AventureBoxExplore
Create your account
SALKANTAY TREK (COM AGENCIA)

SALKANTAY TREK (COM AGENCIA)

Boa experiência na cordilheira, com a facilidade de não precisar carregar todo peso da mochila.

Trekking Mountaineering Camping

Muitos caminhos levam a Machu Picchu, mas uma alternativa para quem gosta de Trekking é o Caminho de Salkantay. O caminho leva esse nome pelo fato de ter o visual da montanha mais importante da região. Salcantay é um pico da Cordilheira dos Andes localizado no Peru, atinge os 6271 m de altitude e 2540 m de proeminência topográfica. Pertence à Cordilheira de Vilcabamba, sendo o ponto mais alto desta cordilheira que integra os Andes.

Salkantay Trek é o nome dado a trilha agenciada por empresas locais que levam o aventureiro de um vilarejo chamado Marcoq’asa até a famosa cidade quéchua, Machu Picchu. Uma informação cultural é que o povo na época era chamado Quéchua, e apenas o líder era denominado Inca. A trilha pode ser facilmente feita por aventureiros experientes, pois existem diversos pontos de apoio ao longo do caminho, desde locais para compra de água e comida, como para acampamento e alojamento. Provavelmente a estratégia para quem fará sozinho seja mais longa que a expedição feita por agências, aonde as mulas levam 5 kg de equipamentos de cada pessoa além da barraca e comida que fica por conta da empresa.

A Preparação

Estávamos em 3 amigos, Ademar Bellini @ahbjr, Talivan Tavares @talivantavares e eu. Nós chegamos em Cusco (3400 m) 2 dias e meio antes da data da trilha. Queríamos aclimatar e conhecer um pouco a cidade. É aconselhado tomar chá de coca e não comer nada pesado no primeiro dia. Deixamos uma mochila no hostel com coisas que não iríamos utilizar na trilha. Para a trilha levamos apenas o necessário para eliminar todo peso extra. Como no segundo dia seria frio era necessário levar segunda pele, fleece e jaqueta corta vento.

Dia 1

Local de encontro para saída, Plaza San Francisco às 4h da manhã. A saída ocorreu apenas às 5h pois, mesmo não querendo falar mal, é um pouco desorganizado. Saindo de Cusco (3400 m) a viagem segue até Mollepata (2900 m), cerca de 2:30h, neste local é cobrado 10 soles como ingresso no parque e logo depois paramos para tomar café da manhã numa casa bem simples. Duas opções Continental ou Americano. Basicamente os cafés no Peru são: Café solúvel, chás de saquinho e folha de coca para beber e pão, margarina e geleia para comer, quando tem a opção Americano é acrescentado omelete. Alguns lugares tem suco também. Após o café da manhã é feita a pesagem da mochila que será despachada com as mulas, máximo 5 kg, se quiser despachar mais pode-se pagar uma taxa extra, que ouvi falar ser de 5 dólares por quilo além da cota. Após o início da viagem descobrimos que existem pacotes sem limite de peso, tanto que a maioria das pessoas do nosso grupo caminhavam apenas com mochilas de ataque. Saindo de Mollepata seguimos até Marcoq’asa de van, local aonde inicia a caminhada. O dia estava limpo e a paisagem é de montanha. Seguimos cerca de 12 km em direção a Soraypampa, local do primeiro acampamento, cerca de 3 ou 4 horas de caminhada.

Foto 1: Vista do início da caminhada até acampamento ao pé da montanha com neve

Após chegar em Soraypampa (3.900 m), temos tempo para organizar as coisas na barraca, já montada, e logo é servido o almoço. Nos almoços no Peru geralmente é servida uma entrada, sopa, e após o prato principal. O Peru por ser um país com grande variedade de batatas sempre nas refeições tem esse tubérculo. Após o almoço é servido um chá de coca ou menta, para ajudar com o mal de altitude. Já alimentados temos tempo para descansar, cerca de 40 minutos e em seguida quem tiver disposição pode seguir até o Humantay Lake, cerca de 1:30h de caminhada íngreme até 4300 m, serve de treino para o 2º dia de caminhada, o mais difícil. Durante o descanso cai uma chuva forte, colocamos a capa de chuva e seguimos. A subida é íngreme e longa, porém em 1h estamos apreciando a maravilha do lago com cores azuis e verdes, e de brinde a montanha com neve ao fundo.

Foto 2: Humantay Lake

Retornamos ao acampamento e nos preparamos para a janta. A janta segue o mesmo padrão do almoço. Antes da janta sempre é servido um lanche com bebidas quentes e pipoca. Durante a janta nosso guia, Nico, explica sobre o 2º dia, a dificuldade que será enfrentada, sugere que quem não se sinta apto alugue um cavalo para a subida, 100 soles. Para os demais ressalta que cada um siga no seu ritmo e coloque o objetivo na cabeça, treinando seu psicológico. A noite está frio, alguns brasileiros reclamam e alguns cogitam a possibilidade de subir de mula. Realmente, o primeiro dia foi bastante puxado.

Dia 2

Às 4:40h somos acordados e ganhamos um chá de coca. Temos 30 minutos para arrumas as mochilas e 5:10h precisamos estar prontos pro desajuno. Fez frio durante a noite, acredito que uns 5°C, mas eu não tinha termômetro para medir. Com meu saco de dormir e uma roupa térmica dormi bem, mas ouvi reclamações de alguns brasileiros. O primeiro dia foi puxado para mim, assim despachei cerca de 1kg e meio a mais na mula, pois a mochila que despachei estava leve no primeiro dia. Além disso, diminuí o peso de água, vi que ao longo do caminho existem vendas com lanches e água, bem como corre àgua da geleira, que é possível tratar e beber. No primeiro dia minha mochila estava pesando 9kg, no segundo reduzi para 6kg. Eu sugiro fazer a trilha com mochila de 45L, se feita com agência, tendo em vista que a pessoa carrega algumas roupas, lanches e água apenas. Minha mochila é de 75l+15, pesa cerca de 1,8kg e sobrou bastante espaço. Nesse dia caminhamos cerca de 4h até o ponto mais alto da travessia, 4630 m aonde se poderia ver o pico Salkantay se não fosse pelo mal tempo. Durante toda a manhã choveu e lá encima até nevou. A subida possui trechos íngremes e com bastante pedra solta. Não ficamos muito tempo lá, apenas tiramos algumas fotos e iniciamos a descida.

Foto 3: Ponto mais alto do trekking - 4630m

Mais 2 horas e meia descendo em um terreno com bastante pedra solta e chegamos no local de almoço. Durante a descida começa uma dor desconfortável no meu joelho esquerdo. Após almoço realizamos um ritual inca de agradecimento às montanhas e seguimos por mais 3 horas de caminhada até o acampamento. O terreno começa a mudar, torna-se uma trilha em meio a floresta amazônica. E a temperatura aumenta consideravelmente. A chegada no acampamento é um alívio para o joelho, pois o dia foi com muitas descidas. O acampamento tem banho quente e wi-fi a 10 soles cada. Depois da janta somos apresentados aos cozinheiros e ao homens dos cavalos, o guia sugere uma gorjeta a eles pelo trabalho e para complementar a renda. Todos do grupo aceitam bem a ideia e pela cara deles a gorjeta foi satisfatória, afinal eles merecem, trabalho muito bem feito. Ficamos surpresos pois eles aparentam ser bem mais velhos do que são. Às 20:30h já estamos prontos para dormir.

Dia 3

Acordamos 5:30h, esse é o dia mais tranquilo. Serão cerca de 18 km por trilhas na mata. A saída foi às 7h, meio dia já estávamos no local de almoço. Depois pegamos uma van até o acampamento, cerca de 1h de viagem. Isso para poder aproveitar as águas termais de Santa Tereza (1700 m). Lugar incrível, muito relaxante, 10 soles a entrada, 15 soles transporte. À noite após a janta é feita uma fogueira e rola uma festa. Alguns do grupo farão tirolesa (se contratada com antecedência 17 dólares, lá nos ofereceram por 32 dólares) no dia seguinte, então aproveitam a festa, nós que vamos caminhar deitamos perto das 23h pois o dia será longo. Água 2,5 L custa 10 soles e cusqueña litro 15 soles. É o preço normal.

Dia 4

Acordamos às 6h, saída às 7h. Cerca de 11 km caminhando com a mochila toda carregada, não temos mais auxílio da mula. A caminhada é por estrada, não mais por trilha. Almoço é cedo e logo despachamos a mochila por trem, continuando a caminhada mais leves pelo trilho do trem, mais 11 km, contornando o rio e vendo Machu Picchu por baixo. Mais cerca de 3 horas e chegamos em Águas Calientes cidade ao pé da montanha. Ficamos em um Hostel nesta noite, já incluso no roteiro contratado. Cada dia a minha dor no joelho aumentava, e por tentar usar mais a perna direita inicia a dor neste joelho também. No fim do 4º dia após caminhar cerca de 72km, estou bastante cansado e dolorido. Tomo todos dias anti-inflamatório e remédio para dor.

Foto 4: Próximo a Hidrelétrica, clima mais quente

Dia 5

Acordamos às 3h. Deixamos a mochila grande no hostel e fomos para o portão de Machu Picchu. Às 4h já estávamos lá, somos uns dos primeiros. Às 5h quando abre o portão de baixo já entramos, ainda escuro, e iniciamos a subida, cerca de 1700 degraus irregulares sem corrimão. Às 6h chegamos no portão de acesso, é o horário de abertura. Logo inicia nossa visita guiada de 2h, com explanação da cultura Inca. Terminado o passeio guiado estamos livres para apreciar. Dentro de Machu Picchu é possível andar livremente pelos diversos setores. Além da cidade é possível visitar 4 locais mais afastados. O primeiro montanha Machu Pichu, demanda ticket comprado com antecedência, não sei muito bem o que se vê lá. O segundo é o Huayna Picchu, também precisa de ticket comprado com antecedência, este é uma montanha que demanda pelo menos 45 minutos de subida, é bastante alta e se tem uma visão de toda região. O terceiro é a ponte inca, caminho alternativo de acesso a cidade por cima da montanha, aonde foi feito um caminho a beira do precipício, este não demanda ticket a parte e são aproximadamente 20 minutos de caminhada. O último é o portal do sol, local considerado a entrada oficial da cidade, leva cerca de 1h a caminhada e não precisa ticket adicional.

Alternativa: pode-se ir e voltar de Águas Calientes até Machu Picchu de ônibus, 12 dólares o sentido.

A cidade de Águas Calientes tem diversos artesanatos baratos e é um lugar aconchegante, vale a pena ficar um dia a mais. O retorno a Cusco pode ser feito de duas maneiras. Trem mais van, cerca de 4 h e mais caro. Ou apenas van, cerca de 7h mais em conta, mas a van deve ser pega na hidrelétrica, que exige caminhada de 3h (local de almoço do 4º dia). Assim resta menos tempo para aproveitar Machu Picchu, caso fique apenas um dia em Águas Calientes.

Gastos extra durante a trilha: água (20 soles), banho (10 soles), wi-fi (10 soles), gorjetas (70 soles), Frutas (5 soles), Regalos (???), águas termais c/ transporte (25 soles).

Valor da Trilha paga por nós: 268 dólares cada.

Os preços variam bastante. Alguns amigos contrataram direto do Brasil e pagaram USD 380 com apenas Huaynapichu a mais, que é cerca de 20 dólares. O ideal é negocial lá nas agências. Pois a agência subcontrata o guia, então o serviço é o mesmo.

O valor passado para nós inicialmente era em torno de 248 dólares. Mas como o ticket de trem comum já havia esgotado tivemos que comprar um mais caro, porém com refeição a bordo (pizza e bebidas) e danças típicas.

Para quem quer voltar de van o pacote sai por 170 dólares.

Para finalizar é uma trilha que vale muito a experiência, e não é cara considerando tudo que está incluso. É uma experiência inesquecível para quem não costuma caminhar na montanha, tem o fator da falta de ar que dificulta bastante. Durante a maior aprte do tempo o cenário é incrível e percebe-se uma energia diferente por lá.