AventureBoxExplore
Create your account
Parque Nacional de Jericoacoara (CE) - Set/11

Parque Nacional de Jericoacoara (CE) - Set/11

Dunas, praias, vento constante e uma das paisagens mais deslumbrantes do Brasil: cinco dias em Jericoacoara, no litoral cearense. Bora!!

De Fortaleza a Jeri - (15/9)

Jericoacoara, ou simplesmente Jeri, é um daqueles lugares que você começa a ouvir desde muito cedo quando o assunto é beleza cênica e praias paradisíacas. Desde que foi eleita, há alguns anos atrás, como uma das dez praias mais encantadoras do mundo por um jornal norte-americano, esta pacata vila de pescadores deixou a tranqüilidade de lado para se tornar seguramente o local turístico mais conhecido do Estado do Ceará. Fui para lá para checar como andam as coisas, e para cumprir mais uma etapa do meu projeto de visitar todos os parques nacionais do Brasil (sim, Jeri é um parque nacional!).

Acordei por volta das 4h40 da manhã, tomei uma ducha e peguei a “topic” de Aquiraz para Fortaleza (R$ 3,50). Às 6h00 já estava no centro de Fortaleza, a essa hora totalmente vazio não fosse a presença de poucos ambulantes montando suas barracas e as tradicionais almas perdidas que todo centro de cidade grande abriga.

No dia anterior havia comprado um pacote numa agencia no Mercado Central, que me dava o direito de transporte e três dias de hospedagem. Era a opção mais barata, depois de exaustivos estudos da minha parte, e acabei pagando R$ 250. Minha ideia era ficar mais dois dias por minha conta, e fazer uma exploração mais ao meu estilo, ou seja, totalmente off turismo convencional.

Fui até o Mercado Central, ponto de encontro que a operadora determinou, e resolvi tomar um café. O Mercado estava fechado ainda, e o movimento na parte de fora era intenso, com uma feirinha de ambulantes lotada de gente. Saí caminhando descendo a avenida, e foi aí que encontrei um daqueles lugares pitorescos que só viajantes livres se permitem. O lugar é o Bar da Lôra. A “lôra” em questão é a dona do bar, uma mulher simpática e muito divertida. Além do bom papo, faz um pão com ovo frito divino. O bar estava lotado, principalmente pela galera da feirinha da madrugada que eu havia passado havia pouco, onde você pode encontrar de tudo. É um exercício de observação acompanhar esse comércio alucinado que rola nas primeiras horas da manhã naquele local.

O microônibus da empresa chegou às 9h00. Isso significa dizer que o cansaço me pegou assim que subi a bordo. A viagem total durou cinco horas, com uma parada para “hidratação” (o calor lá chega a ser desumano, mesmo com ar condicionado). Temos um guia que parece ser gente boa, chamado Roberto.

Chegamos a Jijoca e tivemos esperar um pouco ali até a caminhonete D20 chegar para finalizar nossa ida a Jericoacoara. Praticamente impossível chegar lá com outro veículo que não um 4x4. O caminho entre Jijoca e Jeri é algo difícil de esquecer: dunas e mais dunas entremeadas por pequenas lagoas de água verde. A mesma topografia e composição cênica dos Lençóis Maranhenses (MA) que, aliás, não estão tão distantes daqui.

Chegando a Jeri definitivamente, fui acomodado na Pousada Rosas dos Ventos (Travessa Ricardo, 202. Tel.: 88 3669 2092), muito aconchegante, e depois de uma chuveirada gelada que aliviou muito pouco o calor escaldante, fui almoçar no restaurante Sabor da Terra (Rua Principal), por indicação quase obrigatória do guia Roberto. Dei uma chance e não me arrependi: comi um peixe incrivelmente saboroso lá.

Na seqüência resolvi dar um rolê, aproveitar que estava um pouco mais fresco, e também para tirar esse cansaço do corpo. Resolvi ir até um monumento muito conhecido aqui, a famosa Pedra Furada, marco do Parque Nacional de Jericoacoara. Quando me dirigia para a trilha que me levaria até lá acabei encontrando um casal montanhista amigo meu, Rodrigo e Roberta. O mundo é pequeno mesmo...

Fui caminhando até a Pedra Furada, um caminho entre morrotes e areia da praia. Em meia hora cheguei lá, e já havia algumas pessoas fazendo fotos. É tipo um arco natural, erodido pelas ondas, interessante se olhado mais de cima do morro, como eu fiz. Aproveitei e fiz algumas fotos do horizonte ao sul e ao norte, além do pôr-do-sol espetacular, um dos mais bonitos que eu já acompanhei.

Na volta à vila me dediquei aos esportes etílicos, afinal de contas o calor por aqui é constante, mesmo à noite.
Amanhã tem mais.

Dicas: Ir pelo esquema independente para Jeri te obriga a pagar um preço alto por isso, além de ser praticamente impossível você fazer sozinho de Jijoca a Jeri. A pé são 18 km de distância, de carro comum é atolar na certa. Contratando um pacote básico você consegue economizar bem. Poucas vezes vi vantagem em contratar um pacote como em Jeri...

Jericoacoara – 2º dia (16/9)

No dia seguinte, resolvi fazer um passeio de bugue e conhecer alguns locais mais distante, como a Lagoa da Tatajuba. Para isso contratei com o próprio guia Roberto esse passeio. Por volta das 9h00 saí da pousada e fui pego pelo piloto do buguinho, um rapaz meio marrento cujo nome não me recordo (não anotei). Junto comigo vieram um casal paraense, ambos médicos. Gente muito boa.

A primeira parada foi às margens do Rio Guriú. Ali havia um tal observação de cavalos marinhos na região do mangue, aquele tipo de passeio bem pra turista bobinho, e que ainda por cima impacta a natureza, já que o bichinho é pego numa garrafa. Era demais para mim, e graças a Deus, para o casal paraense também. Resolvemos seguir em frente.

Passamos então a ir em direção ao que restou da vila de Tatajuba. O piloto parou em um casebre, onde paramos para comprar uma água, ou algo que o valha. Foi nesse local que rolou uma apresentação insólita, um resumo do que aconteceu com a vila de Tatajuba original, engolida pelas areias. Uma história de mais de três décadas contada em dois minutos, em velocidade máxima por uma senhora, a dona do tal casebre. É muito curioso e engraçado.

No meio do caminho, apareciam várias lagoas de água doce no meio das dunas. Em muitas vezes eu me imaginei nos Lençois Maranhenses, uma paisagem realmente muito bonita.

Finalmente chegamos à Lagoa da Tatajuba. Bonita, com um vento que não para um instante, é basicamente uma base para colocar os turistas e mantê-los ali, comprando, bebendo e comendo. Como eu tinha desligado meu modo viajante descolado, resolvi relaxar e pagar de turista mesmo. Ficamos eu e o casal paraense tomando umas lá, e batendo papo. Ficamos lá tempo suficiente, na visão do guia, ou seja, quando ele ficou de saco cheio, nos chamou para irmos embora. Mas valeu muito a pena, o local é legal e a comida estava boa.

Voltei para a pousada e dei uma descansada, a noite me dediquei um pouco mais ao nobre esporte etílico, e ao contato social que isso provoca. A cerveja é a melhor amiga do homem.

Jericoacoara – 3º dia (17/9)

Neste dia, pelo contrato com a operadora, eu deveria ter ido embora. Faria um passeio pela manhã, almoço e depois seguiria para Fortaleza. Mas fiz um acerto com o guia Roberto e ficou fechado que eu pegaria o micro daqui a dois dias. Paguei a pousada por fora (mais R$ 120) e estava definido: mais dois dias em Jeri.

Fui com o grupo (que eu havia vindo desde Fortaleza) até a Lagoa Azul, um lugar difícil de descrever sem comparar com o Caribe, ou algum lugar de águas cristalinas. No meio dessa lagoa existe um banco de areia branca, que é usado como base para o bar molhado. Os preços são turísticos, mas tudo bem, afinal eu estou nessa, não? Estava muito agradável ali, eu realmente estava curtindo. E o melhor, não precisava ir embora, como os colegas de viagem. Quando o guia chamou (eram 13h00, absurdo!) o pessoal foi meio amuado. Eu sorri. Dentro desse esquema, eu estava com uma certa mobilidade. Beleza!

Fiquei ali curtindo mais algumas horas, e hordas de turistas vinham e iam. Lá pelas 16h00 resolvi voltar. Já sabia que teria de me virar para voltar a Jeri. Estava a cerca de 20 km de lá, mas tinha algumas opções, como cortar caminho pelas dunas e fazer em 10 km, ou pegar carona se chegasse à Praia do Preá (7 km). Escolhi esta última opção, e depois de sair do banco de areia em uma jangada, peguei a poeirenta estrada de areia até a praia. O legal é que eu andei 3 km e um bugueiro me ofereceu carona até Jeri, foi bem legal e mais rápido do que eu imaginava. Quando voltei, resolvi subir até a Duna do Pôr-do-Sol ver o danado do fenômeno, que aqui é muito lindo.

Encontrei de novo o casal de amigos montanhistas Rodrigo e Roberta, e ali ficamos até o fim do crepúsculo. Ao final, todos batem palmas, é tradição em Jeri, e realmente muito justo, porque ali é especial. Nesta noite eu e o casal R fomos a uma pizzaria que tinha musica ao vivo, bem legal.

Jericoacoara – 4º dia (18/9)

Dia seguinte, céu azul, e eu decidido a fazer um trekking. Resolvi tentar inventar um caminho: chegar à vila do Guriú, mas passando por um povoado chamado Mangue Seco. E lá fui eu.

A caminhada pela praia até Guriú é de 9 km, mas pelo vilarejo seria de 14 km. O sol escaldante e o vento incansável, que trazia areia e fazia doer as minhas pernas, eram desgastantes. Logo cheguei a uma placa, que indicava Mangue Seco a 1,5 km. Percebi que estava chegando aos limites do Parque Nacional. Minhas suspeitas se confirmaram quando cruzei com uma guarita do ICMBio (vazia, claro) e uma placa, no sentido no contrário do qual eu vinha, explicava sobre a unidade de conservação. Ali pude ver que estava no caminho certo, e mais perto do que eu supunha. Segui, entrando por uma região de mangue, e passei por uma ponte de madeira, onde pude avistar alguns queixadas (porcos do mato) chafurdando na lama escura.

Continuei seguindo, pegando infos aqui e acolá, até que cheguei a uma vila, com um canal à frente. Ia atravessar, quando um morador me alertou da profundidade excessiva ali. As pessoas atravessam a nado, mas eu estava com mochila de ataque, e não queria molhar meus documentos (não estavam isolados). Procurei alguém para atravessar com canoa, mas não havia ninguém ali. Um pouco frustrado, e faltando um quilômetro segundo o morador, desisti da travessia. Voltei pela praia para Jeri.

Fiquei um tempo observando a galera do kite surf e suas manobras aéreas, me deu vontade de fazer um curso. Perguntei para um dos caras ali quanto custava o curso, ou algumas aulas, e ele me disse que em torno de R$ 800. Fica para a próxima...

Já em Jeri, voltei para a pousada e fui descansar um pouco. Amanhã estarei indo embora.

Jericoacoara – 5º dia (19/9)

Acordei cedo, já sabia que o guia da agencia passaria logo pela manhã para realizar o tal passeio final, a Lagoa do Paraíso. Às 11h15 o guia passou na pousada em que eu estava. Me despedi dos donos, gente finíssima, e entrei na D20 que nos levou (eu e mais uma turma que foi pega na Rua do Forró) para a Lagoa do Paraíso. O lugar é incrível, é a mesma lagoa que em outro lugar é chamada de Azul (e que eu havia estado dois dias antes), só que recebe este nome por estar dentro de uma área particular.

Fiquei ali de bobeira, comendo peixe e tomando uma gelada, desfrutando daquela paisagem deslumbrante. Às 13h chegou o nosso transporte, que nos levaria até Jijoca, e dali até Fortaleza. Minha trip pelo Parque Nacional de Jericoacoara terminava ali, entre dunas e lagoas, caminhadas e mergulhos, pores-do-sol espetaculares e a sensação de ter conhecido um cantinho muito especial neste Brasil.

Marcelo Baptista
Marcelo Baptista

Published on 01/28/2016 16:31

Performed from 09/15/2011 to 09/19/2011

Views

2575

Marcelo Baptista

Marcelo Baptista

São Paulo

Rox
865

Montanhista, mochileiro, viajante, pai, conectado com as boas vibes do universo e com disposição ainda para descobrir os mistérios da vida.

Adventures Map
cantinhodogibson.blogspot.com.br/

297 Following



Minimum Impact
Manifesto
Rox

Fabio Fliess, Renan Cavichi and 396 others support the Minimum Impact Manifest