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Morro do Chapéu - Buschcraft Bahia há 2.500 Anos!

Morro do Chapéu - Buschcraft Bahia há 2.500 Anos!

Quatro dias de caminhadas caminhando pela pouco explorada região de Morro do Chapéu com 10 membros do Buscraft Bahia.

Mountaineering Trekking

Morro do Chapéu faz parte do complexo geológico que abarca a Chapada Diamantina. Entretanto está mais ao Norte, em relação à Chapada. Comparando as duas, Morro é mais árido. Na Chapada dificilmente um rio fica seco no período da seca (são perenes). Em Morro vários rios são intermitentes. Só tem água na estação das chuvas (novembro a março).

Graças ao colega Rafael, grande admirador e conhecedor da região, o Bushcraft Bahia resolveu aproveitar o feriado de 15/11 para explorar um pouco a região.

As cachoeiras estavam secas. As chuvas, que deveriam ter começado no início de novembro, estavam atrasadas. Em compensação conhecemos formações geológicas interessantes, belas pinturas rupestres (a região tem uma das maiores concentrações de arte rupestre da Bahia), paisagens bonitas e rios.

Segue um relato com fotos. Um vídeo anexo foi produzido pelo Lucas.

Chegamos em Morro sábado 12/11, por volta das duas da madrugada. No grupo éramos eu, Rafael, Alberto Alpire, Ernani, Bergson, Lucas, Lígia, Ismarley e Anne. Dormimos logo porque dia seguinte teríamos que acordar as seis da matina.

SÁBADO, 12/11

No café da manhã encontramos o guia Francisco, pontualmente no horário. Vaqueiro, estava com seu chapéu de couro típico do Nordeste. Ele é um mateiro, grande conhecedor da região, sem os vícios dos guias profissionais.

Decidimos ir de carro até a vila do Ventura, por sugestão dele. Poderíamos ir a pé, porém perderíamos o dia todo no trajeto.

Chegamos no Ventura por volta de 9 horas. Antiga vila de garimpo, tombada pelo IPAC em 2004, ela conheceu seu apogeu no século XIX. A Estrada Real passava por lá. Hoje é um lugarejo em ruínas, com poucas casas em pé.

Partimos cerca de meia hora depois. Nosso destino era a cachoeira do Ventura, 3,5 quilômetros adiante. Seguimos por um trecho da Estrada Real, com pequeníssima parte do calçamento original preservado.

Após 20 minutos quebramos para a esquerda e continuamos pela margem esquerda verdadeira do rio Ventura e assim a trilha prosseguiu até a cachoeira.

Paramos duas vezes para descansar e tirar fotos. Num dos pontos havia uma barriguda, árvore típica desta região seca.

Chegamos na cachoeira por volta de 11 horas. Não havia queda d’água devido a seca. O poção era alimentado por água de minadouro. Decidimos subir pelo lado esquerdo, por um trepa pedra íngreme, porém sem muita dificuldade. Do topo curtimos um bonito visual. Ficamos sentados no leito do rio, à beira do precipício, num ponto onde, se houvesse água, não poderíamos sequer se aproximar.

Percorremos um pouco pelo leito do rio seco. Chico mostrou pontos onde caititus passaram. Mostrou também pegadas de uma pequena onça.

Descemos e voltamos um pouco pelas margens do Ventura. As margens do poção da cachoeira são muito pedregosas e não havia lugar disponível para acamparem 11 pessoas. No único local possível já havia três pescadores bivacando.

Voltamos para um ponto bonito que visitamos na ida e tratamos de armar acampamento nas margens do rio. Tinha pouca água, mas era corrente. Pela tarde subimos para conhecer a Toca das Figuras e a cachoeira do Zabelê.

Cactus cabeça-de-frade.

A toca das Figuras é muito bonita. Desenhos feitos há pelo menos 2.500 anos atrás (datação de carbono 14) mostram cenas de casa, coleta, lutas tribais, cerimônias rituais, além de animais. Veados, antas (hoje extintas na região), emas, tatus, onças e outros. Bushcraft Bahia com 2.500 anos!

Após a toca fomos à cachoeira do Zabelê que alcançamos depois de meia hora andando. No caminho, Ernani, mais à frente, se escondia nas moitas e pulava imitando uma onça, atrás de um desavisado, só para testar se o cabra era macho ou frouxo, provocando risada nos demais.

A Zabelê (nome de uma bela ave da família das perdizes e também da bonita filha de Baby Consuelo e Pepeu Gomes) é um local bonito. Também estava sem água. Forma um anfiteatro natural que deve ter um banho delicioso na época das chuvas.

Voltamos ao acampamento onde fizemos uma fogueira (lenha abundante), preparamos comida e tomamos um merecido banho. A conversa foi muito agradável ao pé da fogueira. Como o tempo estava firme, bivaquei em cima de uma laje perto do fogo. Se ocorresse uma tromba d’água eu seria o primeiro a perceber. Apesar de nublado pude ver a lua em alguns momentos. Os demais dormiram em redes ou barracas.

DOMINGO, 13/11

Acordei bem cedo. Ernani idem. Ele realimentou a fogueira e começamos a ferver água para o café. Os demais foram se juntando.

De pé, Rafael, Beto, Ernani, Thiago, Chico. Lucas e Ligia agachados.

Depois do café decidimos visitar a Cidade de Pedra e a Igrejinha. Como iríamos passar outra noite ali, apenas dois levaram mochila de ataque. Não desarmamos acampamento. Regressamos um pouco em direção a vila do Ventura e subimos pela estrada Real até um ponto onde dobramos a direita e começamos a visitar uma a uma as formações rochosas com pinturas rupestres.

Algumas delas tinham tocas onde nossos ancestrais se reuniam e pintavam as paredes. Outras foram habitadas por garimpeiros na época da extração de diamante e dos carbonados.

Caminhando para a toca do Pepino, a principal delas, batemos com uma pequena jararaca. Pela posição da cobra na trilha acreditamos que provavelmente ela picou alguns dos que passaram primeiro, porém a bota protegeu o calcanhar, e não perceberam a picada (talvez eu também tenha sido picado na bota). O filhote de jararaca estava muito bem mimetizado com a folhagem do chão. Os primeiros da fila pisaram junto a ela sem notá-la (ver vídeo).

A toca do Pepino é bem grande, com muitos desenhos rupestres. Mas achei a toca das Figuras mais interessante, no conteúdo dos desenhos.

Exploramos também uma pequena caverna, na base do rochedo. Havia uma grande toca na parte de trás da formação onde, segundo morador da região, uma onça costuma freqüentar. Choveu um pouco enquanto estávamos embaixo das pedras.

O presidente do Bushcraft Bahia no seu elemento natural.

Os rochedos são muito bonitos e tem formatos curiosos. gastamos um bom tempo explorando e tirando fotos.

Rafael numa toca.

Beto Alpire e Ernani

O cruzador do Império!!!!!

Um honorável membro do Bushcraft Bahia (vamos chamar ele de Darth Vader e o seu interlocutor de Luke Skywalker), ao ver a foto logo acima, iniciou o seguinte diálogo:

DV - Está parecendo um cruzador do Império (Star Wars) visto de frente.

LS - Antes ou depois?

DV - Antes do que?

LS - Do beck kkkkk.

Encontramos com o seu Aluísio Cardoso, hoje aposentado, que fazia filmagens na região. Foi um dos responsáveis pelos tombamentos daquela área de interesse arqueológico e da Vila do Ventura. Ele está preparando um documentário. O pessoal da região conhece-o como o “homem das cavernas”.

No regresso para o acampamento resolvemos tomar um atalho e descer outra vez pela cachoeira do Ventura. Pegamos uma boa chuva na descida.

Ernani e Thiago voltando.

Ao chegarmos no acampamento os engenheiros do grupo fizeram um fogão muito legal, para proteger a fogueira da chuva, com uma mesa de pedra onde Lucas fez chapatis.

Thiago tomando conta das roupas (secando) e dos chapatis.

A noite chegou e o jantar teve muita conversa e muita risada. Como se fala besteirol nestas horas... Parece que na natureza nos despojamos da pesada seriedade e sisudez que somos obrigados a sustentar no trabalho e na vida cotidiana.

Como ameaçava chover, eu dormi abrigado debaixo do toldo da rede do Bergson. Só não podia arrebentar a corda da rede porque eu estava bem debaixo.

Durante a noite acabou não chovendo.

SEGUNDA, 14/11

Levantamos acampamento e rumamos para a vila do Ventura por volta de dez horas. Mereceu o registro fotográfico o fato de que, desta vez, Ismarley ficou esperando a gente terminar de arrumar as mochilas. O que uma mulher faz na vida de um bagunçado...

Anne e Ismarley.

Na vila paramos para um descanso. Peguei alguns dados gentilmente cedidos pelo seu Aluísio Cardoso. O restante do pessoal aproveitou para fazer um lanche exótico na casa de um morador. Partimos então para o povoado de Domingos Lopes e para o rio e cachoeira de mesmo nome.

Na estrada fizemos um pit stop para tomar umas cevas e compramos carne de porco para um churrasco. O dono daquele boteco beira de estrada poeirenta ficou feliz. Não deve ter um movimento daqueles se somar uma semana inteira.

O rio surge na localidade de Domingos Lopes, depois de ter seguido algum tempo por baixo da terra (engrunado). É típico da região que tem o solo ou de arenito ou de calcáreo.

Ao chegarmos percebemos que é a praia do pessoal humilde do povoado. Infelizmente a área mais próxima da cachoeira tinha bastante lixo. Descemos o rio por dez minutos e fomos até um ponto onde o rio Domingo Lopes encontra o rio da cachoeira Ferro Doido e forma o rio Jacuípe.

Local bonito, onde fizemos acampamento. Escolhi uma toca de pedra porque parecia que ia chover.

Parte do grupo levou o guia Francisco de volta para Morro. Nos despedimos desta grande figura. Amanhã voltaríamos por nossa própria conta para a estrada.

Quando o pessoal voltou já no escuro pensei que era uma fila indiana de vagalumes rumando para o acampamento. Trouxeram cerveja.

A fogueira já estava em brasa esperando o churrasco de porco. Ismarley e Bérgson eram os pilotos da churrasqueira selvagem manejando com destreza os espetos. A ralé ficava junto ao fogo ajudando e a diretoria em cima da laje esperando ser servida.

Depois do churrasco tomamos um banho noturno. Botamos as latas de cerveja compradas em Morro dentro d’água para esfriar. Como a água estava pouco fria não gelou nada. Bebemos a cerveja morna. Ironicamente ela se chamava “No Grau”.

Não vimos a superlua porque estava nublado. Depois de muita conversa fomos dormir. Resolvi bivacar numa laje de pedra sobre o rio. Acertei na escolha porque não choveu.

TERÇA, 15/11

Partimos e visitamos a cachoeira do Ferro Doido, pertinho da estrada do Feijão. É espetacular. Pena que estava seca. Podíamos ver dois grandes ninhos de águia chilena nos penhascos. As fotos fico devendo porque o smart phone descarregou antes...

Voltamos para Morro para abastecer o carro, almoçar e seguimos para Feira de Santana e Salvador, onde chegamos de noite.

DICAS:

O Chico (Francisco Alves Barbosa) guia o pessoal pelos atrativos da região. É um mateiro experiente, muito educado e safo. Recomendamos.

TIM (74) 99107-7471

OI (74) 98817-4110

VIVO (74) 99909-6635

TIM (74) 99903-2610 (este tem zapzap).

Rafael é quem mais conhece a região, do grupo Bushcraft Bahia e de boa passa alguma informação se precisarem. Contato: rafaelmoraess@gmail.com.

Hotel: ficamos no Hotel Diamantina Palace. Longe de ser um palácio. Simples, barato (saiu R$ 45 por pessoa). Café da manhã bom.

Melhor época, de novembro a março para pegarem as magníficas cachoeiras da região cheias.

Há muito o que ver na região: cavernas, pinturas rupestres e cachoeiras. É um dos destinos pouco explorados pelo turismo ecológico na Bahia.

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 11/18/2016 20:54

Performed from 11/12/2016 to 11/15/2016

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5 Comments
Ernani 11/18/2016 23:51

Perfeito Mestre Peter! E sempre uma honra, fazer trilha com você. Que venham as próximas!

Emerson Fernandes 11/20/2016 21:42

Parabéns pela trilha e muito obrigado por compartilhar conosco sua experiência! Abraços!

Lucas Andrade 11/21/2016 10:13

Foi uma viagem incrível com uma equipe show!! Agora é chegar dia 8 para a "Fenda da Fumaça!"

Sérgio Magarão Jr. 12/21/2016 10:40

Peter, bom dia. Li seu post no site Mochileiros sobre o Pico das Almas. Já fiz o Pico do Barbado, foi muito bom. Gostaria de saber se você ainda tem os dados da trilha (GPS), e se seria possível me enviar. Abraço. (smagarao@yahoo.com.br 71 99164-6350)

Wagner Santoso 08/17/2018 14:32

Demais Peter! Fiquei na vontade agora. Sem falar no entusiasmo! Parabéns pelo vídeo. Ficou ótimo! 👍👍👍

Peter Tofte

Peter Tofte

Salvador, Bahia

Rox
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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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