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Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia Petrópolis x Teresópolis

Travessia realizada com o grupo Mochileiros RJ em dois dias

Trekking Mountaineering

A Travessia Petrópolis X Teresópolis começou às 05h da manhã de 16/04/16 na Cidade Nova, Centro do Rio, ponto de encontro do grupo Mochileiros RJ.

Lá, um grupo de 18 pessoas se reunia rumo à sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no bairro do Bonfim, em Petrópolis, na região serrana do Rio.

Chegamos na portaria do PARNASO às 09h da manhã. Por lá, até entregar todos os ingressos e termos de responsabilidade, ficamos cerca de meia hora. Resolvida toda a burocracia, o grupo deu início a caminhada rumo ao Abrigo do Açu.

Como o grupo estava razoavelmente grande, logo no início já estava dividido, pois cada um caminhava no seu ritmo, sem pressão.

À minha frente, cerca de 5 pessoas. Depois eu, e mais atrás o resto do pessoal. Segui num bom ritmo até a bifurcação que leva à Cachu Véu da Noiva. Parei ali para beber água e então, continuei o caminho, só iria fazer parada no Ajax.

Estava num ritmo bom. A partir da bifurcação, a trilha começa a ter mais subidas, porém sem dificuldade. E, fui andando até que estava na Pedra do Queijo. Parei ali uns poucos segundos para observar a vista, sentir um pouco do vento... E logo segui meu caminho.

Continuei andando, sempre mantendo o padrão da caminhada, até que avistei o André, e ele me falou que ali era o Ajax. André estava passando mal, e, então, ao invés de prosseguir, fiquei por quase 1h ali com ele, até que melhorasse um pouco. No Ajax me abasteci de água para poder continuar a subida. (Da portaria até o Ajax eu consumi cerca de meio litro de água)

Quando o André começou a se sentir um pouco melhor, depois de comer e descansar, seguimos o caminho. A partir dali viria a Isabeloca.

Essa, uma subida íngreme, com bastante trepa pedra. Vencida a Isabeloca, chegamos ao Chapadão.

Chapadão

Do Chapadão, o resto do caminho até o Açu é praticamente plano. Tem setinhas amarelas no chão marcando o caminho, e a orientação é bem fácil. Continuei caminhando até um trechinho onde havia uma pessoa acenando. Era o Rodrigo, que tinha parado para me esperar. A partir dali tive companhia até o Açu.

Fomos andando, conversando, rindo... Até que SENHOR! Olhei pra direita e vi os Castelos do Açu. Fiquei abismada com aquela imagem. Olhava e 'puxa vida, caiu um cisco no meu olho'.

Castelos do Açu

Aí, tirei minha câmera da cargueira e passei a levar na mão. Comecei a registrar tudo que era paisagem de lá. Foi nessa hora que eu comecei a entender porque tanta gente fala que a Petrô X Terê é a travessia mais bonita do Brasil.

Pelo caminho, conhecemos o Sidnei. Funcionário do Abrigo, conversamos com ele numa pedra que rendeu fotos bacanas, e estava à 5 minutos da área de camping.

Como já estava bem perto e era por volta de 15h, não liguei mais pro horário e fiquei fotografando por ali.

Daí, começaram a surgir uns ventos meio frios, a gente seguiu pro abrigo, pois ainda teríamos que montar a barraca e era bom fazê-lo com luz do dia.

Chegamos lá, rapidamente arrumamos tudo e fomos pro banho. Como não chove há dias, não tinha água pra banho não. O jeito foi pegar um balde no córrego ao lado e tomar banho gelado de balde.

Limpinhos, a gente foi se agasalhar, pois o frio já estava marcando presença, e fomos comer. Nesse meio tempo, o resto do pessoal chegou ao camping.

Nos reunimos na varandinha da casa de apoio e ali todo mundo jantou. Depois, o jeito era dormir. Afinal, o dia seguinte nos reservava todo o resto da travessia. E então, fomos dormir sob a luz de uma lua incrível e um céu maravilhosamente estrelado.

Às 4h da manhã, todos acordaram e começaram os preparativos para levantar acampamento. Ninguém resistiu e acabamos ficando ali pra ver o nascer do Sol... Acho que nem consigo explicar a lindeza do momento... Tem que estar ali, ver pra entender... É uma sensação absurda!

Então, por volta de 07h30, eu e Rodrigo seguimos nossa caminhada. Fomos os últimos do grupo a sair do Açu.

A partir do Açu, seguimos praticamente plano até uma descida na pedra, lance inclinadinho, porém tranquilo de passar. Aí fomos descendo, descendo. E então subimos. Chegamos no topo de uma outra pedra e ali seguimos o caminho da esquerda. Ir pela direita nos levaria aos Portais de Hércules, um ponto de observação lindo demais. Mas, como estavamos com o tempo contadinho, não passamos por lá.

Seguimos pela esquerda e descemos um vale. Ali encontramos uma pequena cascata, onde nos abastecemos de água.

Da cascata, subida. A Isabeloca fica no chinelo perto desse trecho. É uma subida que quando você acha que chegou, tem mais coisa pra subir.

Finalmente, chegamos no topo do morro, onde tinha uma área mais plana. E, quando dei por mim, estava de cara pra cadeia de montanhas que dá nome à Serra dos Órgãos. Ali, novamente caiu um cisco no meu olho.

Vista para as montanhas que dão nome à Serra dos Órgãos, no trecho que antecede o Elevador

Entendi, realmente, o porquê de essa travessia ser considerada a mais bonita do Brasil. A paisagem que descortinou diante de mim era incrível, inexplicável. Para cada ponto que eu olhava ficava mais e mais maravilhada, via montanhas com delineados incríveis, e tive uma visão diferenciada da Serra dos Órgãos... Bem, graças a Deus parei nesse ponto. Além das fotos incríveis, deu para beber água e comer alguma coisinha rápida, o suficiente para recarregar um pouco as energias.

Seguindo a caminhada, descemos pela pedra até um trecho onde corre uma pequena cachoeira. Imagino que em época de chuva ela seja bem bonita. Nesse trecho, há um corrimão para ajudar na passagem. Aí, veio o elevador, que não passa de barras de ferro presas na pedra, para ajudarem na subida. Dá medo pela inclinação; mas é só respirar, ir subindo, se apoiando, e pronto.

Dali, a caminhada continua até um trecho onde a aderência do sapato é testada, o Lajão. Pra subir foi bem tranquilo, ainda que a rocha fosse bastante inclinada. Meu problema foi a descida mesmo. Ainda que pra baixo todo santo ajude, eu fiquei com medo que algum deles resolvesse me ajudar demais e eu rolasse com mochila e tudo. Indo com calma e cuidado, os 20 metros restantes, talvez 30, foram vencidos.

Depois, foi meio passeio no parque por um trecho amplo no alto de uma pedra. Mais alguns metros de descida e, finalmente, chegamos ao Vale das Antas, outro ponto onde é possível se abastecer de água. Parei ali para comer de novo.

Devido ao horário, eu e Rodrigo não demoramos e fomos nos adiantando. A partir do Vale, tem uma subida bem tranquila, mais um trechinho em rocha inclinada e, então, temos uma vista incrível para o Garrafão e o Sino.

Vista para o Garrafão no trecho que antecede o Mergulho

Mais uns metros, chegamos ao Mergulho. Esse trecho é uma descida íngreme. Há quem use corda e desça rapelando. Porém, é possível descer com segurança sem corda. A pedra tem bastante aderência e muito lugar pra apoio. Desci sentada me segurando nos apoios da pedra. Com ajuda uns dos outros, eu, Rodrigo e Edu (que tinha nos alcançado) descemos o Mergulhão.

Continuando o caminho, mais uma descidinha que não levou um minuto, e então, começamos uma escalaminhada. Subindo, subindo até avistar outro clássico da travessia, o Cavalinho. Nesse trecho, é preciso se esticar um cadinho, apoiar, segurar na pedra, que tem bastante agarra, e confiar que vai subir.

Rodrigo passou primeiro. Jogou a mochila pra cima, montou no cavalinho e em um piscar de olhos tinha passado. Aí, foi minha vez. Fiz tudo certinho, pé lá, agarras firmes, estava totalmente segura e apoiada.... Rodrigo estava ali instruindo como subir e me deu uma puxada que, junto ao impulso que tive, me fizeram montar no cavalinho. E, felizmente, passei o obstáculo.

Subida do Cavalinho

Ajudamos algumas pessoas a subir, e, na sequência, os demais chegaram. Ficamos ali pra ajudar a pegar mochilas e subir o povo.

Mas, o trecho seguinte, na minha opinião, era pior que o cavalinho. Sem muito lugar de apoio e com menos aderência. De qualquer forma, com as pessoas se ajudando, conseguimos sobrepor o desafio.

Dali, passeio no parque. Continuamos andando, praticamente, sem mais subidas até uma bifurcação. Seguindo o caminho da direita, chegamos ao cume da Pedra do Sino e, o da esquerda, nos leva ao Abrigo 4.

Morta de fome, e pensando no avançado da hora, já era por volta de 14h30, segui direto pro Abrigo 4. Ali, comi, peguei mais água e descansei um pouco.

Às 16h iniciei, num ritmo que eu realmente não esperava ter, a descida chata da Pedra do Sino. Ao final de 3h15, às 19h15, chegamos ao estacionamento dentro do PARNASO, onde uma parte da galera nos esperava.

Senti muita dor nos dedinhos do pé, mas só.

Como sempre, uma felicidade enorme me invadiu. Na hora vieram todas as imagens dos lugares lindos que passei durante a caminhada. Fica só a vontade de refazer a Petrô x Terê, porém em 3 dias, para contemplar todos os Pores e Nasceres do Sol que puder.

Mais uma pra conta!

Danielle Hepner
Danielle Hepner

Published on 11/20/2016 11:57

Performed from 04/16/2016 to 04/17/2016

1 Participant

Rodrigo Lacerda

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6 Comments
Edson Maia 11/20/2016 14:17

Muito bacana o relato! Deu para sentir uma saudadezinha até... fiz a travessia em três dias no inverno do ano passado, com direito a chuva e zero grau no Açu. Realmente é um visual alucinante. Valeu por compartilhar Danielle. Boas aventuras!

Danielle Hepner 11/21/2016 08:37

Obrigada, Edson! A Petrô x Terê foi uma aventura incrível. Em dois dias achei que não pude aproveitar o tanto que eu gostaria, pretendo fazer em outra oportunidade como você, em 3! Boas aventuras pra todos nós! Abraços!

Renan Cavichi 11/21/2016 09:39

Castelos do Açu S2 Essa é uma que eu tenho vontade de repetir! Demais!

Carlos Araújo 11/25/2016 21:24

Tão pertinho de Sampa e eu ainda não fui...

Wilson Iwazawa 01/02/2017 19:06

Oi Danielle! Como é a sinalização por lá? Estou querendo ir com mais 1 ou 2 amigos, e eles não tem experiência e estão com um pouco de receio. É tranquilo?

Danielle Hepner 01/08/2017 18:47

Oi Wilson! Se não tiver neblina é tranquilo sim, mas você pode levar o tracklog e se guiar por gps para ter mais segurança, ou então tentar ir com algum guia!

Danielle Hepner

Danielle Hepner

Rio de Janeiro - RJ

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nerd! professora de matemática apaixonada por montanhas, viagens, doguinhos e ukulele.

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