas que se transformam ganhando altitude e podendo atingir até 15km. Para os praticantes de esportes outdoor, estas representam nuvens muito perigosas pois mudam rapidamente de estágio, levando à formação de tempestades com chuva bastante volumosa e intensa, além da presença de descargas elétricas.

Nestas nuvens, temos três fases:

 

Um indicativo de que as nuvens acima estão apresentando rápido desenvolvimento vertical é, neste cenário, a observação da atividade elétrica através dos nossos cabelos. Se os cabelos estiverem para cima, arrepiados, é sinal de que há muita eletricidade estática no local, ou seja, excesso de carga elétrica. Neste caso, busque abrigo coberto e protegido IMEDIATAMENTE. Não fique em áreas abertas ou próximas de árvores; elas costumam servir de para-raios naturais. As descargas elétricas buscam os pontos altos que estiverem mais próximos delas.

Se não houver nenhum local próximo que sirvam de abrigo, deite no chão longe de árvores e arbustos e fique em posição fetal (e reze. muito.)

 

O conhecimento a respeito de nuvens, seus aspectos, formação, tendências e comportamento pode auxiliar muito no bom planejamento das atividades da Montanha, bem como diminuir significativamente os riscos de acidentes.

 

Para finalizar, um timelapse gravado e editado pelo meu amigo Samuel Oscar, idealizador do Drone da Montanha, da formação de uma bela chuvarada que pegamos no fim de julho deste ano no Pico dos Marins, enquanto assistimos o pôr do Sol.

 

No vídeo, a parte inferior com as nuvens baixas Stratus, numa camada contínua acinzentada, que tem como característica ser nuvens de chuvisco. Na parte superior, nuvens médias Nimbustratus, que representam nuvens escuras de chuva, além da tempestade ao fundo emoldurando o pôr do Sol. 


Todo o conhecimento apresentado aqui foi amplamente estudado durante os cursos teóricos e práticos de Meteorologia e Sobrevivência na Selva, ministrados para turma 634 de Comissários de Bordo da Escola de Aviação Civil Fly Training Center.

A foto de capa é do Samuel Oscar feitos no Pico dos Marins, cujo relato pode ser acessado clicando aqui.

Todos os infográficos foram feitos por mim, sendo a reprodução autorizada apenas com os devidos créditos.

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Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 10/27/2020 19:57

Que infográfico IRADO!!!

Marcelo Tartari
Marcelo Tartari 10/28/2020 22:33

Muito boa a matéria parabéns

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Danielle Guimarães Hepner

Danielle Guimarães Hepner

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típica nerd! professora de matemática apaixonada por montanhas, viagens e ukulele.

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