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Escalada em Pancas - ES / Brasil

Escalada em Pancas - ES / Brasil

Viagem de avião + carro para escalada da Pedra do Camelo em Pancas.

Climb Mountaineering

Surgiu a oportunidade....feriado maiorzinho, passagens com bom preço, boas informações disponíveis, e finalmente o frio pra acompanhar a escalada. Fomos para o Espírito Santo.
Após o vôo curtinho de 1:30 h São Paulo - Vitória chegamos no aeroporto capixaba. Alugamos um carro de quinta feira a domingo pela Álamo.Foram 182 Km em cerca de três horas de viagem sem contar a parada pra almoçar. Queríamos chegar logo, então fomos adiando o almoço, até que paramos num lugar à beira da estrada, chamado Parada Gobetti. O lugar, peculiar pelas estátuas de famosos na entrada, servia um self service que foi a nossa escolha.Continuamos o caminho até quase chegar em Pancas, sem que víssemos placas indicando o caminho para lá e a única que vimos só apareceu no trevo da chegada. Ainda bem que hoje podemos contar com o GPS. A estrada toda asfaltada até a cidade estava boa.A primeira vista dos pontões é impressionante. O horizonte fica totalmente recortado pelos formatos das pedras.
Estávamos ansiosos pra chegar um pouco mais perto das vias de escalada, e pra conhecer o famoso Sítio Cantinho do Céu, base para os escaladores onde tem um camping e gente boa pra uma delícia de papo. Fomos direto pra lá, seguindo a placa à beira da estrada.
Fomos muito bem recebidos pela D. Joana e passamos um bom tempo conversando com ela enquanto esperávamos seu filho, o Fabinho, pra trocarmos ideias sobre a escalada lá em Pancas. O Fabinho chegou e foi também muito atencioso e simpático, assim como todo o restante da família. Nós decidimos não ficar no camping por questões de logística desde a nossa saída de SP. Mas numa próxima vez certamente ficaremos. Combinamos então de voltar no dia seguinte cedo, pra que o Fabinho pudesse nos levar à base da Pedra do Camelo pra nossa primeira escalada.Fomos então pra cidade, conhecer o Hotel Vitória, onde ficaríamos. A D. Lu do hotel foi também muito simpática (coisa comum entre os moradores de Pancas) e o hotel é simples, mas não precisávamos de nada além. Jantamos no Petiskos Schumacher, um parmegiana de frango que estava ótimo. Lugar bem agitado, com mesinhas no meio da rua e nas calçadas.
No dia seguinte acordamos não muito cedo, pois não seria legal chegar na base das pedras com aquela névoa forte de inverno. Conforme combinamos, 8:30 estávamos nos preparando pra sair com o Fabinho. Ele nos levou até a primeira proteção da via Boas Vindas da Pedra do Camelo, e de lá começamos a primeira das oito cordadas que viriam. Foram sete cordadas de 60 m cada e mais uma de 40 m. É importante tomar cuidado porque a corda estica totalmente. Na maioria das cordadas, um nó feito com maior quantidade de corda pode colocar o escalador numa roubada. Além disso, algumas costuras longas podem ajudar a não faltar corda e diminuir o arrasto. A escalada é fácil, com bastante aderência e alguns lances um pouco mais inclinados, mas o maior desafio é vencer a exposição da distância entre algumas proteções. Conseguimos deixar os procedimentos muito bem encaixados pra não perder muito tempo, pois essa foi, até então, nossa escalada mais longa.
Algumas cordadas mais fáceis me faziam até ficar cansada por subir rápido, sem descanso.
Chegamos na última parada, mas como eu sou prevenida (um pouco demais...) acabamos fazendo uma parada na árvore do cume, só pra subir o último lance, mas não precisava. Depois de passar um tempinho respirando e aproveitando a vista saímos procurando o livro de cume. Vimos um totem bem grande, que certamente servia de abrigo para o livro, mas ele não estava lá. Não estava em lugar nenhum. Tudo bem, resolvemos começar a descida sem deixar o registro lá em cima. A descida foi a parte mais complicada do dia, pois a trilha que procurávamos não estava clara para nós e tivemos que desbravar a mata do cume. Fomos seguindo as orientações que tínhamos, e seguimos em direção à parede oposta à que a gente chega, que fica acima da face negativa do Camelo. Foi bom pra termos um pouco mais de vista privilegiada, mas não havíamos ainda encontrado a trilha. Seguimos então em direção à parede onde existem uns buracos (na " corcova do camelo" ) e descendo um pouco chegamos à trilha. Nesse ponto já havíamos chamado o Fabinho no rádio, que estava ali esperando pra terminarmos juntos a descida. Esse finalzinho fizemos usando Depois de uma caminhada pelo cafezal, chegamos satisfeitos à casa da D. Joana. Conversamos mais um tanto, agora com vizinhos e outro filho da D. Joana. Agradecemos pela acolhida, e depois de descansados fomos pro hotel, não querendo nada além de banho.O dia seguinte foi de descanso. A ideia inicial era escalar outra via, a Amigo Imaginário na pedra da Boca, mas minhas pernas não iriam aguentar outros tanto metros de subida e outra trilha de descida. Eu precisava de uma programação mais light, então procuramos uma cachoeira mas não tínhamos informação de que pudéssemos encontrar alguma. Fomos até o bar Cachoeiras Bar, onde certamente haveria uma (rsrs) mas ela estava bem seca então não conseguimos entrar. Tentamos depois chegar a um suposto parque do ICMBio que vimos no GPS, mas não havia nada no lugar de destino. Acho que era só mesmo uma referencia à região como um todo.Voltamos um pouco frustrados para a cidade, mas o que viria a seguir acabaria com qualquer sentimento desagradável que pudesse existir. Passamos no hotel para pegar repelente, e comentamos que iríamos até a rampa de vôo livre só pra ver a paisagem. A Fran e o Miquéias, parentes da D. Lu, se ofereceram para nos acompanhar, já que não seria fácil explicar o caminho. Fomos os quatro. O visual da rampa era exatamente aquilo que eu esperava ver quando decidimos ir a Pancas...esse é o lugar! Fica a uns 15 ou 20 minutos da cidade. Estávamos só nós lá em cima. Assim como na escalada, não tivemos que dividir espaço com uma multidão como eu pensei que seria por ser feriado.
Descemos e voltamos pra cidade. Fomos jantar com os novos amigos em um restaurante mais aconchegante chamado Capone Gastro Bar, que fica na rua Turmalina.No dia seguinte acordamos e fomos atrás novamente de uma cachoeira. Chegamos na estrada perto de uma plantação de café, onde fomos pedir informação para um homem que estava com o carro parado olhando um trator trabalhar. Ele estava desconfiado e depois percebemos que era o dono daquela propriedade, que era exatamente onde ficava a cachoeira, mas não gostava da ideia de irmos visitá-la. Estávamos desistindo quando ele falou que nos levaria até lá. Entrou no nosso carro e fomos. No caminho fomos conversando e acho que ele foi percebendo que éramos só dois turistas querendo ver coisas bonitas. Já na curta trilha da cachoeira ele estava mais simpático, e certamente mais confortável com a nossa presença. Acabamos saindo da cachoeira (que não está aberta a visitação) e fomos com ele até sua casa, passando antes pela área de secagem de café da propriedade, onde ele me mostrou o processo pelo qual os grãos passam depois de colhidos. Chegando em sua casa fomos muito bem recebidos por sua esposa e filhos, e passamos algumas horas conversando com eles, tomando suco, café (é claro) e comendo bolo. Jamais imaginei que aconteceria algo assim quando o encontramos.Finalmente seguimos estrada para Vitória. A viagem foi um pouco mais cansativa do que a ida porque era volta do feriado no domingo, a estrada não é duplicada em sua maior parte, e muitos caminhões de pedra passam por ali, devagar, com blocos gigantescos na caçamba.
Em Vitória fomos dar uma voltinha na Ilha do Boi (onde tem uma pedra com vias de escalada que já conhecíamos) pois ainda tínhamos algum tempinho. Ficamos curtindo a vista da ponte e do mar por alguns minutos, depois fomos almoçar numa hamburgueria deliciosa chamada Rock Burger. Devolvemos o carro na locadora que nos levou de van até o aeroporto, e voltamos para São Paulo. Agora já espero pela próxima ida a Pancas, pra escalar a Amigo Imaginário!