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Sobre Amizades E Aventuras

Sobre Amizades E Aventuras

Expedição ao Pico Agudo (Ybiangi) em Sapopema, Paraná.

Mountaineering Hiking Waterfall

O ano de 2020, apesar de todas as adversidades como restrições, proibições, afastamentos, por motivos maiores, que nem precisam ser citados aqui, foi também um ano de aprendizado, reflexão, amadurecimento, e que me surpreenderia com novas amizades inesperadas, que mudariam minha vida para sempre. E foi numa dessas passagens da vida que fui convidado pelo Renato, pra fazer um pedal para Farol d’Oeste, cidade vizinha a minha, Campo Mourão. Eis que estavam esperando no local de encontro ele mesmo, Leonardo, Eduardo, e uma menina chamada Ariane. Dia nublado, frio, mas o pedal rendeu, uma excelente atividade física, como também um bom papo. De lá para cá, muitos outros convites para pedalar, conversa vai, conversa vem, e a Ariane me convida pra participar do seu PodCast, o Pé Roxo. Um Cast local sobre atualidades, informações, enfim, lá estava eu, gravando uma boa prosa sobre pedalar, sobre bicicletas, segurança nas atividades físicas, roteiros, e também um tema abordado de última hora, que foi a prática do montanhismo, na qual sou um entusiasta praticante de longa data, assim como nas bikes.

Foram me apresentados o Marcus (China) e o Octávio, que também compõe o quadro de apresentadores do Cast. Após a gravação do Cast, o interesse da galera já era grande em atividades ao ar livre. Me perguntaram quais roteiros eram de fácil acesso, e nível fácil/moderado. Ariane já deu a dica: “Bóra pro Pico Agudo, em Sapopema”. Na qual ela já tinha visitado anos atrás. Como eu conhecia bem a montanha, confirmei a possibilidade de visitá-la. Mudaram as datas umas 5 vezes, até um consenso geral. Criaram um grupo no whatsapp, e lá foram adicionados outros personagens que aparecerão no decorrer desse pequeno relato, cada qual com sua participação especial na minha vida. Compunha o grupo, Ariane, eu, Marcus, Octávio, Inês, Tays, Eddie, Kasilyn, Harrisson, Diego e Gabriel.

Data acertada, mandei umas mensagens pra uns colegas em Sapopema, Rodrigo (Digão) que nos guiaria à montanha e às cachoeiras gigantescas da região, e também, Ademar, que administra uma pousada no Bairro Lambari, comunidade essa que fica no caminho para praticamente todos os atrativos naturais da região. Reservei a pousada com o Ademar, e o guiamento com o Digão, que a propósito, são cunhado e primo, respectivamente, do Edilson, amigo meu que reside em Campo Mourão.

Fomos acertando os finos detalhes pelo grupo, para horários, compras, quem vai com quem, etc. Na data combinada passei cedo na casa da Ariane, pois iríamos fazer uma compra coletiva para as refeições, café, e lanches de trilhas. Saímos de Campo Mourão às 11:20 da manhã do dia 12 de Dezembro de 2020. No carro da Ariane estávamos eu, ela na boléia, Kasilyn e Eddie. No carro do China foi ele, Tays, Octávio e Inês. Paramos no restaurante Caseiro em Floresta pra bater um pratão executivo, pois nem tínhamos almoçado em Campo Mourão. Partimos rumo a Maringá, para buscar os últimos elementos e completar o comboio rumo a montanha. Passamos para buscar Diego e Gabriel, que foram cada um em um carro, até encontrar o Harrisson, que estava com seu veículo. Redistribuídos os membros, seguimos como saímos de Campo Mourão, e no carro do Harrison pularam o Diego e o Gabriel.

Paramos em Londrina para um breve xixi, e saímos sentido Jataizinho. Parada na conveniência de um posto para comprar uns doces e logo seguimos viagem. Rotas acertadas nos GPS’s e sentamos a bota. Nosso carro se distanciou um pouco dos demais, mas achamos estarem perto. Sem mais paradas, seguimos caminho, passando por Assaí, São Jerônimo da Serra, e por fim chegar na entrada para o bairro Lambari. Paramos o carro e já tínhamos percebido o quão distantes os outros estavam da gente. De repente o Octávio me manda a localização do carro deles. E na sequência Harrisson manda a localização deles também. Os dois estavam completamente errados, e um não sabia que o outro também estava errado. Aí o Ademar da pousada me mandou mensagem perguntando o que tinha acontecido, eram quase 17:00h. Mandei uma foto para ele explicando o que tinha acontecido. Pessoal​ errou o caminho desviando para Congonhinhas, chegando em outra localização chamada “Pico Agudo”.

Mandei minha localização para eles, e falei pra virem a mim. Esperamos na entrada do Lambari mais uns 30 min. e resolvemos ir até Sapopema, que estava a 15 min. da gente. Ficamos esperando no trevo, em frente ao posto de combustível da cidade, tirando algumas fotos, bebendo umas cervejas, jogando truco por mais de uma hora, esperando a galera dos carros do Marcus e Harrisson que estavam a quase 90 km da nossa localização. Passaram por Ibaiti, Figueira, até chegar em Sapopema, onde estávamos.

O reencontro foi hilário, nem a maior catástrofe tiraria nossa animação naquele final de semana. Até foto com cavalo que parecia estátua rolou. Carros abastecidos, cervejas e doces comprados, agora sim, seguimos em direção a pousada, na comunidade Lambari, cada um olhando o outro pelo retrovisor. A noite se aproximava, e ainda paramos na estrada defronte a um belo morro para presenciar o pôr do Sol. Aquele momento foi incrível, pois eu estava morrendo de saudades daquelas bandas, daquelas serras.

Chegamos na pousada às 19:15h e logo mandei mensagem pro Ademar. Logo apareceu a dona Ana, sogra dele, trazendo as chaves da casa. O tempo ainda continuava nublado, mas nada de tão preocupante.

Descarregamos os carros, e já anoiteceu. Fomos ao preparo da janta, um belo macarrão com molho vermelho e carne moída, suco, algumas cervejas e a “cachaça coquinho” do Eddie que teve seu lugar á mesa. Perto das 21h o céu limpou espetacularmente. Nenhuma nuvem no céu, constelações e satélites em alto brilho. Ainda a passagem da ISS (Estação Espacial Internacional) e a conjunção de Júpiter e Saturno, lado a lado no horizonte, na direção do poente. Gramado úmido, mas eu estava lá, olhando pra cima, paralisado, como se nunca tivesse visto aquele espetáculo todo.

Barrigas cheias, conversas fiadas, histórias sobre diversos assuntos. Ficamos acordados até um pouco mais tarde. Pretendíamos sair da pousada na madrugada, para ver o nascer do Sol no alto dos 1224 metros sobre o nível do mar (MAACK) do Pico Agudo (Ybiangi, no Guarani). Quando de repente na madrugada eis que vem uma baita pancada de chuva. “Plano A abortado, vamos sair mais tarde mesmo”. Não teria Sol para vê-lo nascer. Tomamos um café reforçado, e preparamos lanches leves para a trilha. Esperamos a chuva diminuir e saímos da pousada às 06:20h da manhã. Estradas bem molhadas, mas muito bem cascalhadas, nada de barro, mas o céu bastante nublado no caminho até a montanha.

Me lembro com detalhes de cada vez que subi essa majestosa montanha do Norte paranaense. Um dos visuais mais incríveis da Serra Geral ou Serra da Esperança, que divide o segundo do terceiro planalto paranaense. O Pico Agudo (Ybiangi, na língua Guarani) está localizado no município de Sapopema, no Paraná. É o cume principal da Serra dos Agudos, na qual compõe outras expoentes montanhas. Do cume do Ybiangi podemos contemplar a Serra Chata, Morro do Taff, Pico do Portal, Pico do Meio, Serra Grande de Ortigueira, além da Agulha de Reinhard Maack, que é um cume secundário do Agudo. Cortando a Serra ao meio, está o gigantesco Rio Tibagi, que dá nome a uma das principais bacias hidrográficas do estado. Do ponto culminante do Agudo até o nível do rio, são aproximadamente 700 metros de desnível, considerado o cânion mais profundo do Paraná.

O Ybiangi aparece em cartas e mapas de missões jesuítas desde o início do século XVII, como ponto de referência nas andanças das explorações europeias durante a colonização da América do Sul.

Naquela manhã molhada, da estrada, pouco se via da Serra. Tímido entre nuvens, raramente se podia observar os paredões do Agudo. Chegamos na base da montanha, entregamos o cadastro de visitação ao Zé Romeo, o qual administra o acesso a montanha, que já estava preenchido previamente. Nos foi explanada uma pequena palestra sobre a montanha, sobre segurança, condições da trilha, e logo em seguida já botamos o pé na trilha. Íngreme, molhada, escorregadia, assim foi nossa subida nos quase 2 quilômetros de trilha até o topo. Galera super animada, ritmo sem interrupções, todos bem fisicamente. Trilha íngreme com bastante cobertura florestal, até chegarmos nos paredões verticais próximos ao cume, que são transponíveis com o auxílio de cordas e grampos já fixados na rocha. Teve até um guia auxiliar, um cão-guia, que nos acompanhou até o cume, e vez ou outra nos esperava, e depois nos ultrapassava novamente. Octávio achou o máximo aquela criatura, que com destreza, ascendia o terreno bem mais ávido que muitos visitantes.

“Chegamos ao cume”, exclamei. Mas as nuvens tomavam as nossas cabeças. Pouco visual e ora ou outra se conseguia ver o Rio Tibagi fluindo no vale. Fomos até a outra ponta do estreito cume do Agudo, defronte a Agulha, o subcume do mesmo. Nuvens passando bem rápido, garoa, mas rolaram lindíssimas fotos do lugar. Pessoal achou incrível, mas lá no fundo eu gostaria de ter visto a luz do Sol, e o céu azul. O visual seria outro, mas tudo é aprendizado. Em outro relato já mencionei que com a Mãe Natureza não se brinca, contudo ela foi gentil conosco dessa vez. Começamos a descer por volta de 09:50h da manhã. A trilha continuava úmida e escorregadia. Muita prudência e cuidado, mas ainda sim, vários escorregões. Chegamos de volta a base da montanha, e foto com toda a galera. Todos procurando comida nos carros, e as frutas que tínhamos levado lá se foram. A Kasy ainda conseguiu roubar meio copo de café da garrafa do Zé Romeo, na recepção da montanha. Cafeinólatras entenderão.

Todos nas suas devidas conduções, seguimos o Digão com sua moto até uma cachoeira, no caminho de volta. A Cachoeira da Mata, em outra propriedade que tem um receptivo fantástico para os visitantes. Mal descemos dos carros e já estávamos na trilha, descendo e descendo, literalmente. Pouco menos de 1km de trilha, lá estava ela, a cachoeira incrivelmente alta, com suas águas sujas devido às chuvas na região. Kasy, Ari, Tays, Eddie, Diego, Ines, Gabriel, Harrisson, China e Octávio, todos entraram naquela água gelada. Não me dou muito com água, portanto fiquei só nos registros fotográficos. Assim como em todas as minhas incursões pela região, nunca entrei em nenhuma das cachoeiras, no máximo molhar as canelas. O povo se divertiu demais, nesse lugar bem aconchegante. Na volta da cachoeira preferimos almoçar na mesma propriedade. Um belo rango com gosto de sítio. Energias renovadas e partir para a próxima cachoeira.

Agora no Saltinho do Lambari, na propriedade Fazenda Primor. Todas as outras vezes que fui nessa cachoeira, entramos pela estrada, pulamos uma cerca, descemos uma trilha até o leito do rio, andamos pelo rio por quase 1km sentido vazante, até chegar no Salto. Hoje é bem diferente. Comunidade estruturada e explorando seus atrativos naturais, agregando renda. Taxa simbólica para entrar na propriedade e visitar a cachoeira, agora pela porteira oficial. A maioria resolveu descer até a cachoeira, menos Kasy, Eddie e eu. Mesmo assim entramos na propriedade para estacionar o carro. De última hora resolvi, junto com a Kasy, descer até a cachoeira. Eddie preferiu ficar no carro descansando. O único que não presenciou o mais belo salto de uma cachoeira, protagonizado por Kasy. Descemos outra trilha bem íngreme, e mais escorregadia que as anteriores. Vários apoios com cordas para auxiliar tanto na descida quanto na subida. Como na primeira cachoeira, não entrei na água novamente. Circundei o enorme poço formado após a cachoeira, e fiquei na sombra gravando vídeos e fotografando a galera pulando de uma rocha com uns 7 a 8 metros de altura. Tays veio me fazer companhia, mas logo arredou o pé de lá, com medo de insetos e cobras. Saltos e mais saltos acrobáticos, e resolvi retornar onde todos estavam, na parede lateral da cachoeira. Todos já tinham pulado, menos Kasy. Comecei a gravação que durou uns 2 minutos, só de preparação para o salto. China estava lá embaixo, instruindo onde cair, para que não fosse tão próximo a beirada. Contagem regressiva, e lá foi ela. Um salto espetacular, até a metade. O pouso, não digo o mesmo. Kasy caiu de lado na água. Toda nossa galera e mais uns 30 outros visitantes ficaram naquele silêncio momentâneo. Até que surge das profundezas daquela água suja, ela, com um sorriso, e aquele silêncio se tornou em um só som - uuuiiiii​ - onde nossa galera e os visitantes reclamaram juntos “essa deve ter doído”. Nem sabia ela que logo após aquela descarga de adrenalina, apareceriam alguns hematomas pelo corpo. Talvez tenha sido um “carma” por não ter pago a taxa da entrada na fazenda. Felizmente temos salvo esse vídeo em quatro celulares diferentes. Depois dessa peripécia, juntamos as coisas e nos preparamos para subir a trilha, de volta à sede da fazenda. Foi só chegar aos carros, que despencou água denovo. Outra chuva, e com vento mais moderado. Partimos agora para a pousada, e saindo da Fazenda Primor, olho pela janela do carro e já vejo o Harrisson indo pro lado errado da estrada. Pensei: “pronto, outro perdido”. Muita sorte da minha operadora de telefonia móvel estar com sinal naquele momento. Liguei para eles na mesma hora. “Hey, vocês estão indo pro lado errado, a pousada está pro outro lado”. Paramos o carro, e nem um minuto depois, Harrisson já estava no nosso campo de visão, agora no sentido certo. Fomos até a pousada, ainda debaixo de chuva forte. Kasy, que estava molhada da cachoeira, foi eleita para abrir as porteiras do sítio. Quando nos demos conta, cadê o China ? Ligo, e nada. Mando mensagem no grupo, e ainda sem resposta. De repente Octávio nos comunica: “Nem saímos da Fazenda, o carro atolou no pasto”. Ufa, ainda bem que também não foram pro lado errado. Mandei a localização da pousada, só por precaução. Alguns minutos depois, chegaram, molhados, como todos estávamos.

Reorganizada a bagunça, foi hora de revezamento para o banho. Dois chuveiros, mas estávamos em onze.

A essas horas eu não tinha pressa pra mais nada. Tinha matado aquela saudade da Serra dos Agudos. Uma mistura de realização com frustração, Do cume do Ybiangi fiquei observando mais uma vez a Serra Grande de Ortigueira, na margem oposta do Tibagi. Lembrei-me do mestre Paulo Farina, que desbravou de uma ponta a outra a mesma, e me incentivara a repetir seu feito. Mais uma grande expedição nos planos futuros.

Pois bem, chega a hora da despedida, todos cansados da grande aventura, e já compartilhando no grupo as imagens e vídeos capturados naquele final de semana.

O retorno foi bem tranquilo, e dessa vez não nos distanciamos uns dos outros, a ponto de errar o caminho da volta, Pelo menos até Londrina, onde todos já estamos habituados à estrada.

Antes, paramos em Jataizinho novamente, pra comprar mais uns doces. Foi ali a despedida presencial, pois cada qual tomaria seu rumo de volta ao lar. Paramos somente em Maringá, já a noite, para tomar um café, procurar uma farmácia (dores musculares), banheiro, e ainda rachar um "dogão", que já passava das 21h e a fome incomodava.

De Maringá para Campo Mourão, um pulinho, pra quem já tinha mais de 500km acumulados nessa trip.

Meu agradecimento especial vai pra ela, a Ariane, aquela menina que conheci num desses acasos. Uma pessoa incrível, uma excelente motorista (com uma pitada de "piloto de fuga"), uma amiga que a vida me deu de presente, e que não vai se livrar de mim assim tão fácil. E agradeço a companhia e a paciência dessa galera sensacional, Eddie, Kasy, Marcus, Tays, Otávio, Inês, Diego, Gabriel e Harrisson, com quem pude dividir esses momentos fantásticos nesse simples final de semana, mas que marcará minha existência para sempre !!

Marcelo Knieling
Marcelo Knieling

Published on 01/14/2021 00:28

Performed from 12/12/2020 to 12/13/2020

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Marcelo Knieling

Marcelo Knieling

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🌎 Turismólogo 🌐 Gestor do Turismo ⛺ Aventureiro 🏔 Montanhista 💪 Escalador 🚵 Ciclista Road/MTB 📸 Aspirante a Fotógrafo 💗 @elisangela.knieling 🇧🇷 Campo Mourão - Paraná

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