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Travessia do Rancho Caído (Rebouças 𝗑 Mauá)

Travessia do Rancho Caído (Rebouças 𝗑 Mauá)

A Travessia do Rancho Caído no verão, realizada com meus amigos Verônica Reis e Igor de Oliveira Costa.

Trekking Camping

Este é menos um relato e mais uma série de lembranças que me impactaram na travessia. O Igor Costa publicou um relato bem mais completo aqui no AventureBox: aventurebox.com/igor-oliveira/travessia-do-rancho-caido-no-verao

Quer saber mais detalhes da organização da nossa trilha? Confere o material que postamos no Notion com custos, dicas de translado, equipamentos e de camping.

A Travessia do Rancho Caído é uma trilha do Parque Nacional do Itatiaia (RJ) normalmente relizada em dois dias com pernoite no acampamento que dá nome ao trajeto. A trilha, também conhecida como Travessia Rebouças 𝗑 Mauá, atravessa o parque de oeste a leste, bifurcando à noroeste ante ao pico das Agulhas Negras (2792m), contornando a Pedra do Altar (2665m), passando perto da gigantesca Cachoeira Aiuruoca e, após intensa descida da serra, terminando no pequeno povoado de Maromba (RJ). O caminho total dá por volta de 20km.

Igor Costa, Verônica Reis e eu encaramos a travessia no verão, na contramão daqueles que geralmente se aventuram por essa região. Sabíamos que, apesar das temperaturas mais amenas (cerca de 10 °C), as chuvas seriam intensas e, assim, estávamos preparados para ficar totalmente ensopados.

Se estávamos prontos para a água que cairia do céu, não contávamos com aquelas, cristalinas, que vertiam do solo e singravam montanha abaixo, alagando o caminho e, por vezes, reclamando para si as próprias picadas. Pulamos inúmeros ribeirões (e chegamos a falhar nesses pulos, a Verônica e eu). A cada transposição, a próxima parecia ainda mais desalentadora. Contei quatro – os mais caudalosos – só nos infindos 1,5km que nos separavam do Rancho Caído, onde acamparíamos de sábado para domingo.

Nossa chegada foi o oposto de triunfante: molhados, exaustos, nos embrenhamos pelas taquaras e executamos os movimentos já praticados mentalmente: erguer a barraca e criar um avanço, à guisa de cozinha, usando os ponchos que mais cedo nos protegiam da chuva. Cozinhamos e nos pusemos a dormir. Entre o sono e o sonho, os pingos de chuva no sobreteto me deram a distinta impressão de festa e vozes ao longe, enquanto a Verônica lutava com o frio considerável, dada a umidade, e o Igor quedava deitado, atento aos sons da suçuarana.

Por volta das 7 da manhã me meti para fora da barraca e qual não foi minha satisfação ao ver que o sol tinha dado a cara, levantando-se faceiro por detrás do morro. Essas simples aparições de elementos tão essenciais – o sol, a roupa seca, o almoço quente enquanto envoltos pela neblina na Pedra do Altar –, aliás, provocavam uma enorme satisfação. Tratei logo de colocar todas as nossas possessões na pedra banhada de luz e calor, para que secassem antes que encarássemos as escorregadias descidas do dia final da travessia.

Saímos por volta das 11h00, nos sentido afortunados por enfim ver montanhas e céus limpos. Logo a trilha nos levou a um mirante de onde pudermos ver as longínquas extensões da Serra da Mantiqueira, tão majestosa quanto aparentemente intransponível. Deixamos os campos de altitude para trás e nos metemos cada vez mais em mata atlântica fechada, onde avistamos sapos muito maiores que os pequenos flamenguinhos que proliferavam nas inóspitas altitudes. Não passava das 16h quando chegamos à vila de Maromba e começamos a ouvir sons das pessoas que, infelizmente, se aglomeravam na Cachoeira do Escorrega, uma das várias atrações proporcionadas pelo Rio Preto, cuja nascente havíamos transposto. De alguma maneira, as indiferentes montanhas e vales me pareciam oferecer melhor companhia do que os bares ruidosos que competiam, com música cada vez mais alta, pela atenção dos passantes.

Rafael
Rafael

Published on 02/22/2021 16:06

Performed on 02/22/2021

1 Participant

Igor de Oliveira Costa

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