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Serras Altas da Bahia

Serras Altas da Bahia

Trekking selvagem, pesado e off trail, de 6 dias, na região do Circuito do Ouro da Chapada. Com Thais Cavicchioli e Maria Fernanda May.

Trekking Mountaineering Navigating

Este roteiro foi idealizado pelo Orlandinho Barros com base em imagens de satélite e em trekkings anteriores realizados por ele e pelo guia Dmitri. Percorre boa parte dos maiores picos do Nordeste, na região entre Rio de Contas e Catolés/BA.

Segundo Thais Cavicchioli e Maria Fernanda May, que já percorreram diversas vezes a Serra Fina, inclusive em dois dias (May), este roteiro bate facilmente a Serra em grau de dificuldade. Embora seja tranquilo achar água, é na maior parte off trail, selvagem, com terrenos bem acidentados, trechos bem pesados e necessidade constante de orientação.

De última hora o Orlandinho Barros teve resultado positivo no teste de COVID e não pode ir. Assim não tínhamos mais carro disponível e comprei passagens de ônibus para Rio de Contas/BA pela Novo Horrorizonte (também chamada de Novo Horizonte por quem não conhece a empresa).

Saímos sábado de noite de Salvador já surpreendidos pois a empresa adiantou em uma hora o horário da partida do busão em relação ao marcado na reserva, sem aviso. Sorte que chegamos com antecedência na rodoviária de Salvador.

Domingo, 11 de outubro.

Viagem tranquila até Seabra, onde trocamos de ônibus para Rio de Contas. Veículo bem ruinzinho. Pior eram os buracos da BA 148 que faziam o ônibus chacoalhar violentamente, impedindo o sono.

Perto de Piatã o ônibus quebrou (novidade!). Eu e Fernanda saltamos do busão e ajudamos no que podíamos o motorista a consertar o defeito: uma mangueira de ar do sistema pneumático de suspensão rasgou e despressurizava o sistema. Fernanda deu silver tape para o motorista (atenção trekkers, mais um uso do silver tape!) que, com ajuda de braçadeiras plásticas, conseguiu tapar o rasgo da mangueira. O motorista então pediu para Fernanda ligar o ônibus e pisar no acelerador para pressurizar e testar. Uma passageira viu Fernandinha no assento do motorista e disse “Que legal! Queria também fazer isto!”

Rodamos então alguns quilômetros até que ouvimos um estouro. O silver tape não aguentou a pressão. Sorte que logo depois um caminhão parou e o motorista solidário tinha uma braçadeira de metal. Cortamos o trecho da mangueira rasgado e prendemos a ponta desta no sistema com a braçadeira. Aí o ônibus chegou sem problema em Piatã.

Lá encontramos Chico, grande guia de Catolés, que nos informou que não poderia ir conosco devido ao fato de ser voluntário da brigada de combate de incêndios de Piatã, que ajudaria a combater o fogo que grassava violentamente perto de Mucugê. Era a segunda baixa da expedição. Seríamos então apenas três: eu, Fernanda e Thais.

Trocamos de ônibus por um que vinha logo atrás e concluímos a viagem chegando 8 da manhã em Rio de Contas. Fomos direto para a Pousada Aconchego onde Vandinho nos cedeu gentilmente um quarto apenas para guardar as mochilas. Sequer ficamos hospedados lá, já que o plano original era chegar de carro em Rio de Contas ainda na noite do dia anterior, sábado.

Ele, muito gentil, ainda nos ciceroneou mostrando a bela e histórica Rio de Contas, uma das cidades históricas mais lindas da Chapada (a festa de Corpus Christi é uma das mais belas do País).

Aproveitamos para comprar água e os últimos suprimentos e fomos comer no tradicional churrasquinho da praça, embaixo de uma árvore. Fernanda gostou do cozido de palma (uma espécie de cactus), ela nunca havia provado. Fazia um calor pesado. Fiquei desejando uma cerveja, mas resisti.

Meio dia e trinta estávamos na pousada já prontos, com as mochilas carregadas quando chegou Tilu, nosso transfer para Caiambola, início da trilha para o cume do Itobira, que seria nosso primeiro acampamento.

Trajeto de hora e meia por estrada de barro, com o tempo mudando, escurecendo a medida que nos aproximamos de Caiambola. As meninas davam cabeçadas de sono no carro, devido a noite mal dormida.

A tempestade então desabou com força. Até granizo caiu. Algo que jamais havia visto em anos de Chapada. Felizmente passou rápido e quando chegamos ao destino só chuviscava.

Nos despedimos de Tilu e seguimos o caminho. Trilha batida. De cara já deu para notar o extremo preparo físico da Fernanda, com seus 20 anos de montanhismo. Ele botou a reduzida para não deixar-nos para trás, apesar de 22 kg na mochila.

Chegamos no topo do Itobira (1.930 m.)quase 17 horas. No local cercado por mureta de pedra cabiam duas tendas. Uma toca seria nossa cozinha. Sessão de fotos e montagem das barracas. Thais relembrava sua visita ao pico 6 anos atrás.

Thais chegando ao cume.

O preparo da comida foi feito no escuro com ajuda de headlamps. A chef de cuisine May preparou um delicioso linguine com funghi e salame ao molho de vinho.

Depois do jantar o cacau caiu. Chuva forte e relâmpagos. As meninas já estavam nas tendas e eu na toca. Fernanda contava os segundos entre o clarão dos relâmpagos e o som dos trovões. Teve uma hora que estava no “três” quando o trovão ensurdecedor pipocou. Deu um grito e imediatamente ficou de cócoras dentro da barraca, calçando sua Crocs em cima do isolante com pernas afastadas (procedimento padrão para esperar o pior dentro de uma barraca. E se alguém se borrar já está também na posição certa kkkkk). Thais depois disse que ficou cansada de manter-se nesta mesma posição na tenda dela já que a tempestade elétrica durou um bocadinho.

Eu estava tranquilo porque estava dentro de uma toca com profundidade suficiente (eu achava). Só podia torcer pelas meninas.

A tempestade passou e o resto da noite foi calma.

Segunda, 12 de outubro.

Seis da manhã, acordados, desarmamos as barracas e fizemos o café. Dia nublado mas o sol projetava seus raios entre as falhas das nuvens, criando um bonito efeito.

Preparadas para zarpar.

Descemos do Itobira e pouco depois iniciamos o off trail subindo uma montanha sem nome, debaixo de chuvisco.

Ao fundo o Itobira.

Andamos parte da crista hora de um lado, hora de outro, até descermos para um vale a Leste. Neste havia um riacho numa canaleta funda que nos obrigou a saltar sem mochila. Mas foi fácil passar o córrego e subir no lado oposto.

Córrego facinho.

Continuamos a descida para o vale subsequente e desta vez a coisa pegou, um off trail horrível, um labirinto de pedras grandes entremeadas de vegetação, Quem conhece a Chapada sabe como é cansativo, perigoso e irritante o constante sobe e desce e o contorcionismo para um avanço muito lento.

Resolvemos voltar atrás para tentar outro caminho sugerido por Fernanda e descobrimos algo mais fácil, uma descida em diagonal menos acidentada com predominância de capim. Porém nos afastamos bem para a esquerda do roteiro original traçado por Orlandinho no Wikiloc.

Chegamos no fundo do vale e, para nossa surpresa, o que parecia fácil era uma espécie de capim gordura de 2 metros de altura com capim seco entrelaçado até a altura do joelho. Teríamos que andar nele por 300 metros para reencontrarmos o tracklog do Orlandinho. Exaustivo cada passo: primeiro levantar bem o pé do chão preso pelo capim seco e depois forçar a passagem pela vegetação alta. Minha bateria rapidamente esgotou e a determinada Fernanda assumiu a dianteira. Ela descobriu o melhor método para avançar: se atirar de lado com a mochila para esmagar o capim e assim criar uma passagem.

Ficamos quase uma hora neste sufoco para avançar 300 metros! Saímos do vale, lanchamos e descansamos num platô antes do vale seguinte. Estávamos bem longe do ponto proposto para ser o Camp 2 no tracklog do Orlandinho.

Nossas mãos e bastões estavam manchados e com o visgo gorduroso do capim gordura.

Ao avistarmos o vale vizinho, do córrego Taquara, um alívio, parecia ótimo para acampar com água corrente. Já era em torno de 16 horas e cansados, decidimos ficar lá. Paraíso! Um riacho com águas cristalinas, uma quedinha d’água, duas pequenas piscinas e um lajeado bom para descansar e cozinhar. Achamos também terreno plano para as barracas.

As meninas batizaram a montanha da qual descemos de Voldemort (o nome que não pode ser pronunciado) devido a descida difícil e o vale pior ainda abaixo dela. Trajeto maligno.

A noite foi muito agradável. Nossa rotina depois do jantar tornou-se deitar na laje e conversar, headlamps apagadas olhando o estreladíssimo céu noturno. Avistei uma grande estrela cadente. No horizonte observamos Marte se erguendo nos céus. Uma noite primitiva e etérea.

Terça, dia 13 de outubro.

Dia seguinte, levantamos as 6 e as 8 horas iniciamos a caminhada. Caminho bem mais fácil, com vegetação mais rala, típica de gerais. Avistamos uma montanha que acreditamos ser o Guarda Mor mas o tracklog rapidamente mostrou que deveríamos contorná-la pela direita e que a enorme montanha atrás dela era, na verdade, nossa meta.

Chegamos no acampamento planejado para a 2º noite por volta de 10 horas. Lugar feio para acampar, com muita vegetação, difícil achar um lugar para as tendas. Sorte então que atrasamos e pernoitamos naquele lugar bonito!

Fernanda aproveitou para reforçar a base com protetor solar. Mesmo em trilhas pesadas as mulheres não perdem a feminilidade!

Imagens de satélite não permitem visualizar bem o terreno daí a progressão por vezes ser bem mais lenta que o planejado no vara mato e também é difícil sempre acertar um bom lugar para acampamento.

Iniciamos a subida do Guarda Mor pela indicação do tracklog no Wikiloc, uma rampa deliciosa que levou a uma longa crista e uma subida suave até o pico onde chegamos por volta de 13 horas. Lá encontramos um dos livros de cume colocado por Dmitri de Igatu, um projeto bonito deste grande guia da Chapada (cada um dos mais altos cumes têm um livro dele).

Descansamos, lanchamos e tiramos fotos. A oeste, bem visível, a serra da Tromba, raro fenômeno geológico (uma dobra).

Cume do Guarda Mor (1.930 m.) com Serra da Tromba ao fundo.

Para o Sul-SO o bonito e interessante vale do rio Água Suja. Anotei mentalmente no meu wish list que seria um futuro bom roteiro.

Descemos para o colado entre o Guarda Mor e os picos dos Frios. Sabíamos que não conseguiríamos ainda naquela tarde subir os dois picos pelo avançado da hora. A descida do Guarda Mor foi lenta e chata, procurando as melhores passagens com terrenos menos rochosos e menos vara mato.

Chegamos ao colo por volta de 16 horas. Mais abaixo rumo oeste, nascia um riacho. Com pouca água tivemos que descer quase um quilômetro para buscá-la. Aproveitei e caí com roupa e tudo num pequeno poço.

Subimos e acampamos perto do colo, num lugar já bem utilizado para acampamentos, plano e com areia.

Outra noite bonita, estrelada, com muita conversa legal.

Quarta, 14 de outubro.

Dia seguinte a mesma rotina: seis horas de pé e 8 horas começando a caminhar.

Subimos para o Frios Leste (1.952 m.), escolhendo cuidadosamente o caminho de menor resistência. O que parecia íngreme foi mais fácil do que pensávamos. Em uma hora estávamos no pico onde preenchemos outro livro de cume do Dmitri. Avistamos o Frios Oeste (1.955 m.), nosso próximo objetivo.

Caímos num platô elevado entre os dois picos e subimos o Oeste. Muitos cristais nesta subida. Lá de cima bela vista para o Barbado e o Elefante, o vale dos Cristais e a Mata dos Frios.

Avistamos o pico da Mutuca (1.965 m.), que seria o próximo objetivo planejado, do outro lado do vale dos Cristais. Mas pelo calor e pela hora, decidimos em consenso pular esta montanha. Afinal ninguém gosta de mutuca!

Queríamos descansar um pouco mais neste dia e decidimos ir logo para cachoeira dos Frios, bem mais aprazível que o vale dos Cristais (que seria o pernoite planejado se subíssemos o Mutuca).

Depois da descida do Frios Oeste andamos mais duas horas e chegamos na bela Cachoeira dos Frios, seguindo a trilha (finalmente uma) da Mata dos Frios. A cachoeira é um dos lugares mais bonitos para acampar na Chapada. Belas vistas para todos os lados e um bonito poço na parte superior. Não havia muita água no rio mas estava bem legal para um banho.

O pôr do sol é muito bonito neste local.

Nossa chef preparou um amoço gostoso por volta das 16 horas. Macarrão com frango desfiado da Vapza refogado com cebola, chimichurri com linguiça e molho de tomate em pó. Cortando a cebola eu tirei um tampo do meu dedo anular e começou a sangrar profusamente. A Fernanda imediatamente tirou o avental, colocou seu jaleco de médica e resolveu o problema com seu kit de primeiros socorros.

À noite a janta foi um sopão, mistureba de missoshiro, sopas de caldo verde e costela (sopas desidratadas) reforçado por grão-de-bico. Ficou bom!

Outra noite estrelada e bonita. Deitamos no lajeado a beira do rio. O bate-papo fluía leve enquanto olhávamos o céu.

Quinta, 15 de outubro.

Neste dia voltamos pelo trecho da Mata dos Frios que havíamos percorrido ontem até que dobramos a esquerda para pegar um vale que subia em direção ao Barbado.

Num ponto escondemos a mochila e levamos os essenciais para o ataque ao pico do Bicho, outro dos cumes planejados.

Montanha difícil esta, com uma pedreira ruim para achar passagem. Pedras altas com grandes vãos entre as rochas, Um escorregão e acabava a viagem.

Mas após passarmos este cinturão de pedras a ascensão ficou fácil.

Cume do Bicho, terceiro pico mais elevado da Bahia (1.970 m.).

Vista bonita para o Barbado e o Pico do Castelo. Assinado o livro do cume, descemos. Outra vez a pedreira, Fernanda perdeu seu bom humor devido ao calor e ao esforço. O meu e o da Thais já tinham ido embora fazia tempo.

Ao chegarmos ao vale reabastecemos de água, molhamos a cabeça/corpo, lanchamos e partimos vale acima até a lapa dos Caçadores, ponto de referência. De lá a subida ficou mais empinada e saímos do vale para a encosta da montanha. Rumamos para o Castelo, onde deixamos outra vez a mochila na base e fizemos cume. Pequena montanha bonita devido as suas torres.

Castelo ao fundo.

Contornamos um morro e chegamos no local de acampada também por volta de 16 horas. O tracklog sugeria no planejamento um acampamento bem mais abaixo no vale e que subiríamos o morro do Castelo apenas no dia seguinte. Entretanto sobrou dia e o novo local de acampamento era bem melhor, mais alto e próximo ao cume do Barbado. Apenas a água era um pouco mais longe.

Fomos pegar água no riacho e aproveitei para tomar um banho de panela (córrego pequeno). Já no acampamento Thais dirigiu uma prática de meditação na montanha. Muito boa, ajudou bastante a relaxar. Mas quando ela pediu para prestarmos atenção aos sons da natureza ambas ouviram o barulho do meu estômago roncando de fome.

Por volta de 18 horas fizemos a janta. Risoto ao funghi com parmesão e feijoada da Promeal. A melhor refeição destes 5 dias.

Fernanda ficou penalizada pelo fato de eu estar descalço, pisando nas pedras irregulares e me ofereceu a Crocs sapatilha cor-de-rosa dela. A princípio meu orgulho recusou a oferta. Mas as pedrinhas pontiagudas no chão me convenceram. Ela ajudou a calçar o pé forçando a sapatilha 37 num pé 42. Me senti a própria Cinderela kkkkk.

Depois, outra vez, deitamos na laje de barriga para cima para conversar e observar estrelas. Pena que o vinho só deu para as duas primeiras noites.

Sexta, 16 de outubro.

Acordei mais cedo que de costume e fui lavar as panelas e buscar água no riacho. Café bom, com Thais ensinando a fazer beiju na panelinha (ela trouxe um quilo de tapioca para a trilha). Ela, uma paulistana, merecia o título honorário de nordestina.

Itobira avistado do acampamento.

Fernanda e a montanha.

Partimos para a última etapa, subir o Barbado, maior pico do Nordeste, 2.033 metros. De certa forma o mais fácil de todos pois a mochila já estava bem mais leve e a forma física bem melhor após 5 dias de caminhada.

Subimos por um pequeno vale até que pegamos a esquerda para o platô superior do Barbado. Com mais meia hora (a crista do cume do Barbado é extensa) estávamos no cume. Do topo do Nordeste olhamos para todas as direções. A Sudoeste o inconfundível Itobira, de onde iniciamos a jornada; ao norte a cadeia dos Ciganos (vide relato “Carnaval nas alturas”).

Cume do Barbado (2.033 m.) com o Itobira proeminente ao fundo.

Lanchamos, bebemos um Tang. O Elefante ao lado, nosso próximo cume.

Descemos para a Forquilha da Serra, o colado entre o Barbado e o Elefante, escondemos a mochila e subimos o Elefante (o segundo mais alto da Bahia, 1.980 m.). A princípio a subida é mais inclinada porém em 40 minutos estávamos no platô do falso cume e seguimos rapidamente para o cume verdadeiro. Passamos por escavações dos garimpeiros de cristais.

No cume a alegria de ter completado o roteiro proposto, 8 cumes em 6 dias! Apenas pulamos o Mutuca. Fica para uma outra vez.

Outra mudança de planos: em vêz de dormirmos na Forquilha da Serra, lugar sem graça, como planejado, decidimos descer para Catolés de Cima para conseguir um frete para Catolés, para já dormir de noite numa pousada.

Chegamos após uma hora de descida ao pequeno povoado onde conseguimos que abrissem o bar (senão arrombávamos kkkkk). Ana serviu as cervejas e encomendamos o almoço à esposa do Nardinho. Dona Maria passou a senha do wifi de sua residência e Fernanda não teve sossego quando souberam que era médica (povo desassistido). O marido de D. Maria, o senhor Mequino, prometeu providenciar uns exames para que Dra. Fernanda o examinasse dentro de um ano! Pessoal muito simpático.

Da esquerda para a direita: Carlos, D. Maria, seu Mequino, Fernanda, Thais e Ana. O Barbado ao fundo, a direita.

Saímos após o almoço, eu ligeiramente trêbado. Carlos, genro de dona Maria, nos levou até a pousada de Dona Creuza em Catolés, que nos recebeu com sua habitual cordialidade.

Igrejinha de Catolés.

De noite comemos uma pizza no centrinho da vila com o Chico, que havia retornado do combate ao fogo e com Joca, seu amigo, que comprou recentemente um sítio no Guarda Mor.

No dia seguinte pegamos a Toyota Bandeirante do Joca e visitamos o sítio a convite dele, juntamente com o Chico. Tomamos banho de cachoeira e plantamos simbolicamente umas rosas. Carreguei um saco de limas e limões.

Chico de boné vermelho e Joca de calça preta. Cachoeira do Guarda Mor.

De volta a pousada arrumamos as coisas e saímos antes de uma da tarde para Piatã, onde a noitinha pegaríamos o busão para Seabra e Salvador.

Ainda visitamos com Chico e Joca a Brigada de Incêndio de Piatã (uma das mais organizadas da Chapada) e fomos para a cafeteria Rigno, cuja família produz um dos cafés mais premiados no Brasil. Piatã é a cidade mais alta da Bahia (1.300 metros) por isto produz alguns dos melhores cafés do País.

Volta bem mais tranquila, e sem ônibus quebrado!

Em resumo, um trekking muito legal, por terreno selvagem, sem trilha. Só vimos outras pessoas no início e no final do percurso. Boa companhia, harmonia e bom trabalho em equipe apesar de ninguém se conhecer antes da pernada. Boas risadas, cenários lindos.

RECOMENDAÇÕES

USEM RASTREADOR. A área é selvagem, sem nenhum sinal de celular. O rastreador dá uma grande tranquilidade. Em terreno difícil como o que passamos um acidente é fácil (torção, fratura) e o auto resgate é muito difícil. Usei um SPOT X que tem a vantagem de ser bidirecional. Fernanda pode mandar uma mensagem para a filha e receber a resposta via satélite. E marcou direitinho o trajeto a cada 20 minutos.

No off trail faça um planejamento baseado em fotos de satélite (Google Earth) e mapas. Crie uma trilha virtual no Wikiloc porém sabendo que deve ser flexível e fazer alterações de rota se necessário. Nosso agradecimento ao Orlandinho que fez um excelente tracklog.

O trekking é autônomo e exige bom preparo físico. Em alguns momentos carregamos 3 a 3,5 litros de água, a exemplo do primeiro acampamento no Itobira.

CHICO é um excelente guia da região, pena que não pode nos acompanhar. chicorollo@hotmail.com (71) 99405-6389.

TILU faz o frete de Rio de Contas até Caiambola, base do Itobira. Atencioso e pontual. Possui um camping em Rio de Contas e também é guia. (77) 98108-0030.

JOCA faz o frete de Catolés até Piatã. Simpático e de conversa fácil, na manhã de sábado nos ofereceu um belo passeio até seu sítio. (73) 99966-6666.

VANDINHO, da POUSADA ACONCHEGO, prestativo, cortês, bom pouso em Rio de Contas.(77) 98154-5250.

CREUZA, da POUSADA BARBADO com wifi. em Catolés. Simpática e nossa referência para dormida na vila. Arranjou uma palma para Fernanda plantar no Rio. (77) 99132-3005.

Catolés não tem sinal de celular. Em Piatã e Rio de Contas pega Claro.

Aprovados neste trekking: bota Ultra Fastpack III da TNF (resistente num terreno extremamente difícil, leve, não causou calos) e a Starting Point da 3F UL, de apenas 900 gramas. A Xing Ling de 60 dolares deu conta.

Dedico este relato a alguém que não participou da aventura, Thaís D'Ávila, a mãe do meu filho, que me deu o suporte cuidando dele, mãe zelosa e dedicada, além de receber minhas mensagens e rastreamento do SPOT.

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 10/22/2020 08:54

Performed from 10/10/2020 to 10/16/2020

1 Participant

Maria Fernanda May

Views

573

7
Ernani
Ernani 10/22/2020 12:28

Mais um excelente relato! Essa região é maravilhosa. Só faltou a foto da Crocs!

Peter Tofte
Peter Tofte 10/22/2020 14:55

Kkkkk, depois te mando!

Rodrigo Oliveira
Rodrigo Oliveira 10/22/2020 15:23

Sensacional, Peter! Essa sim foi uma pernada épica. Ta na MINHA wish list! hehehe!

Peter Tofte
Peter Tofte 10/22/2020 17:11

Valeu Rodrigão! Temos que marcar uma trilha juntos!

Rodrigo Oliveira
Rodrigo Oliveira 10/27/2020 18:33

Nem fale, Peter! Zero pessoas na trilha é premiação de honra ao mérito!

Marcelo Avila
Marcelo Avila 10/30/2020 16:59

Emocionante relato! Parabéns a equipe!

Tiago Oliveira
Tiago Oliveira 05/21/2021 19:33

Bela expedição. Pode compartilhar o Tracklog?

Peter Tofte

Peter Tofte

Salvador, Bahia

Rox
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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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