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Itaetê - O Lado B da Chapada - 3ª parte

Itaetê - O Lado B da Chapada - 3ª parte

Ultimo dia de trilha na região de Itaetê/BA, indo para a cachoeira de Bom Jardim.

Trekking Waterfall

“Tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto."

João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas

3º dia, 30/10/2016 - Bom Jardim

Noite estrelada sem chuva. Dormimos todos em tendas sem sobreteto. Poderia ter dormido de bivaque porque mosquitos aporrinham apenas até 8 da noite.

Após o café da manhã, desarmamos acampamento e nos pusemos a caminho da casa do seu Nelson. Seria a ultima vez que carregariamos as mochilas.

Na Bom Jardim faríamos um bate-e-volta, sem acampamento. Apenas com uma mochila de ataque. A última noite dormiríamos no rancho do Orlando, no Baixão.

Ele estava nos esperando com uma melancia fatiada da roça do seu Nelson. Até o cachorro magro do sítio comeu a fruta.

Depois de 30 minutos de carro seguindo a moto de Orlando chegamos ao lado de um terreno com um pequeno casebre de pau-a-pique. Lá deixamos os veículos.

Como a minha mochila era mais leve colocamos o lanche nela e partimos. Na preguiça apenas tirei a tenda da mochila. Fiquei carregando peso sem serventia

Orlando trocou palavras com o dono do casebre. A quantidade de crianças que saiu daquela casinha era espantosa!

Tocamos adiante seguindo uma cerca e baixando para o vale do rio Una. Orlando e Ligia iam na frente. Eu e Miguel a custo os alcançavamos. E o guia nos disse depois que a Ligia pisava nos calcanhares dele sempre que diminuia o ritmo.

No vale entramos numa mata ciliar, em terreno arenoso. Rumamos na direção NW através de um intrincado de trilhas. Facinho, facinho para se perder.

Volta e meia Orlando nos mostrava rastros de veado, jaguatirica e dela, a rainha da mata, dona onça. Inclusive fezes frescas da bichana, que ele acreditava que tinha menos de um dia.

Orlando mesmo, viu onça duas vezes. Numa ocasião tocava um burro de carga. O burro estancou e começou a farejar nervoso. Em seguida eriçou o pelo, ficou sobre as duas patas traseiras (apesar de carregar duas sacas pesadas) e parecia um boxeador com as patas dianteiras. Orlando teve que segurar o bicho a custo pelas redeas. Ali ele viu entre as moitas o felino, que tratou de correr para o mato.

Contou que ano passado os fazendeiros da região perderam cerca de 60 animais, entre bezerros e crias de cavalos e burros. Chamaram o ICMBio para registrar as mortes e iniciar o processo de indenização, que até hoje não saiu. Neste meio tempo a onça sumiu. Acredito que ela foi sumida, porque não ia deixar um campo de caça tão farto.

Atravessamos uma pinguela sobre um riacho, eu com a câmera de prontidão para registrar uma cena hilária de queda na água que (in)felizmente não ocorreu.

Chegamos ao rio Timbozinho (rio da cachoeira) e lanchamos.

Em seguida passamos pela cachoeirinha das Fadas, ou dos Duendes. Quem disse que eles não existem? Consegui fotografa-los!

Saimos numa area de vegetação baixa e rumamos para a Bom Jardim. Já podiamos avistar o local onde ela estava. É uma cachoeira que não fica dentro de um canion. Ela cai direto da borda da chapada.

A Bom Jardim é bem menor em altura, em relação a Encantada e a Herculano. Mas é bonita e tem um poção no qual o sol bate a maior parte do dia, o que a torna melhor para o banho

Caimos na água, nadamos e aproveitamos a ducha da cachoeira. Ficamos pelo menos duas a tres horas curtindo o local.


Orlando propôs conhecermos a parte alta da cachoeira e para lá seguimos. Escalaminhada chata, numa ladeira arenosa. Quem estava adiante podia fazer cair uma pedra rolando sobre quem vinha atrás. Uma pequena canaleta nas rochas precisava ser transposta, porém não era difícil.

Chegamos a parte de cima da cachoeira e admiramos o visual. Era possível ver a sede da Fazenda Bom Jardim.

Continuamos subindo o rio até uns caldeirões, banheiras jacuzzi escavadas na laje de rocha do leito do rio. De lá Orlando nos mostrou o dromedário. Não resistimos e montamos no bicho para tirar fotos. Me senti o próprio Peter O’Toole no Lawrence da Arábia kkkkk.

Tomamos outro banho em um caldeirão conhecido como chaleira, onde caia uma cascatinha. Banho delicioso, água quase morna. Aquele local era perfeito para um acampamento.

Com tristeza saimos de lá, baixando por uma trilha ao lado de uma tubulação de captação de água da fazenda. Paramos num campo de cristais onde admiramos os minerais.

Iniciamos o trecho final da volta cerca de 16:00. Andamos rápido na mata porque os pernilongos eram muitos e selvagens. Bastava diminuir um pouco o ritmo que uma nuvem de mosquitos cercava o coitado.

Com cerca de 40 a 50 minutos retornamos ao carro. Doidos para jantarmos na casa da esposa do Orlando, excelente cozinheira. E secos por uma cerveja.

O jantar, típico, incluia cortado de palma, prato garimpeiro feito com um cactus. Tudo delicioso. Orlando deixou para se servir por ultimo. Achou que estavamos com muita fome e poderia faltar para a gente kkkkk.

Saimos 2:30 da madrugada rumo a Andaraí, onde deixamos Miguel e seguimos para Salvador.

Linda região. É o lado esquecido e pobre da Chapada. Mas belíssimo, cheio de lugares espetaculares. Ficamos encantados. Há muito o que ver.

Dicas

Orlando Bernardino, nosso excelente guia, sempre bem humorado e grande contador de causos. Oferece também pouso em sua casa simples (mas com wifi!), café da manhã e almoço/janta a preços módicos. Fundamental para quem chega lá sem conhecer a região. O Povoado do Baixão e a Colonia são os pontos mais próximos das cachoeiras. Contatos atraves do Facebook.

Miguel Moraes, grande amigo e excelente guia de Lençois, com 30 anos de Chapada, é opção para quem está em Lençóis e quer conhecer também Itaetê. Pode também fazer o translado das pessoas. MYKKTREKK@HOTMAIL.COM

Não contem com hotéis, pousadas e restaurantes chiques na região. Alias, melhor, não contem com nada, kkkkkk.

Como passamos por Itaetê, tanto na ida como na volta, de noite, não conhecemos a cidade mas uma breve pesquisa na internet demonstra que a infraestrutura turística é realmente precária.

Comprem tudo para a trilha antes de partir para a região.

Melhor época: sempre acho que é o inverno na Chapada. Embora as chuvas do verão façam as cachoeiras ficarem caudalosas, podem representar um risco e aprisionar as pessoas num cânion.

É possível fazer a pé a conexão entre as trilhas das cachoeiras. Da entrada do Cânion da Encantada até a Bom Jardim são cerca de 3 a 4 horas segundo o Orlando (mas cuidado, ele é ligeirinho!). Porém andar numa estrada de terra, seca e poirenta e sem grandes atrativos não é ideal, especialmente no nosso caso que só dispunhamos de 3 dias.

Meu carrinho sofreu nas estradas vicinais. O ideal é um carro alto, 4X4, especialmente na época das chuvas. Complete o tanque sempre que tiver oportunidade.

Por fim agradeço ao Miguel e a Lígia, trekkers safos. Grande entrosamento e risadas fáceis. Boa companhia e um cenário fabuloso fazem um trekking inesquecível.

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 11/05/2016 16:01

Performed from 10/28/2016 to 10/30/2016

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Peter Tofte

Peter Tofte

Salvador, Bahia

Rox
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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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