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Trilha Kids 2019.1 - Mucugê - Chapada Diamantina.

Trilha Kids 2019.1 - Mucugê - Chapada Diamantina.

Cinco crianças e quatro pais se divertindo e curtindo a natureza num belo local da Chapada Diamantina.

Trekking Camping

Um grupo de pais do Bushcraft BA promove uma ou mais trilhas/acampamentos anuais para levar os filhos, de modo que as crianças possam apreciar a natureza e sair um pouco do mundo virtual. Esta seria a nossa terceira edição (ver relatos aqui no AventureBox "Brincando nos campos do Senhor" e "Acampamento teens na lagoa do Mamucabo").

Lucas e Lígia, da Planeta Outdoor estiveram na Páscoa na cachoeira do Cardoso, em Mucugê. Lígia sugeriu o local para um acampamento kids. Quando pesquisei a respeito vi que era realmente ideal!

Saímos sexta pela tarde de Salvador para Mucugê, a quase 1.000 metros de altitude, no centro do Parque Nacional da Chapada Diamantina, chegando lá por volta de 21 horas. Fazia 17°C, bem frio para o padrão baiano. Centrinho histórico bonito.

Fomos direto comer uma pizza porque nossos filhos estavam com fome. Me chamou a atenção uns aquecedores a gás na calçada da pizzaria, coisa que só havia visto antes no inverno europeu e chileno. Mucugê é uma gracinha de cidade, bem mais agradável que Lençois.

Sergio, pai de Gabriel, fez uma surpresa presenteando todas as crianças com uma lanterna e um bracelete de paracord com pederneira. Presente bom para trilha!

Depois das pizzas fomos para a hospedaria Jardim das Orquídeas, do seu Milton, pai do guia Miguel. Casa bonita, aproveitando muito bem o relevo rochoso do terreno. Fomos dormir apenas por volta de uma hora da manhã.

A bonita hospedaria, ao amanhecer.

Dia seguinte arrumamos as mochilas e depois do café partimos a pé. A cachoeira do Cardoso fica a cerca de 7 a 8 km no sul de Mucugê, no rio Cumbuca.

Partiu Cardoso! Em cima, esquerda para direita: Theo 13, Gabriel 9, Igor filho 7, Claudius 13, Heitor 5. Em baixo, eu (pai do Theo), Sergio (pai do Gabriel), Claudio (pai do Claudius) e Igor (pai do Igor e do Heitor).

Iniciamos a jornada por volta de 9:30, atravessando a estrada de contorno da cidade. No pórtico de um loteamento pegamos uma estrada de terra que seguia paralela ao rio Mucugê, rumo Sul. O Igor carregava uma mochila pesada pois levava itens para os 2 filhos.

Rumo a cachoeira, na estrada de terra.

Depois de quase duas horas de trilha, com paradas, chegamos numa bifurcação onde saímos da estrada e subimos a serra que separa o rio Mucugê do rio Cumbuca. No topo da serra era possível avistar a leste a cachoeira do Cardoso, a apenas 25 minutos de caminhada.

Subindo a serra.

No topo da serra, olhando para leste. O rio Cumbuca, com a cachoeira do Cardoso no lado direito, quase na margem da foto.

Eu e meu filho, Theo.

Lugar bonito: na chegada a cachoeira duas tocas de garimpeiro com um fogão de pedra entre elas, em frente ao rio Cumbuca. Lugar seguro pois o rio não conseguiria subir ali mesmo numa tromba d'água.

As tocas, ao fundo a cachoeira do Cardoso.

Caímos na água, alguns demoraram para tomar coragem, a água estava bem fria para baianos!.

Enquanto as crianças brincavam, preparamos o almoço. A sorte dos pais, com pouca experiência na cozinha, é que a fome é o melhor tempero e as crianças devoraram a comida.

Cada um escolheu o local para armar sua barraca. Claudio e Sergio preferiram acampar perto do rio e eu e Igor, escolhemos um platô acima das tocas. O local comportava umas 8 barracas. Até mesmo dentro das tocas era possível colocar uma ou duas tendas. Os jovens usaram a toca para jogar cartas (Uno) em cima de uma lona de Tyvek.

Final da tarde, cachoeira do Cardoso ao fundo.

Ao escurecer fizemos uma fogueira a beira do rio, em cima de uma laje de pedra, num local com risco zero de propagar fogo. As crianças assaram milho, queijo coalho e marshmallow. Se notava a felicidade irradiando delas. Uma farra.

O Claudio mediu a temperatura do rio com a câmera térmica acoplado ao celular dele. Indicou 17º C. Também podíamos olhar os companheiros de trilha no escuro através do perfil térmico. Fã de gadgets, ele também trouxe um monóculo de visão noturna.

Passei junto a cozinha da toca e notei algo se mexendo. A headlamp iluminou um rabudo fuçando para ver se achava comida. É um rato silvestre de rabo comprido que adora visitar os acampamentos. Lucas já havia me avisado que havia uma família vivendo ali. E ele descobriu da pior forma. Na Páscoa uma cara panela da Sea to Summit (de metal e silicone) foi roída por eles.

Assim penduramos toda a comida em sacos, fora do alcance destes esfomeados roedores (isto deve ser uma prática em todos os acampamentos - jamais na tenda!).

A noite foi agradabilíssima. Zero mosquitos e maruíns (na Páscoa havia).

No domingo acordamos por volta de sete horas.

Igor foi buscar o carro em Mucugê, porque tinha que retornar a Feira de Santana pela noite. O carro conseguia chegar a uma distancia de meia hora de onde estávamos. Ele não poderia ficar até segunda.

Vista das tocas e do acampamento a margem do Cumbuca.

Após o café decidimos subir o rio para explorar um poção acima da cachoeira. Um bom banho e voltamos ao acampamento.

Por volta de meio dia o Miguel Moraes chegou com Igor, trazendo linguiça para assar e uma cerveja gelada! Nota 10 este amigo!

Crianças a beira do rio.

Igor assou as linguiças, que comemos com farinha e farofa.

Enquanto as crianças brincavam, os adultos conversavam. Um dos assuntos discutidos foi o fato da Associação de Condutores de Visitantes (guias) de Mucugê ter tentado fazer um conluio com o loteamento no início da estrada para as cachoeiras (são três cachoeiras: Andorinhas, Funis e Cardoso) para que o loteamento cobrasse a entrada e tornasse obrigatório a visita guiada. O pessoal do ICM-Bio respondeu com um sonoro NÃO. Um acesso a Parque Nacional não pode ser fechado e tampouco exigida a presença de guia, a não ser que a norma do parque exija. Aplausos para o ICM-Bio!

Não sou contra os guias. Mas os cidadãos tem o direito de acessar um bem público optando se querem ou não guias. As cachoeiras perto de Mucugê são fáceis para quem tem experiência de trilha. E para pessoas mais humildes seria proibitivo visitar as cachoeiras pagando caro pela guiada. Assim cada um deve ter a liberdade para fazer sua escolha dentro de suas possibilidades e habilidades.

Igor se despediu e voltou para Mucugê com as crianças, dando uma carona para Miguel. Os filhos dele tinham um olhar triste na despedida. Ele chegaria em Feira de Santana apenas tarde da noite.

Final da tarde. O sol havia acabado de se por atrás da serra ao fundo.

Foi outra noite agradável, céu super estrelado. Claudio observou movimentos erráticos no céu, com a câmara térmica dele. Eu disse que deveriam ser morcegos que fazem curvas bruscas quando o radar deles detecta insetos. Mas ele afirmou que não, não eram curvas e sim movimentos retilíneos com mudanças de direção 90 graus. A região aqui, e principalmente Igatu, é famosa por avistamentos de OVNIs, segundo os ufólogos. Mas estávamos tranqüilos demais para nos preocuparmos com abdução por alienígenas.

Dia seguinte, segunda, acordamos as sete horas. Rápido café, desarme de barracas e arrumação de mochilas. Carregamos todo nosso lixo e o que encontramos lá (infelizmente ainda tem gente sem noção que emporcalha o local onde está curtindo a natureza). Saímos 9:30.

Finalizando as mochilas.

Cerca de 40 minutos depois estávamos no carro de Claudio (que Miguel trouxe dirigindo no dia anterior). Assim poupávamos a monótona caminhada pela estrada de terra e adiantávamos nosso retorno. Comemos algo num café de Mucugê e partimos rumo a Salvador.

Animados já alinhamos outra trilha kids para novembro, possivelmente no mesmo lugar. Não sabíamos quem ficou mais feliz, os filhos ou os pais (vendo a alegria deles).

RECOMENDAÇÕES

Mucugê é uma linda cidade, com cerca de 10.000 habitantes, bem situada para conhecer os atrativos da parte sul da Chapada (Buracão, Fumacinha) e caminho para os 3 picos (Barbado, Itobira e Pico das Almas, os mais altos do Nordeste) além de ficar perto de Igatu, um povoado interessantíssimo da época do garimpo. Também dali pode entrar no Vale do Pati via Andaraí.

Atrativos a pé: cachoeiras da Sibéria, Andorinhas, Funis e Cardoso.

Se for apenas fazer trilha evite o São João, pois Mucugê tem a festa mais concorrida da Bahia. Cidade lotada e hospedagem cara no período.

Os horários de ônibus tanto na ida como na volta são péssimos. Pouquíssimos horários. Viação Cidade Sol.

A Hospedaria Jardim das Orquídeas é uma ótima opção, lugar bonito, bem localizada. Reservas pelo Booking ou com Miguel, telefone (75) 99955-6889.

Miguel também é um dos melhores guias da Chapada e dispõe de carro.

Levar repelente porque tem certas época do ano com muito mosquito na cidade.

A Trilha Kids está aberta aos pais que queiram ir. O ideal é que a criança tenha ao menos 10 anos (isto para trilhas mais cansativas) e pai/mãe (quem acompanhar) tenha experiência de trilha.

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 06/05/2019 13:28

Performed from 06/01/2019 to 06/03/2019

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Alberto
Alberto 06/05/2019 13:47

Otimo passeio Peter. A 11 anos tb acampei ai, com Thiago (com 8 anos) e Karina. Adoro esse lugar.Espero que permaneca tranquilo e preservado por muitos e muitos anos.

Peter Tofte
Peter Tofte 06/05/2019 13:53

Beto, também adorei! Bonito, tranquilo, não fica longe de Mucugê e tem a infra das tocas. Por isso pensamos em retornar até o fim do ano!

Renan Cavichi
Renan Cavichi 06/06/2019 14:57

Muito massa Peter!

Aventureiro_ba
Aventureiro_ba 08/13/2019 11:48

Que top hein, pretendo conhecer esse local que vc acampou, obrigado por compartilhar essa experiência.

Peter Tofte
Peter Tofte 10/01/2019 14:11

Valeu Valdo! Lugar bonito e perto de Mucugê.

Peter Tofte

Peter Tofte

Salvador, Bahia

Rox
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Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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