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Caçadores de cachoeiras - a Engrunada

Caçadores de cachoeiras - a Engrunada

Quatro dias em área selvagem da Chapada Diamantina, buscando a remota cachoeira da Engrunada.

Trekking Waterfall

"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher."

Cora Coralina

Fabio e Cris irão para a Itália em viagem de estudo onde passarão um ano. Para se despedirem de sua querida Chapada queriam fazer uma trilha antes de partir. Me propus a ir com eles porque além de amigos, são boa companhia de trilha e cabras bons no riscado. Pensamos em seguir para a área Sul da Chapada, fazer a cachoeira Encantada por cima (ver relato "Itaetê - O lado B da Chapada") mas Miguel Moraes, que iria junto e daria suporte logístico na empreitada cancelou, não poderia ir. Para onde então?

Parte do grupo Bushcraft Bahia tentou fazer a cachoeira da Engrunada há cerca de 2 meses mas abortaram devido a problemas de saúde de um dos integrantes. Resolvemos então explorar esta área, com as dicas dadas por Lucas (Planet Outdoor/Salvador).

A cachoeira da Engrunada é uma das inúmeras no Norte da Chapada. Os rios (com exceção de poucos, entre eles o rio Pati e o rio Preto) correm no sentido oeste-leste. Nascem nas Serras da Larguinha, da Garapa (ou Roncador) e Cotinguiba, desaguando nos rios São José e Sto. Antônio, entre Lençois e Andaraí. Nascem em torno dos 1.000 metros, caindo até os 300 - 400 metros na planície a leste. Assim é fácil perceber porque há tanta cachoeira alta na Chapada. E muito cânion logo após a queda das cachoeiras.

O rio Ancorado, onde fica a Engrunada, é um dos mais extensos, e é o único que nasce nos Gerais do Vieira, entre o Capão e o vale do Pati, e desce no sentido leste.

Partimos quinta a noite. Sexta seria feriado em Salvador. Ao chegarmos em Lençois, Zé de Maninha já nos esperava com sua moto. Ele chamou mais dois moto táxis e fomos até o rio Capivara, trecho onde a estrada velha do garimpo é melhor.

De lá seguimos a pé até o córrego Piçarra e subimos a Serra do Bode para a Cachoeira das Lajes, rio Caldeirão e rio Ancorado. Em julho deste ano fizemos este roteiro no sentido inverso (ver relato "Vila Fantasma do Rabudo e outras lonjuras da Chapada").

Em frente a uma toca na serra do Bode, no Piçarra.

Travessia do rio caldeirão para o Ancorado.

Chegamos a Toca do Ancorado (-12,691654, -41,391496) 15 horas, após cerca de 8 horas de caminhada. Preferimos ir até a toca seguindo este trajeto ao invés de subir o rio Roncador (do qual o Ancorado é um afluente) porque a subida do Roncador pelo leito do rio é bem difícil e depois ainda teríamos que subir a fenda do Samuel. Eu, Cris e Fabio achamos esta opção bem menos cansativa, embora tenha gente que ache melhor subir pelo Roncador.

Após o banho de rio, descansamos e deixamos as coisas na toca, saímos para checar se o que aparentava ser uma trilha que vi no Bing Maps batia com uma informação que Lucas recebeu, de que haveria uma trilha alternativa para baixar até a Foz do Roncador, sem precisar descer pelo leito do Roncador.

A trilha começaria no outro lado do Ancorado, pertinho da toca. Andei alguns metros olhando o GPS na mão e levei uma queda, caindo de lado. Escorreguei e enfiei a bota numa fenda na laje do rio e bati os dois joelhos contra a rocha. Fiquei deitado de lado com o pé esquerdo travado na fenda. Fabio e Cris tiveram que tirar a minha bota para que eu conseguir mover o pé e sair dali.

Caminhar em leito de rio exige toda a atenção e foco em cada pisada.

Constatado que além de alguns arranhões, inchaço e dor nada mais sério ocorreu com os joelhos, seguimos e notei que um ponto que visualizei na foto do satélite do Bing Maps e marquei no GPS, coincidia com uma trilha batida que havia ao lado do rio. Esta trilha na verdade aproveitava uma canalização de água para o garimpo de diamantes.

O lado leste da Chapada foi intensivamente explorado (e depredado) na época do garimpo. Os mineradores precisavam de água para fazer a lavagem da terra e do cascalho. Como o diamante bruto é mais pesado, ele fica depositado no fundo de separadores e a água leva a areia e rochas mais leves. Assim os garimpeiros necessitavam de muita água e fizeram uma extensa rede de canais (aguadas) para levar água por quilômetros até as áreas de garimpo. Alguns canais são pequenas maravilhas da engenhosidade humana, aproveitando muito bem a topografia do local.

Confirmada que havia uma trilha voltamos para o acampamento felizes. Achamos o começo de uma trilha que pouparia horas e esforço na volta. Mal sabíamos o que iria ocorrer.

A Toca do Ancorado é um acampamento delicioso. Não há necessidade de montar barraca e tem uma bonita vista para o rio. Passamos o resto da tarde em ritmo lento porque na noite anterior dormimos menos de 5 horas no ônibus.

Vista da toca para o rio, alguns metros abaixo. Ao fundo a represa da época do garimpo.

Para fazer o jantar Cris e Fabio utilizaram o meu fogareiro de titânio, que emprega gravetos economizando gás e é lúdico!

Noite agradável, apesar de alguma chuva e relâmpagos no horizonte.

Sábado acordamos 6 horas, café, arrumação de mochila e partida as 8 horas para a Engrunada.

O leito do rio tornava o avanço lento. Se num geralzão (campo aberto e plano) dá para andar de 5 a 6 km por hora, neste leito de rio a média cai para algo em torno de 1 km por hora.

Sempre que podíamos, seguimos pela mata, nas margens do rio. Num dos pontos Fabio encontrou um facão com bainha de couro. Se alguém ler este relato e souber quem o perdeu, informa nos comentários o nome que está escrito na bainha. A gente acha um jeito de mandá-lo para Lençois. Pertence a um guia.

Geralmente íamos pela margem direita verdadeira, margem sul, porque a norte tinha mais musgo e vegetação mais fechada. Creio que é porque a margem sul recebe mais sol no hemisfério sul, dentro de um cânion que segue o sentido oeste - leste. A margem norte é mais úmida e com mais vegetação.

Chegamos num trecho em que o rio engrunou, ou seja a água desapareceu do leito do rio seguindo por um caminho subterrâneo. Pouco depois reapareceu.

Uma grande formação rochosa, em forma de pilar, anuncia que não estamos longe da cachoeira. A batizamos de Portal da Engrunada.

Visualizamos o final cânion mas não víamos ainda a cachoeira que ficava num recôndito no lado direito do cânion.

O rio novamente engrunou. Muita vegetação indicava que dificilmente água seguia por aquele "leito de rio".

Finalmente, numa curva a direita, avistamos a cachoeira. Tinha um bom fluxo de água. Estávamos com receio de encontrá-la seca, tal como ocorreu na Intocada em janeiro deste ano (ver relato "Intocada!").

A cachoeira cai num platô que teríamos de subir, com 30 metros de altura. Com alguma escalaminhada, passando ao lado de uma cachoeira seca, chegamos ao topo.

Lá, andando uns 50 metros, atrás de uma pequena mata, o bonito poção da cachoeira. A Engrunada realmente merece o nome. Ela tem uma queda de cerca de 70 metros e no poção a água engruna e só vai reaparecer muitas centenas de metros rio abaixo.

Selfie junto ao poção.

Examinando o platô, descobrimos que a cachoeira seca ao lado da qual subimos é um extravasador do poção, ou seja, quando chove muito/ocorre uma tromba d'água a vazão não consegue passar toda pelo caminho subterrâneo e transborda do poção caindo por aquela cachoeira agora seca. Algo como uma pia que transborda porque a vazão da torneira não consegue descer toda pelo ralo. Imaginei o dilúvio que causaria isto.

Em primeiro plano, o topo da cachoeira seca, no platô. Ao fundo parte do visual da Engrunada.

Armamos o acampamento no platô, num lajeado onde encontramos restos de uma barraca improvisada de bambus e folhagem, bem bushcraft. Cris e Fábio armaram a tenda e eu a minha "tarp".

Que camarote!

O local era belíssimo. Um dos mais bonitos em que acampei em quase 15 anos de Chapada: de um lado a queda d'água e o poção, ao redor as paredes do cânion embelezadas por gigantescas esculturas na rocha e, lá embaixo do platô, a mata, com palmitos esguios e elegantes. Estávamos num camarote perfeito.

Vistas do acampamento:

O piado de pássaros saia de grutas escuras no paredão da cachoeira. Fábio já tinha ouvido isto antes no hemisfério norte. Achamos que eram andorinhas que sempre migram fugindo do inverno.

Poção da cachoeira. Este poção é um sumidouro. O piado de pássaros vinha da gruta ao fundo.

Banho de cachoeira, com direito a massagem (ou pancadas) de água nas costas. Frio revigorante. Em seguida fizemos a janta (Fábio e Cris já estavam craques no fogareiro de gravetos).

Meu banho. Nadando em direção a ducha.

Estávamos alegres, animados, por termos alcançado nosso objetivo e pela beleza do local. Depois jogamos dados, dois jogos interessantes, Tokio e Yathzee, a luz de headlamps, bebendo um destilado. Divertidos estes jogos e não pesam nada na mochila.

Fomos para nossos abrigos em tempo, pois começou a chover. Mas chuva fraca, intermitente. Uma chuva forte poderia nos prender naquele platô ou no cânion. Esta não é uma época recomendada para trekking em cânion.

No domingo acordamos antes das seis. Cris me disse que não dormiu direito pensando na chuva e na descida daquele platô onde estávamos. Também acordei durante a noite com os mesmos pensamentos. Realmente eram riscos reais.

Amanhecer com tempo nublado e chuvisco.

Após o café iniciamos a volta. A descida do platô foi bem mais fácil que imaginamos. Porém o leito do rio, devido a chuva, estava com pedras bem escorregadias. A última coisa que queríamos ali era uma fratura.

Embora eu seja um dos pioneiros aqui na Bahia no uso e um dos maiores divulgadores das vantagens dos bastões de trekking, em leitos de rio eles não são muito úteis. Eles evitam quedas mas também podem causá-las. E quando provocam uma queda (por exemplo: você avança mas a ponta do bastão fica presa numa fenda entre rochas) geralmente ao serem flexionados eles empurram você para uma direção anti natural (não esperada) e esta queda é feia. E se a queda é inevitável, o bastão pode atrapalhar o amortecimento do impacto com as mãos. Assim na volta deixei-os presos na mochila. Mesmo assim incomodaram bastante nos trechos de mata, onde constantemente ficavam presos nos cipós e galhos. Mas eles são a estrutura da minha tarpa, não posso dispensá-los.

A descida foi lenta. Sobe pedra, desce pedra, pula pedra, cuidado para não escorregar, sobe nas margens, empurra galhos e mato, tudo isto transforma a progressão numa prova de endurance.

Sempre que possível subíamos pelas margens e as vezes nos afastávamos dela porque o terreno ficava mais limpo. Mas em duas ocasiões devo ter balançado uma casa de marimbondos e fomos ferroados. Eu, duas vezes e Fábio 4 vezes. Cris escapou ilesa. Talvez porque ela vestia uma camisa branca, Fabio, uma vermelha e eu uma quadriculada colorida. Fica a sugestão, use uma camisa branca e peça para os companheiros de trilha usarem camisas vermelhas ou coloridas!

Levamos 7 horas novamente para fazer o mesmo trajeto voltando para a toca do Ancorado. Estava com uma fome terrível. Me descuidei da alimentação neste trekking. Deveria ter colocado e comido mais carboidratos.

A primeira coisa que fiz foi ao chegar foi a comida, devorada rapidamente. Após um banho de rio fiquei deitado nas lajes, descansando o corpo cansado, machucado e ferr(o)ado dos últimos 3 dias.

Noite calma. Dormimos antes das oito horas novamente, exaustos.

Amanhã seria tranqüilo. A princípio uma descida de apenas hora e meia e depois 3 a 4 horas pela estrada velha do garimpo. Mas...

Acordamos na segunda-feira antes das seis. Todos fizemos café com fogareiro a gás porque com gravetos seria mais demorado. Imaginamos chegar na foz do Roncador antes do meio-dia, tomar um banho na praia do rio e comer no casarão que fica ali perto.

Ao amanhecer, sem coragem ainda de levantar...

Atravessamos o Ancorado e seguimos pela trilha/canal d'água até ele ficar obstruído pela vegetação e a trilha subir um pequeno morro e cair para o outro lado, As lajes exigiam cuidado. Volta e meia tínhamos que procurar a continuação. Mas onde o chão era terra ficava bem visível o caminho.

Cruzamos um primeiro rio com pouca água, o rio Funis, onde tivemos alguma dificuldade para achar o seguimento da trilha, que ficava um pouco rio abaixo.

Ali já podíamos ver a extensa e bonita planície a leste, com os Marimbus (pantanal) do rio São José. Na descida chegamos novamente nas margens do rio Funis, mas não precisamos atravessá-lo. A trilha continuava seguindo direção norte ou nordeste.

Chegamos numas tocas de garimpeiros. Se percebe de longe por causa das mangueiras. Tiramos fotos e continuamos.

Numa elevação percebemos que estávamos indo muito para o norte, a foz do Roncador estava ficando para trás, embaixo. Como Lençois também era para o norte pensamos que seria uma trilha alternativa, que nos serviria do mesmo modo.

Cruzamos um leito de rio seco (sem nome no mapa topográfico) e passamos por uma área que no passado foi muito garimpada e descobrimos um garimpo clandestino. Um monte de terra e cascalho esperando as chuvas para ser lavado, pás e enxadas num canto. Logo em seguida uma toca de garimpeiro com sinais de uso, com porta trancada a cadeado.

Em frente da toca seguia a trilha. Descobrimos após 20 minutos que na verdade era uma canalização de água que estava sendo usada pelos garimpeiros e que terminava num córrego onde eles captavam a água. A "trilha" não seguia mais para canto algum além daquele ponto. Sabíamos que depois de uma crista a frente seria a descida para o vale do rio Caldeirão e a vila fantasma do Rabudo, entretanto não encontramos nenhum caminho.

Voltamos. Ao menos conhecemos um canto novo da Chapada. Ao cruzarmos de volta o leito seco do rio sem nome no mapa decidimos descê-lo para ver se chegava fácil lá embaixo na estrada do garimpo. Após algum tempo chegamos no topo de uma cachoeira com cerca de 25 metros de altura, intransponível, e não dava para descer facilmente pelas laterais. Outra vez meia-volta.

Pior, ao chegarmos ao leito do rio Funis não descobrimos a continuação da trilha voltando. Perdemos quase duas horas nesta busca. Deveria ter ligado o track log do meu GPS quando partimos da toca do Ancorado, já que jamais havíamos percorrido aquela trilha.

Decidimos descer o rio Funis para ver se ali seria mais fácil. Avisei a Cris e Fábio que provavelmente chegaríamos estropiados lá embaixo. A descida daquela serra sem trilha envolve grotões, mato, espinhos. Quem conhece a Chapada sabe disto. Algo demorado, cansativo e dolorido.

Começamos pelo leito mas logo Cris sugeriu subirmos para a margem direita já que o rio estava se estreitando e formando um cânion (razão do nome Funis). Santa sugestão! Com pouco tempo encontramos uma outra canalização de água com sinais (cortes de facão em galhos e arbustos) de que era usada como trilha. E seguia rumo SE, para o Roncador, para onde queríamos ir originalmente.

Depois de algum tempo percorrendo a canalização encontramos a barragem que antigamente represava a água (agora vazia) e dali a trilha deixava o canal e descia serra abaixo pelo lajeado. Caminho tortuoso e difícil de seguir.

Um raro trecho fácil e marcado na descida.

Com mais uma hora chegamos numa curva do rio Roncador perto da foz. Passamos por ruínas de casas de pedra logo antes do rio, onde era um núcleo abandonado de garimpeiros.

Ali sabíamos o caminho. Descemos de boa a bonita trilha até o casarão e chegamos lá por volta das 15 horas. O Eduardo nos recebeu e a minha primeira pergunta foi: "ainda tem feijão na panela?". Tinha!!! Um fogão a lenha mantinha aquecida uma série de panelas com quitutes da roça (feijoada, arroz, abóbora, guisado, carne, farofa de banana....). Comemos muito depois de 3 dias de comida liofilizada. Bebi 3 latas de Coca gelada em seqüência. Eles tem um gerador de eletricidade no local.

Eduardo e o fogão a lenha.

O casarão, na foz do Roncador, é um ponto de apoio para quem faz o pantanal dos Marimbus de canoa, caiaque/SUP ou percorre a estrada do garimpo de mountain bike ou moto. Fica exatamente no meio do caminho entre Lençois e Andaraí.

Por volta de 16 horas partimos. Teríamos cerca de 18 km, 3 a 4 horas de caminhada sentido norte pela estrada do garimpo até Lençois. Chegamos lá no escuro, a luz de headlamps, bem cansados, as 20 horas.

Fechamos um quarto para banho (R$ 10,00 cada) e fomos jantar. As 23:30 pegamos o ônibus para Salvador.

Assim conhecemos a bela cachoeira Engrunada, uma jóia na coroa no curriculum de qualquer trekker. Apesar do desgaste físico, machucados e riscos, valeu muito a pena porque visitamos mais um lugar lindo da Chapada, longe do turismo massificado do Pati e da Fumaça.

RECOMENDAÇÕES

Durante o trekking só avistamos pessoas no início do primeiro dia e no final do último dia. Praticamente 4 dias sem ver gente. É preciso ser auto-suficiente. Apoio e comida só no casarão do Roncador.

Este roteiro é para gente experiente e com bom preparo físico. Na falta de experiência vá com um guia.

Faça o que eu digo e não faça o que eu faço: evite fazer trekking em cânion na Chapada entre novembro a maio. Mesmo a previsão de tempo pode falhar. Só fomos para aproveitar os últimos dias de Cris e Fábio no Brasil.

Trilhas pouco batidas na Chapada são difíceis de visualizar nas fotos por satélite. E seguir estas trilhas é um exercício de paciência e cuidado. A experiência conta muito neste caso para perceber nuances.

Ao seguir uma trilha desconhecida, pouco batida, ligue o GPS e faça um track log. Se tiver que voltar, saberá por onde, para não ocorrer o que aconteceu conosco. Apesar da nossa experiência, sempre podemos cometer algum erro.

Sempre que chegar na margem de um rio ou lajeado grande, marque com um totem ou tire uma foto. As trilhas muitas vezes são descontínuas nestes pontos. Eles não continuam justamente na margem oposta. As vezes é bem rio/lajeado abaixo ou acima. E na volta podemos não encontrar o ponto. Lembre-se: "você está desorientado se não sabe para onde seguir. Está perdido se não souber voltar".

Carta topográfica, indispensável. Cartas disponíveis da Trilhas e Caminhos (Sapucaia) e Trilha Certa, ambas na escala 1:100.000 (péssima escala, mas muito melhor que nada).

Crédito das fotos: Cristina Macedo (as melhores fotos!), Fabio Gallo e Peter Tofte. Todas de smartphone.

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 12/14/2017 18:43

Performed from 12/08/2017 to 12/11/2017

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Peter Tofte
Peter Tofte 05/29/2019 09:01

Rafa, pensava que o Ancorado nascia nos gerais do Vieira. Acho que o mapa do Sapucaia mostra ele nascendo no Vieira. Margem verdadeira é aquela descendo o rio (seguindo o fluxo da água). É uma convenção internacional para não confundir o leitor.

Rafael Lage
Rafael Lage 05/29/2019 13:39

Olá Peter, grato pela resposta sobre as margens, não conhecia esse termo. O mapa esta errado nesse ponto. O Gerais do rio preto possui um divisor de aguas em seu platô, que separa os dois rios pretos em suas nascentes, o que segue pra Mucugê e o que segue para o Vale do Capão e vai formar o poço do gavião. Bem no divisor, uma nascente paralela ao rio preto do Capão é a do Ancorado. Fácil de visualizar no google maps. Próximo a fazenda de pedra, ainda no gerais do rio preto, o rio ancorado, nessa altura já com algumas quedas d'agua, faz uma curva de 90 graus e começa a descer o paredão do Candombá, onde encontra uma outra nascente, no paredão mesmo e juntas vão formar o ancorado. Aqui no capão, os guias também dizem q nasce no gerais do Vieira, por falta de conhecimento. Eu descobri fazendo o caminho para o 1700, ponto mais alto do parque nacional, área intangível e sem trilhas. Abraços e continue com os relatos, muito ricos. Abraços.

Ramon Barros M Hartwick
Ramon Barros M Hartwick 08/15/2020 12:29

Peter, em que mês você foi ? A Cachoeira é perene ou normalmente ele seca, como é o caso do Palmital, mas diferente do Ramalho que sempre tem alguma água caindo.

Peter Tofte
Peter Tofte 08/16/2020 18:38

Ramon, a Engrunada é perene. O Rio Ancorado sempre tem água.

VINICIUS MARTINS
VINICIUS MARTINS 12/17/2020 23:35

Olá Peter, ótimo relato! Eu fiz essa trilha partindo do Vale do Capão, onde ficamos acampado em uma toca do rio Ancorado, antes da Cachoeira da Engrunada na parte de cima da Cachoeira. No dia seguinte descemos a cachoeira pela parte da direita da cachoeira vista de cima, pela mata e retornamos para cima da cachoeira pela esquerda da cachoeira, onde o acesso é muito perigoso. Fiz essa trilha em 06/09/2020 e retornamos no dia 08/09/2020. No link abaixo se me permitir divulgar aqui possui uma edição de vídeos dessa aventura. https://youtu.be/Ct78kU_CC3s

Peter Tofte
Peter Tofte 12/18/2020 13:07

Legal, parabéns! Ainda quero fazer isto. Saíram do Morro Branco do Pati ou dos Gerais do Vieira?

Peter Tofte
Peter Tofte 12/18/2020 13:14

Vi o video. Muito legal. Imaginei que pela mata onde tem palmito (esquerda de quem olha de frente, embaixo) seria a subida e descida mais fáceis. A direita tem uma chaminé que é bom ir encordado.

VINICIUS MARTINS
VINICIUS MARTINS 12/18/2020 17:48

Fomos sentido ao Morro Branco porém tem uma bifurcação antes para não precisar subir o Morro Branco, mas passamos próximo da subida. Nesse caso a esquerda é menos perigoso e mais fácil mas também é necessário cordas. Pois alguns trechos estão com a vegetação tomada...

Peter Tofte

Peter Tofte

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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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