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Serra de São José - Travessia Tiradentes X Prados

Serra de São José - Travessia Tiradentes X Prados

Hiking de 21km realizado em um dia, partindo da charmosa cidade de Tiradentes - MG até o munícipio de Prados - MG.

Mountaineering Hiking

Logística

A minha parte da logística coube apenas em sair de Caxambu - MG, às 5h30 da manhã em direção a Tiradentes passando pelas cidades de Baependi, Cruzília, Minduri, São Vicente, Madre de Deus e São João del Rei até Tiradentes. Foi preciso esse horário pois levo cerca de 3h até Tiradentes devido ao péssimo estado de conservação das rodovias. (Leia: buracos que mais parecem cânions!) Como pretendíamos fazer a travessia toda, era imperativo começar "cedo".

Já em Tiradentes encontrei o Bruno Negreiros na entrada da trilha (ele sim sabia a logística toda do rolê, de cabo a rabo rs).

Tracklog utilizado: https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/serra-sao-jose-travessia-prados-a-tiradentes-via-antiga-pedreira-13020540

Relato

A travessia da Serra de São José percorre todo o paredão que faz parte da moldura de Tiradentes, uma cidadezinha histórica e super charmosa de Minas Gerais. Se trata de um percurso de 21km, geralmente feito em dois dias.

Serra de São José vista da Igreja Matriz de Santo Antônio, foto do réveillon de 2015/2016.

Me lembro de, antes de começar a pensar em praticar montanhismo, trilhas etc, por vezes ter ido a Tiradentes e no alto da Igreja Matriz de Santo Antônio me sentar na mureta pra contemplar o paredão da serra, sempre imaginando como seria ver a cidade de lá. Nem imaginando muito bem eu teria conseguido idealizar tudo que os meus olhos míopes captaram durante todo o trajeto.

Começamos a caminhada, por volta de 9h da manhã, numa porteira cerca de 1km depois do início tradicional (este acontece ao lado da Cachoeira Bom Despacho, que fica bem na entrada da cidade pela antiga Estrada Real), no sentido do centro de Tiradentes.

Esse início é bem plano e marcado, tendo uma pequena cachoeira cerca de 10/15min depois como ponto de água boa, a cachoeira do Mangue. Vale dizer que esse pedaço é um dos poucos que tem sombra em todo trajeto.

Depois da cachoeira é só seguir o caminho, sempre em frente até passar por um pequeno riacho. Você deve cruzar o riacho e continuar reto até uma entrada com leve descida de cascalho à direita. Há plaquinha indicando a Trilha do Carteiro.

(A Trilha do Carteiro é uma tradicional trilha da cidade, sendo bastante visitada por turistas. É um percurso de 14km e, segundo as histórias, durante a Inconfidência Mineira um informante percorria este caminho na serra para levar correspondências ao outro lado. Porém, ele acabou sendo morto em uma emboscada portuguesa. Tal história ganhou fama dando nome, então, à essa clássica trilha.

A trilha do Carteiro contempla apenas um trecho da travessia completa da Serra de São José.)

Trecho da subida inicial da Trilha do Carteiro

Deste pedaço começa uma leve subida que, a partir da bifurcação, se torna mais íngreme. Desta subida, que apesar de mais forte é curta, vai estar um trecho plano da travessia, onde o visual bonito começa de fato. Dali o caminho segue mais leve por alguns quilômetros, sempre tendo o visual muito maravilhoso da cidade de Tiradentes à direita.

Em algum momento, cerca de 2/3h do início, há a área de camping do primeiro dia para quem pretende fazer todo o caminho em dois dias.

Passamos direto e continuamos o percurso que seguiu um tanto plano, com apenas algumas leves subidas e descidas. Depois começa uma descida forte até o fim de uma bifurcação que leva ao fim da Trilha do Carteiro. Como chegamos nesse ponto por volta de 12h, e aparentemente eu ainda estava inteira, decidimos seguir para a travessia completa por mais 10/11km até a cidade de Prados.

Caminhos da Serra de São José, trecho logo após subidão do indicativo do fim da Trilha do Carteiro

Seguindo à esquerda depois das plaquinhas há a continuação da travessia da Serra de São José. Esse pedaço tem uma subida forte e um tanto íngreme. Depois dela, mais um trecho plano com leves subidas e descidas até um mirante, onde, só de olhar a vista, a cidade de Tiradentes parece longe.

Após essa subida ainda faltarão 9/10km para o final. Basicamente vai ser plano, sobe um pouquinho desce um pouquinho, plano de novo, sobe mais um cadinho... E quando você achar que vai morrer, vai dar de cara com um planalto verdinho, de grama baixa, e, assim como eu, vai simplesmente se jogar ali pra descansar.

Ao fim de cerca de 1h de descanso pra comer e tirar um cochilo, continuamos a pernada até chegar em uma subida curta, porém chatíssima, de pedras soltas e cascalhos. Esse é o último esforcinho e leva até o Cruzeiro, onde há um planalto indicado por várias setinhas de madeira. Nesse local tem uma enorme área camping, com uma vista absurda da serra toda. Ali a gente assistiu o Sol se pôr, lindão.

Pôr do Sol no Cruzeiro, e a vista pra toda a extensão da Serra

Depois disso, o trecho final contempla por volta de 4km de descida em uma pedreira desativada, que é bem bom descer com muita atenção pra não rolar barranco abaixo por conta do tanto de pedra pequena solta.

Ao final de umas 10h de caminhada total entre paradas, fotos, contemplações, o que rendeu por volta de 7/8h de pernada efetiva, a trilha termina em uma estrada de terra em Prados, onde o resgate (mais divertido da vida) esperava para nos levar de volta aos carros que foram deixados próximos ao início da trilha, em Tiradentes.

Fotos: Paredão da Serra de São José no réveillon de 2015/2016 - Acervo do Jamie Alexandre, na viagem de ano novo que fizemos

Todas as demais, inclusive perfil e capa do relato, são do Bruno.

Considerações

Sobre água, o ponto mais confiável é a cachoeira do Mangue, que fica no início da trilha, depois fica meio estranho.

Do esforço, proteja-se do Sol! A trilha fica praticamente toda com Sol na cabeça.

Sobre as considerações fora de todo o êxtase da caminhada, o percurso é uma travessia linda, mas que em boa parte do trajeto tinha muita área com montagem de fogueira. A serra de São José tem uma série de espécies de plantas que não apenas queimam, mas produzem mais fogo, como a canela de ema; e pior, o fogo da canela de ema só apaga com outro tipo de canela de ema. Imagina o estrago que uma fogueirinha "inocente" pode fazer! Então, NÃO FAÇA FOGUEIRA PELOAMORDEDEUS!

Além disso, RECOLHA TODO O SEU LIXO! Isso envolve papel, embalagens, garrafas e inclusive casca de frutas. A natureza agradece! <3

No mais, só aproveitem o caminho!

Danielle Hepner
Danielle Hepner

Published on 08/18/2020 23:38

Performed on 01/26/2020

1 Participant

Bruno Negreiros

Views

854

5
Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 08/19/2020 00:03

Ficou muito irado o relato. Adorei como você introduziu as histórias, informações e observações da caminhada no meio da riqueza de detalhes sobre a parte técnica da travessia.

Fabio Fliess
Fabio Fliess 08/19/2020 06:10

Beleza de relato. Matei a saudade dessa travessia!!!

Danielle Hepner
Danielle Hepner 08/19/2020 10:57

Obrigada pelo convite e o rolê, Bruno! Morri, mas passo bem rs (: aproveita pra ver se não tem nada errado aí rs

Danielle Hepner
Danielle Hepner 08/19/2020 10:58

De repente esse pode ser um dos muitos rolês pós pandemia hein, Fabio! Bora ver essa parada!

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 08/19/2020 11:02

Tudo tecnicamente certinho, uai!

Danielle Hepner

Danielle Hepner

Rio de Janeiro - RJ

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nerd! professora de matemática apaixonada por montanhas, viagens, doguinhos e ukulele.

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