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Travessia Baixio Subaúma

Travessia Baixio Subaúma

Trekking no litoral norte de Salvador/BA, com acampamento bushcraft, passando pelas belas lagoas de Mamucabo e Verde.

Trekking Bushcraft

Depois de fazer um trekking com o pessoal do Bushcraft Bahia no litoral norte de Salvador/BA em novembro/2015 (ver relato) tomei gosto por trilhas na restinga e novamente fiz outra caminhada com o grupo.

Desta vez fizemos a travessia Baixio-Subauma, duas vilas do litoral norte, passando pelas lagoas de Mamucabo e Verde, com Alberto Alpire, (um dos fundadores do grupo), Felipe, Rafael. Cauique, Ismarlei, Igor e eu.

Nos encontramos num posto de combustível em Lauro de Freitas e seguimos para Subauma, onde deixamos um carro e depois todos fomos para Baixio, 22 km adiante, onde estacionamos os outros dois carros. Deste modo tínhamos veículos nas duas pontas da trilha. Partimos caminhando as 23 horas.

Pretendíamos dormir nas dunas perto da Lagoa Azul, mas sem luz e sem indicativo de trilha não encontramos o caminho. Seguimos adiante e topamos com um filhote de jararaca e uma cascavel adulta (resolvemos andar na hora do jantar das cobras). Apenas 1:30 da manhã acampamos perto de um brejo raso.

Cascavel procurando o jantar (foto: Ismarlei)

A noite foi péssima. Muito mosquito. Mesmo com repelente e apenas com a cabeça de fora do saco de vivac, coberta com boné com mosquiteiro, os mosquitos incomodavam demais. Cheguei a botar plugs nos ouvidos para deixar de ouvir o zumbido enervante dos pernilongos. Devo ter dormido apenas uma hora ou menos. Chegaram a cair algumas gotas de chuva de uma nuvem passageira, mas muito pouco. No instante que o sol nasceu todo mundo levantou imediatamente porque o sofrimento foi geral.

Comemos o café com pressa e arrumamos as mochilas para dar o fora daquele lugar.

Da esquerda para a direita: Felipe, Rafael, Cauique, eu, Igor, Alberto e Ismarlei (autor da foto).

Rumamos para a lagoa Mamucabo seguindo uma trilha de carros 4X4. No caminho Cauique subiu num coqueiro e bebemos água de coco e comemos sua carne (do coco, claro!).

Cerca de uma hora de caminhada e avistamos a belíssima lagoa. O que mais chama a atenção é que apenas uma estreita faixa de areia de praia separa a lagoa do mar. Quem vê pensa que é uma piscina de borda infinita. Isto ocorre porque as lagoas deste complexo de dunas não são normalmente alimentadas por rios mas pelo lençol freático. Assim não transbordam e não precisam ter um ponto de deságue. A lagoa só tem contato com o mar se uma ressaca forte romper a faixa de areia.

1ª visão da lagoa de Mamucabo.

A lagoa quase chega ao mar.

De onde viemos, para chegar à praia ou nadando ou cruzando um pequeno trecho de manguezal.

Quando chegamos havia apenas pescadores que passaram a noite pescando no local. Mais tarde chegaram turistas em 4X4 e quadriciclos pela praia, vindo de Baixio. Algo proibido, porque a praia é ponto de desova de tartarugas. Tubos de PVC numerados pelo TAMAR indicavam vários pontos onde haviam ninhos. Dos turistas, apenas invejávamos as cervejas geladas.

Os banhistas (e nos) preferimos ficar mergulhados na lagoa, numa deliciosa temperatura. Coletamos maçã de coco e guajuru para comer. Eu, Igor e Felipe tiramos um cochilo.


Fizemos um abrigo do sol onde guardamos as mochilas. Em seguida, eu, Alberto e Cauique fomos explorar os arredores, descobrindo caju e araçá. Subimos para um mirante com bela visão do mar e daquela área. O ambiente de restinga tem uma vegetação arbustiva, com poucas árvores altas onde predominam dunas. Muita bromélia e palmáceas. Descemos para a lagoa contornando parte dela e fomos para a praia onde tomamos um rápido banho de mar.

Lá pelas 16 horas começamos a cozinhar a janta. Eu com comida liofilizada no fogareiro a álcool, mas teve carne de sol e bacon com arroz na fogueira. Lamentamos não ter trazido cachaça para fazer batida de caju.

Por-do-sol bonito.

Noite estrelada, soprando um bom vento. Fomos dormir cedo, por volta das 20 horas (pouquíssimo sono na noite anterior). O vento impedia os mosquitos de chegar perto e a areia era um colchão perfeito para bivacar. Dormi um sono maravilhoso no meu saco de bivaque a beira da lagoa, contraste incrível com a noite anterior.

Por volta das 3 ou 4 horas cessou o vento e os mosquitos, poucos, apareceram. Boné legionário e o mosquiteiro resolveram. Quem ficou debaixo do toldo montado sofreu com os mosquitos. O toldo cortava o vento e os mosquitos avançavam. Não choveu a noite toda, assim fazia mais sentido ficar ao relento protegido pelo vento.

Acordamos outra vez ao clarear, assistindo o espetáculo do nascer do sol no mar. É uma prática boa, porque quanto mais cedo saímos para caminhar menos sol forte pegamos. Seguimos na maior parte do tempo por um trecho plano, entre as dunas e a praia. Normalmente este trecho é ocupado por brejos, a maior parte secos a esta altura do verão. Em alguns momentos parávamos para catar e comer caju.

Nascer do dia. A pequena faixa de areia separa a lagoa do mar.

Igor, biólogo de profissão, explicava que todo aquele relevo foi formado no último recuo do mar durante o período Quaternário. Por onde pisávamos foi fundo do mar a milhares de anos atrás.

Depois de duas horas chegamos na lagoa Verde, que visitamos em novembro passado. A lagoa era só nossa, os primeiros a chegar. A mesma água deliciosa de sempre. Mas pouco depois chegaram turistas e nativos de Subauma. Os turistas pagaram bem caro para acessarem a lagoa (entrada + guia obrigatório ou excursão com Land Rover).

Galera no banho.

Ficamos lá até 13:30 quando partimos para Subauma. Antes colhi algum caju para fazer minha cajuroska em casa.

Com um saco de caju na mão.

Trilha entre a lagoa Verde e Subauma.

Após uma hora exata de caminhada chegamos ao rio Subauma para fazer uma fácil travessia na maré baixa. No bar do Reuris, onde deixamos o carro, tomamos um refri e cevas brindando ao sucesso da trilha. Levei em seguida os motoristas para Baixio onde eles retornaram para pegar o restante do pessoal que ficou no bar.

Depois da travessia do rio Subauma.

Bebemorando no bar do Reuris, onde deixamos um carro.

Com o conhecimento de bushcraft poderíamos ter sobrevivido só com as frutas e o coco coletado, com alguma fome obviamente. Mas levamos comida porque a intenção era caminhar e não ficar apenas procurando comida a partir de um acampamento fixo.

Passeio muito bom por paisagens lindas, algumas das mais preservadas do litoral norte da Bahia, com uma galera legal, todos safos. Isto a apenas duas horas de Salvador!

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 01/19/2016 11:18

Performed from 01/15/2016 to 01/17/2016

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4
Renan Cavichi
Renan Cavichi 01/19/2016 18:04

Que massa! Grande registro!

Peter Tofte
Peter Tofte 01/20/2016 14:32

Valeu! É um trekking legal e diferente, com direito a banho de mar e de lagoa.

Paulo Conan
Paulo Conan 01/22/2016 15:08

Perdi essa, que pena.

Carlos Mouta
Carlos Mouta 03/28/2021 20:09

Show de bola de trilha. Estou buscando alternativas pra trilhas "perto" de SSA, querendo voltar a fazer algumas trilhas mas sem grupos. Se tiverem informações, agradeço. Abraços

Peter Tofte

Peter Tofte

Salvador, Bahia

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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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