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Ora Pois, Trilho dos Pescadores - Alentejo

Ora Pois, Trilho dos Pescadores - Alentejo

Trekking por um trecho magnífico da Fishermen's Trail, em Portugal. Dois dias andando por uma costa de tirar o fôlego!

Trekking

Portugal não é só Fado, bacalhau e Lisboa/Porto, ora pois!

A Rota Vicentina, com suas diversas trilhas, a mais famosa o “trilho dos pescadores”, foi uma idéia genial para incentivar o turismo local no Alentejo, Portugal. Construíram uma rede de trilhas aproveitando as já existentes, passando por cenários lindos e criaram um site com todas as informações, inclusive com sugestões de roteiros, venda de mapas e reservas de hotéis. No total tem 300 km de trilhas marcadas, ou pelo interior ou pela costa, a maioria interligadas. Lembram a iniciativa de uma inglesa, que idealizou a Lycian Way na Turquia, outro sucesso. Quando será que vão fazer isto no Brasil? A TransMantiqueira talvez seja a primeira.

Não fica longe de Lisboa. Você escolhe onde começa e pega um ônibus até lá. Eu apenas tinha dois dias. Decidi pelos trechos Almograve-Zambujeira do Mar-Odeceixe, que alguns consideram os mais bonitos da Fishermens' Trail. A trilha dos pescadores tem 120 km, 4 seções e 5 circuitos. Ela está se tornando cada vez mais conhecida e encontrei gente de toda a Europa e dos EUA pelo caminho.


1° dia - Almograve - Zambujeira do Mar (22 km + side trips) – 12/10/2016

Cheguei em Almograve 21:30 na noite anterior, vindo de Lisboa. Tive que jantar um sanduba num restaurante porque todos já tinham fechado a cozinha. Estes pequenos povoados portugueses não têm muita vida noturna.

Comecei a caminhar as 9:30 da manhã. Dia nublado e ventoso. Segui a estrada principal rumo Sul. Depois de 10-15 minutos o asfalto vira terra e pouco depois a estrada dá lugar a uma trilha que sobe por terreno arenoso. À direita escarpas caiam 40 a 50 m para um mar agitado e espumoso. A costa é acidentada e magnífica, de falésias. As poucas praias estão em baias, algumas miúdas e inacessíveis, a não ser por barco. Mas nenhuma embarcação se atrevia a navegar naquele mar.


O vento soprava de oeste e trazia nuvens de chuva. Chuviscava volta e meia. Nada comparado com o dilúvio que caiu na noite anterior deixando Almograve às escuras durante a madrugada. Até o instante em que parti da cidade não havia voltado a eletricidade.

O trilho dos pescadores era originalmente usado pelos nativos, que iam para os costões pescar de linha. Até hoje os avistamos nos rochedos. A marcação, em estacas de madeira, são duas faixas horizontais verde e azul, seguindo a convenção internacional. Difícil se perder, pois o mar e as falésias obviamente sempre ficam à direita se rumamos para o Sul.

Em alguns pontos o caminho segue para o interior, seguindo os contornos do relevo, se afastando da costa, para ladear as baias que avançam na terra e, possivelmente, para preservar áreas da presença humana. A trilha inteira está dentro do Parque do Sudoeste Alentejano, área de preservação.

A área é o único lugar na Europa onde as cegonhas fazem ninhos à beira mar. Escolhem uma pedra alta separada da terra pelo mar e fazem seus grandes ninhos. Estavam vazios porque não era mais época de nidificação.

A toda hora parava para tirar fotos. Alguns pontos têm arcos de pedra impressionantes, como pouco antes de chegar ao Cabo Sardão, com seu farol.

Farol do Cabo Sardão.

Depois do cabo, a trilha segue pelo acostamento de uma estrada monótona até chegar a Entrada da Barca, vila de uma dúzia de casas e Porto pesqueiro.

Os portos nesta costa difícil são pequenas reentrâncias onde constroem rampas para subir ou baixar os barcos. Dificilmente ficam ancorados no mar devido ao risco de serem atirados contra as pedras. Afinal isto é Atlântico Norte!

Cheguei neste local 15 horas, tarde, devido às paradas para fotos. Achei um restaurante legal, de pescado e frutos do mar, onde comi amêijoas (molusco gostoso, mas a lambreta baiana é melhor) e uma divina feijoada de búzios, onde a única carne era a de búzios!

Com mais 40 min de caminhada cheguei na bonita Zambujeira do Mar, vila de veraneio, lugar encantador, correto, casas simples, pintadas de azul e branco, ruas limpas e uma praia lindíssima.


No jantar caiu um pé d'água enquanto comia. Parece que as chuvas fortes caem mais à noite.

2° dia - Zambujeira do Mar - Odeceixe (18 km + side trips) – 13/10/2016.

Sai também por volta de 9:30. A trilha logo mostrou como seria: sobe e desce constante, mais acidentada, mais cansativa. Ontem percorri na maior parte do tempo um platô no topo das falésias, com pouco desnível.

Cenários lindos, mas as falésias não eram tão altas, por isto eram menos espetaculares. O dia estava ensolarado. O barômetro indicava pressão subindo desde a noite anterior, sinal de tempo bom.


O mar lá embaixo estava bem mais calmo. Só um swell de oeste. Encontrava pelo caminho as pessoas que vi ontem. A maioria prefere caminhar no sentido Norte - Sul.


Cheguei em Azenhas do Mar por volta de 12:30. Mas não gostei do povoado. Restaurante lotado. Como tinha chocolate e comprei queijo de cabra e tâmaras, em um mercadinho de Zambujeira, decidi seguir e lanchar em algum ponto da trilha. Fiz isto apenas 14 horas, num local de muita vista e pouca sombra. Há poucas árvores na trilha pelas falésias.


Com mais 30 minutos cheguei a um penhasco com a bela vista da praia de Odeceixe, uma das mais lindas do litoral Alentejano. Ali deságua o rio Odeceixe. É possível escolher entre um banho de mar ou de rio.

Bela praia, encontro do rio com o mar.


Após alguns minutos tirando fotos, segui. Odeceixe fica mais 4 km para o interior, à beira do rio.

Cheguei em Odeceixe às 15 horas e fui logo comprar a passagem de ônibus para o dia seguinte. Para minha surpresa soube que passava um ônibus para Lisboa as 16:10. O site da empresa informa um único ônibus diário às 09:30. Pensava que teria que pernoitar lá. Comprei a passagem, comi um sanduíche e fui para a estrada. Às 21:30 estava de volta a Lisboa. Saudades da família, que aproveitou para fazer excursões enquanto estava fora.

Comentários


A trilha é linda, muito bem estruturada, considerada uma das melhores trilhas costeiras da Europa. Entrem no site para pegar todas as informações que precisam para planejar a viagem.

Não é permitido acampar no trajeto dentro do Parque Nacional. E em Almograve e Zambujeira do Mar não há campings. Existe camping em Odeceixe. Vi um casal acampando perto de uma falésia, mas deviam estar fazendo isto escondidos. Acho que a proibição é mais comercial do que por motivos de proteção ambiental (para gastar nas pousadas da região).

Como hospedagem eu recomendo:

Almograve: Pousada Dunas do Mar, quarto individual € 35 sem café da manhã. Dono super atencioso. Busca na parada de ônibus se vc avisar.
Zambujeira do Mar: Ondazul. Quarto ótimo. €40, com café da manhã.

Mochila de 30-40 lts dá e sobra. Escolha um calçado que não deixe a areia das dunas entrar. Usei uma bota. A calça comprida impede a areia de entrar pelo cano da bota.

Acesse o site da Rede de Expressos para saber horários e preços dos ônibus. Não há trens para a maioria das vilas na trilha dos pescadores.

Evite o alto verão. Fica lotado e é mais difícil caminhar na areia das dunas com muito calor. A vantagem é que podemos descer uma falésia e tomar banho de mar delicioso em pequenas baias. Leve bastante água. Poucos córregos cruzando a trilha, especialmente no 1° dia. E não se sabe a qualidade da água destes córregos.

O site da Rota Vicentina diz que a trilha é desaconselhável para quem tem medo de altura. Exagero. Não há trechos expostos, apenas se vc quiser chegar bem na beirada do precipício.

Leve sempre um lanche de trilha. Mas é um pecado não aproveitar a excelente culinária local. Pratos em torno de 10-15 €. Bacalhau muito barato em relação ao Brasil.

O jornal Independent, britânico, considera a trilha uma das melhores da Europa. Ela recebeu, recentemente, a certificação Leading Quality Trails – Best of Europe. Só posso concordar! Se quiser caminhar por um cenário lindo, comendo frutos do mar e pernoitando em cidadezinhas agradabilíssimas à beira do mar a escolha é esta. Vi também gente passeando a cavalo e fazendo cicloturismo com carro de apoio (um grupo de brasileiros).

Boa trilha!

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 10/20/2016 09:56

Performed from 10/12/2016 to 10/13/2016

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Bruna Fávaro
Bruna Fávaro 10/21/2016 08:33

Peter, que demais! Deu água na boca aqui. Se um dia eu puder ir pra Portugal, certeza irei atrás dessa trilha, lindíssima!

Peter Tofte
Peter Tofte 10/21/2016 08:55

Vale a pena. Mas realmente temos que andar bem para queimar as calorias da culinária local! Cenários lindos.

Bruna Fávaro
Bruna Fávaro 10/21/2016 08:56

Ah, mas não é pra isso mesmo que se anda bastante? Pra poder comer tudo isso! hahaha :D

Peter Tofte
Peter Tofte 10/23/2016 13:02

Kkkkkkk. Se você divulgar este segredo vai ter muito mais gente fazendo trilha.....

Peter Tofte

Peter Tofte

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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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