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Pedra do Badejo

Pedra do Badejo

Um grupo de cinco mergulhadores em circuito fechado mergulhando a 40 - 45 metros num empedrado muito bonito ao sul de Salvador/BA.

Diving

Estávamos planejando um mergulho fundo na borda da plataforma continental com uma galera boa de mergulho técnico: René Bastos (Saci Maru) de BH, Victor Soares de Natal (Anão Maru) e André Domingues (Peludo Maru), de Atlanta/Estados Unidos. Os apelidos Maru foram dados porque tinham voltado a pouco de Truk Lagoon na Micronésia onde mergulharam em vários navios mercantes japoneses (Maru) afundados na 2ª guerra. O anfitrião era o László Mocsári. Todos com equipamento de circuito fechado.

A bordo também estava Daniel Rastelli, nosso fiel e habilidoso safety diver, cuja missão é prover segurança nas paradas descompressivas. O mestre da embarcação era o hábil Jorginho.

Muitos cilindros e equipamentos a bordo. Na foto apenas uma parte dos cilindros de mergulho.

Já fora da Baía de Todos os Santos, com Salvador ao fundo. Da esquerda para a direita, Victor, Rene e André.

Durante a navegação para o ponto avistamos golfinhos de passagem. Mas não seguiram a embarcação.

Após uma hora e pouco de navegação chegamos no ponto e lançamos âncora. Iemanjá não cooperou. A água estava maravilhosamente cristal, porém uma fortíssima correnteza oceânica tornava muito difícil o mergulho. Caí na água primeiro. Para ir da popa até o cabo da âncora eu levei 10 minutos. Mesmo para se manter agarrado ao cabo era difícil. Decidi voltar a popa e avisar ao pessoal, que estava se equipando, que as condições eram muito ruins. Não queria que todos saltassem na água para fazer o mesmo esforço exaustivo para chegar ao cabo para ali apenas decidir abortar o mergulho, perdendo tempo e energia.

A descida (progressão pelo cabo da âncora) contra a forte correnteza seria lenta e com muito esforço físico, o que penalizaria os mergulhadores duplamente: dióxido de carbono (CO2) no circuito aumentaria a narcose no mergulho fundo (planejávamos ir a 130 metros) e incrementaria muito os tempos de descompressão porque levariamos muito tempo para chegar ao fundo.

Cada um de nos pularia na água com um rebreather nas costas e mais 3 cilindros ao lado (bailout para emergência), o László pularia com quatro cilindros. Isto aumenta muito o arrasto, a resistência contraposta pela correnteza. A decisão acertada foi abortar o mergulho neste local. Bom julgamento evita problemas sérios no mergulho técnico.

Assim fomos para outro ponto, Pedra do Badejo, com 40 a 45 m de profundidade.

Mais meia hora de navegação e chegamos ao local. Caímos na água, uma leve correnteza na superfície e fomos para o fundo. Percebemos logo que a 40 metros a correnteza era maior. A luminosidade estava baixa mas a visibilidade ficava entre 10 a 20 metros.

Visibilidade boa.

A Pedra do Badejo é um conjunto de pedras em fundo de areia, muito bonito. Entre as pedras havia ruas de areia, formando até um labirinto. Muito peixe. A quantidade de âncoras tipo fateixa presa nas rochas e abandonadas porque os pescadores não conseguiram içá-las mostrava que o ponto era um pesqueiro concorrido.

Em alguns locais havia corais negros do gênero Cirripathes, um filamento longo, espiralado, preso ao fundo.

Rene. A esquerda dele se vê um coral negro.

Iluminando uma pequena toca com a lanterna.

Victor após passar por baixo de uma rocha formando um avarandado.

Rene (1º plano) e Victor:

Um grande dentão (Lutjanus spp.) cruzou na minha frente. László, que estava com uma câmera, apontou para um ponto no limite da visibilidade e divisamos um enorme cardume de caranhas (Lutjanus cyanopterus), algumas com 20 a 30 quilos! Gritei para chamar a atenção dos demais (no circuito fechado isto é possível). László fez sinal de silêncio, para eu não espantar os peixes.

Uma enorme caranha se aproximava curiosa para averiguar o que éramos e voltava para o cardume. Como são peixes solitários parece que aquela era uma agregação para fins reprodutivos. É muito raro ver tantas caranhas juntas.

O László pegou o cardume no filme (ver vídeo), mas a distância. Só dá para perceber os vultos. São peixes muito cobiçados por pescadores e caçadores submarinos. Por isso são ariscos.

László e seu inconfundível traje de mergulho. A visibilidade do traje pode tirar alguém de apuros.

Passou também um cardume de xaréus (Caranx lugubris), rápidos e também ariscos.

Nadamos entre as rochas, fazendo um tour submarino.

Após uma hora e 15 minutos de fundo começamos a subir para a superfície, o que levou mais duas horas e meia devido a descompressão. Notamos que a correnteza estava maior do que no momento da descida.

Parada de descompressão. Victor, eu, André e Rene. Quando chegamos a profundidades de paradas com tempo maior e correnteza mais forte ficamos presos ao cabo da âncora por jon lines, tornando a deco mais confortável.

Durante a descompressão rompeu minha mangueira de baixa pressão para inflar o colete equilibrador (BC). O pessoal percebeu pelo grande número de bolhas. Eu não notei, porque as bolhas eram levadas pela correnteza para trás de mim. László fechou a válvula do cilindro de diluente e conectou outra mangueira no meu colete, vindo de um dos cilindros reserva (bailout).

Subimos alegres a bordo, após quase 4 horas de mergulho num local especial, com muita vida marinha.

De noite, comemoração do mergulho. Da esquerda para a direita Eduardo (filho de László, camisa preta), László (camisa amarela), André (camisa vermelha), Victor (camisa cinza) com René e esposa logo atrás.

As imagens do mergulho foram cedidas pelo László Mocsári. Fotos também cedidas pelo Victor.

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 03/27/2018 09:24

Performed on 03/18/2018

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Peter Tofte

Peter Tofte

Salvador, Bahia

Rox
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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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