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Expedição Argentina: Buenos Aires (parte II) - Out/07

Expedição Argentina: Buenos Aires (parte II) - Out/07

Cap. IX: O fim da trip se aproxima. Mais três dias em Bue, cruzando o Rio Plata até Colonia (URU), e o trem turístico para Tigre, diversão!

Buenos Aires – 5º dia (26/10)

Acordei cedo, no instinto. Banho, internet, e decidi ir para o Centro: precisava fazer umas compras, algumas caixas de alfajores, cambiar alguns dólares; acabei fazendo um câmbio bem vantajoso, algo como US$ 1 = $ 3,17, realmente muito bom. Caminhei muito, muito mesmo hoje.

Passei por tudo que faltava: Plaza de Mayo, Torre Monumental (antiga Torre de los Ingleses), Casa Rosada, Catedral Metropolitana...andar por Bue é agradável, como eu já tinha dito. Já com as solas dos pés doendo, voltei para o hostel, fiz um pit stop providencial para um amoço rápido, e logo saí de novo, dessa vez em direção ao bairro de La Boca. Para se chegar lá, pode-se ir a pé, algo que em algumas conversas antes, e principalmente depois, não se mostrou ser um opção segura não. Conheci um francês no hostel que me relatou um roubo que acabara de sofrer, indo para o bairro...escolhi a maneira mais rápida e direta, ou seja, o ônibus mesmo (linha 65, se não me engano; aliás, os ônibus portenhos são interessantes, não tem cobrador, o que existe é uma máquina onde você coloca os 65 centavos de peso, e uma luz indica ao motorista que foi pago).

La Boca fica às margens do Rio Riachuelo, o similar Tietê portenho, no pior sentido. É poluído, água escura e espessa...mesmo assim, vários barcos navegam por ali. As casas são todas coloridas, muita gente na rua, turistas procurando atrações, e um monte de gente vendendo de tudo para turistas: é difícil explicar o clima, só estando lá mesmo: sentir La Boca e o Caminito. O bairro é meio barra pesada, mas ao mesmo tempo você sente uma coisa tão familiar, uma energia boa. Eu não sei explicar isso, tem que sentir, viver. Tirei foto como dançarino de tango, andei pelas ruelas cheias de artistas, tudo ali é muito singular e ao mesmo tempo comum a qualquer bairro operário do mundo.

Segui até a Bombonera, o mítico estádio do Boca Juniors; várias pessoas tiravam fotos, buscavam infos, entravam no Museo de la Pasion Boquense; aproveitei e entrei também, queria saber mais. O museu é hiper organizado, dinâmico, instigante. Paguei a entrada com direito a ver o gramado da Bombonera por $ 17, uma pechincha que vale a pena! O museu é espetacular, mas a sensação que se tem quando se entra nas gerais do estádio é de puro extâse! Eu pirei, vibrei mesmo, e as imagens foram se sucedendo, momentos que vi pela tv...mas estar ali é diferente; em dia de jogo então, deve ser absurdamente melhor. Fiquei um bom tempo ali, sentado, imaginando jogadas...

Saí e fui embora de volta para Santelmo, pegando a linha 12; cheguei ao hostel morto de fome, e tive uma surpresa bem desagradável: as privadas do hostel, todas elas sem exceção, estavam quebradas! O hostel era bem precário mesmo. Acabei dando um jeito e tomei um banho; mesmo podre, saí caminhando em busca de um restaurante para comer algo, estava cansado e com fome. Foi quando encontrei o restaurante Manolo (calle Bolivar 1299), um verdadeiro achado: é um restaurante com um clima fantástico, um tango rolando in lounge, decoração esportiva, camisas de clube de futebol, bandeiras, flâmulas; quadros sobre diversas coisas da Espanha (o dono é espanhol)...só por isso já valeria a pena, mas tinha ainda a comida. Comi um suprema a la manolo, espetáculo de milanesa de pollo, com papas fritas á española (as famosas batatas fritas), um prato tão grande que quase não consegui matar! E olha que eu estava faminto. Estava lleno!

Resolvi andar um pouco, ajudar na digestão, antes de ir para o hostel. Estava cansado, e voltei ao hostel disposto a dormir, mas chegando lá enrolei um pouco, levei um papo interessante com o francês que foi roubado em La Boca (não me lembro o nome do francês, mas me lembro que ele era vegetariano, e que tinha andado por meio planeta...); o cara me contou umas histórias interessantes sobre a temporada dele na Índia. Resolvi dormir, a despeito da festa e dos risos de uma festa que rolava no hostel...

Buenos Aires – 6º dia (27/10)

Mais uma vez acordei cedo, havia combinado com a Marie que voltaria para o apê dela.

7h da manhã eu estava em pé, me aprontando; Marie havia me dito algo sobre a cidade de Tigre, não sei...peguei o táxi em torno das 9h, e logo estava de volta a Palermo Alto, onde Marie mora. Estava cedo, era sábado, e não quis incomodar nem Marie nem Raffa, por isso esperei até as 10h tomando um desayuno em frente ao prédio. Quando me certifiquei que eles já estavam acordados, subi, deixei uma das mochilas (sim, agora eu tinha mais uma, só de presentes) e fui tentar encontrar os brasileiros que conheci em Córdoba, Nei e Felipe. Fui ao hostel em que eles estavam hospedados, no bairro da Recoleta, mas eles não estavam. Fica para a próxima...

Voltei ao apê, e lá estava Marie e sua amiga Heloise. Saímos os três, eu e Marie para a cidade de Tigre, e para isso precisamos pegar o Tren de la Costa, um trem turístico que vai margeando o Rio Plata. O trem parte da estação Mitre, e para chegar até lá precisamos pegar o subter até a estação Carranza, e depois um trem de subúrbio até a estação Mitre. Lá pagamos $16 para embarcar, e a surpresa é que o trem é muito bom, confortável, as estações em que ele pára também são muito boas; a paisagem, á direita, é a costa do Rio Plata, muito bonita. A viagem dura 35 minutos. Tigres é uma cidade turística, e logo quando se desembarca você dá de cara com um parque tipo Playcenter; caminhamos até o trapiche, onde rolava uma feira de móveis artesanais, e uma multidão andava, olhava e comprava...seguindo, havia muitos resturantes, parillas, todos um pouco caros, afinal, a turistada ali paga mesmo. Desencanei e resolvi curtir.

Tomamos uma lancha para fazer o passeio pelo Delta do Tigre, que é um conjunto de arroyos que desaguam no Plata. Uma hora de passeio, meio monótono, $13. Dormi um bom pedaço, estava precisando. Quando atracamos, fomos comer; Marie queria parilla, estava enlouquecida de fome. Eu fui de milanesa a napolitana. Ficamos ali um bom tempo, conversando. Foi um bom papo. Saímos e voltamos para a estação Tigre. Ficamos sabendo que houve um acidente, e que o serviço de trem estava suspenso. Pensamos então no plano B: seguir até a estação de trens comuns, de subúrbio mesmo, pegar um trem qualquer para a estação Retiro. Compramos o ticket e fomos. Quase 50 minutos de viagem até Retiro, e quando chegamos lá, tivemos uma surpresa: nos venderam um ticket que valia para outra estação (que não me lembro qual...) e tivemos de pagar uma “multa” de $4 para ter acesso a estação Retiro. Una cagada...

Pegamos o metrô, depois caminhamos até o apê. Eu estava morto, queria uma ducha e cama! E assim foi. Marie só queria cama, e nem banho tomou...herança francesa? Kkkkkk.

Amanhã, dia de eleições argentina, vamos cruzar o rio e ir até Colônia (URU).

Buenos Aires – Colônia (28/10)

Como seguindo uma tradição, acordamos cedo, eu e Marie. Era preciso estar em Puerto Madero às 8h30, para fazer os trâmites legais, pegar as passagens no Buquebus, passar pela alfândega...pegamos um táxi ($10), e chegamos em Madero: o terminal de embarque de navios é bem confortável. Fizemos todos os trâmites, e embarcamos para Colônia (URU).

Há dois tipos de buques (navios): os rápidos, que fazem a travessia em uma hora; e os ferry lentos, que cruzam o Rio Plata em cerca de três horas. O rápido é mais caro, mas Marie conseguiu uma promoção muito boa, ida e volta custou $100, tarifa muito boa para esse serviço. O serviço a bordo do navio e as acomodações são muito boas, me surpreendeu bastante. Assentos confortáveis, janelas bem grandes para ver o Rio Plata, enfim, tudo muito bom. Chegamos em Colônia, e passamos pela imigração uruguaia, aquele trâmite todo...

Saímos e fomos procurar uma oficina (escritório) de turismo, afim de pegar um mapa, saber mais de Colônia; com um mapa na mão fomos explorar a cidade. Há um farol, muitas ruínas da época dos portugueses, várias ruas calçadas no estilo “pé de moleque”, e uma tranquilidade contrastante com Bue. Havia turistas, muitos deles (nós incluídos...), mas a cidade estava muito boa para se curtir.

Esse dia foi de eleições na Argentina, feriado nacional, por isso imperava a lei seca no país vizinho. Andamos bastante, tiramos fotos, e fomos almoçar na praça central. Comemos muito bem, e pagamos mais ou menos barato: o câmbio no Uruguai é similar ao da Argentina, apesar da moeda uruguai levar a pior na comparação. Depois de um almoço fabuloso, fomos até a “praia” do Rio Plata, onde eu busquei uma sombra de árvore junto a algumas pedras, e ali mesmo dormi cerca de meia hora; Marie se jogou na areia mesmo, queria se queimar um pouco...a moça era branca como uma vela.

Queríamos ainda passear pela Av. Costaneira, então seguimos em frente. Essa avenida margeia o Rio Plata, e nesse ponto em que a avenida ladeia o rio existe uma larga faixa de areia, que é usada pela população como praia e lazer; aproveitei, tirei a bota e caminhei pela areia...estava com saudade de água, de clima praiano. O domingo estava ensolarado, e havia muita gente na praia; eu mesmo me queimei bem, só na caminhada que fiz com Marie. A francesinha parecia um pimentão...(rs).

Ficamos numa faixa de areia um tempão, só “lagarteando”; estava chegando a hora de voltarmos para Bue. Eram 18h, e o check in no buque rolava às 19h30. Caminhamos até o porto, mais ou menos 50 minutos, onde tive tempo ainda de tomar uma Stela Artois gelada, pois o calor tava forte! Todos os procedimentos feitos de manhã, repetimos à tarde. Embarcamos, e 20h30 saímos de Colônia. Gostei bastante da cidade, a simpatia das pessoas, além de ser muy hermosa (bonita). Na volta, ora conversávamos, ora dormíamos, afinal estávamos cansados, foi uma dia cheio de alternativas.

Quando chegamos em Bue, fiquei com vontade de tomar algumas coisa antes de ir para a casa da Marie. No dia seguinte eu estaria de volta ao Brasil, e queria me despedir da noite portenha. Fomos a um bar que Marie conhecia, chamado Limbo. Muito bonito, mas o serviço, una cagada. A caipirinha estava mal feita, e o mojito, parecia chá de hortelã! Basura (um lixo, falando claramente). Eu já estava morto de cansado, então fomos para o apê. Eu tinha que arreglar (arrumar...) a mochila ainda, já que no dia seguinte voltaria para Sampa. Mas consegui dormir só lá pelas 3h da manhã.

Buenos Aires – São Paulo (29/10)

Meu vôo saíria às 13h20, mas as 10h eu já estava em pé, com tudo pronto. Sentia realmente que já estava na hora de voltar para casa...uma vez eu li em algum lugar que o homem só viaja para poder voltar com mais satisfação para casa, e eu creio que foi isso mesmo que se passou comigo. A Argentina me surpreendeu muito, e de maneira geral positivamente. Na verdade, eu vi muito mais semelhanças nas nossas ditas diferenças. Meu relato se encerra aqui, mas essa viagem fantástica pela América do Sul apenas começou...

Marcelo Baptista
Marcelo Baptista

Published on 03/26/2016 20:00

Performed from 10/01/2007 to 10/29/2007

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Marcelo Baptista

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Montanhista, mochileiro, viajante, pai, conectado com as boas vibes do universo e com disposição ainda para descobrir os mistérios da vida.

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