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Brincando de submarino

Brincando de submarino

Mergulho na Pedra do Badejo, 45 metros, com László e Lusquinhos, testando equipamento novo e utilizando DPVs - Diver Propulsion Vehicles.

Diving

Saímos cedo da Bahia Marina no domingo 8/12, dia da festa da Conceição da Praia, que inicia o ciclo de festas de verão na Bahia (acho que na verdade este ciclo não tem começo nem fim, é contínuo kkkkk).

Mas nossa festa seria na Pedra do Badejo, mais ou menos uma hora de navegação de Salvador. A bordo estávamos eu, László e o Lusquinhos, além do mestre Jorginho.

László testaria mais uma vez o rebreather duplo que ele fabricou, batizado de Mega Meg. Se um deles não funcionasse, teria o outro de reserva. Sistemas de suporte à vida devem ter redundância no mergulho técnico. Eu e Lusquinhos, cada um com um só rebreather, levávamos cilindros extras no caso do equipamento principal não funcionar, os chamados bail out. Cada um com 2 cilindros presos nas laterais do corpo, que podem ser visualizados nas fotos. László não precisaria deles. O rebreather fica preso nas costas.

Um rebreather duplo (no caso Mega Meg) é especialmente usado em mergulhos muito fundos (100 m+) onde a quantidade de cilindros de bail out seria muito grande.

Outra novidade é que brincaríamos de submarino. Levávamos 2 scooters (DPV – Diver Propulsion Vehicle). Eles permitem navegar sem esforço debaixo d’água, sem necessidade de bater nadadeiras. O único trabalho é girar a manopla para controlar a velocidade e direcionar o aparelho.

Desci com um deles seguindo o cabo da âncora e ouvi os chamados de Lusquinhos e László (sim, no circuito fechado é possível vocalizar debaixo da água). Eles me alertavam que o forte jato d’água gerado pela hélice do DPV estava pressionando o diafragma do segundo estágio de um dos reguladores de bail out provocando um free flow (grande escapamento de gás do cilindro) que não percebi. Corrigida a situação continuei a descida. Novato é sempre barbeiro!

A descida não pode ser muito rápida porque temos que compensar a pressão cada vez mais elevada nos ouvidos e na máscara e inflar coletes e o contra pulmão do rebreather (caso contrário podem colabar e fazer que o mergulhador desça cada vez mais rápido, sem controle).

Aos 30 metros de profundidade entramos numa termoclina, a temperatura caiu de 26 para 23º C e no mesmo instante sentimos isto nos ossos, apesar da roupa de neoprene de 5 mm. No mar estas diferenças são rapidamente sentidas devido a grande capacidade da água para transferir calor. Além disto, como baianos, somos termoregulados para viver em torno dos 27ºC ou acima.

No fundo, a 45 metros, a visibilidade estava boa, entre 10 e 15 metros.

De início prendemos os DPVs no cabo da âncora e nadamos sem eles, para fazer umas tomadas do equipamentos do László.

O rebreather duplo (Mega Meg).

Começamos a passear de DPV. Dá a impressão que você se converteu num pequeno submarino. Eu filmei László com seu rebreather duplo e depois nos filmamos, os marmanjos passeando com seus brinquedinhos novos. Bem que dizem que a diferença entre homens e crianças é o preço dos seus brinquedos.

László segura a manopla que controla o DPV. Um cabo preso ao equipamento e ao corpo do mergulhador reboca o usuário.

László num determinado momento também teve free flow num dos seus reguladores devido ao jato de água para trás gerado pela hélice do DPV.

O fundo marinho da Pedra do Badejo é bonito.

László manobrando o DPV junto ao cabo da âncora.

Os DPVs são especialmente úteis em locais com correnteza.

Após cerca de 50 minutos de fundo o Lusquinhos sinalizou que estava com frio e queria subir. Iniciamos a subida pelo cabo da âncora, rebocando os DPV (eles tem flutuabilidade neutra). Não decidimos ascender usando-os porque a subida deve ser lenta com várias paradas de descompressão. Fizemos paradas de 3 em 3 metros a partir dos 18 metros de profundidade, levando mais de uma hora para chegarmos na superfície. O tempo total dentro d’água ficou em torno de 140 minutos.

A descompressão foi desagradável porque entrou um Nordeste forte e o mar cresceu, com ondas frequentes. O cabo da âncora onde estávamos agarrados pulava e dava trancões.

Finalmente, de volta ao barco, László disse-nos que o bocal do seu rebreather principal começou a alagar, ameaçando inundar o circuito com água do mar. Teve que fechar este bocal e pular para o rebreather reserva. Acabou sendo obrigado a usar o reserva que funcionou muito bem. O teste de mar do seu equipamento duplo se revelou um sucesso.

Anexo o vídeo mostrando o László e seu rebreather duplo e passeando com o DPV. Notar que em determinado momento do vídeo ele troca de um bocal para outro, ou seja, sai de um rebreather e vai para outro, o que faria numa situação de emergência se um deles falhasse. Ele que teve que fazer isto mais tarde devido ao vazamento no bocal do principal - ver vídeo extra.

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 12/12/2019 10:23

Performed on 12/08/2019

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Luiz Gadetto
Luiz Gadetto 12/12/2019 12:06

Que bacana e tenso!!

Peter Tofte

Peter Tofte

Salvador, Bahia

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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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