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Travessia da Serra Fina - 4 Dias

Travessia da Serra Fina - 4 Dias

Relato completo com dicas de uma das travessias mais difíceis do Brasil, na Serra da Mantiqueira, divisa entre São Paulo e Minas Gerais.

Mountaineering Trekking

A travessia da Serra Fina é conhecida como uma das mais difíceis do Brasil, não apenas pela distância (aproximadamente 33.5Km) mas também pelas condições climáticas e a caminhada intensa pelos pontos culminantes da Serra da Mantiqueira, durante os 4 dias do trajeto clássico, que sai de Passa Quatro - MG até a Rodovia próximo a Itamonte - MG.

Participaram desta travessia Bruna Fávaro, eu e Jeff Almeida.

Preparação

A preparação para travessia, além de treinamento físico alguns meses antes, envolveu duas trips na temporada de 2015: a Travessia Marins x Itaguaré com Leo Francini; e algumas caminhadas no Parque Nacional do Itatiaia - PNI, como Agulhas Negras e Couto x Prateleiras.

É recomendado um bom preparo físico e equipamentos técnicos para realizar a travessia da Serra Fina com tranquilidade. A relação completa de equipamentos que utilizamos pode ser vista aqui no item Checklist.

Relato

Nos encontramos em São José dos Campos, um dia antes de começar a travessia, e seguimos de carro até a cidade de Passa Quatro no Sul de Minas Gerais, onde nos hospedamos no hostel Harpia. Fomos muito bem recebidos pela Dona Doca, uma senhora carismática que acolhe como uma mãe todos aventureiros.

No hostel fizemos os últimos preparativos, dividimos alguns itens nas mochilas, deixamos o carro e passamos a noite para iniciar a trilha na madrugada do dia seguinte.

Primeiro Dia - Início da Trilha até Acampamento Maracanã

O dia começou às 5h30 com um café reforçado preparado no fogão a lenha pela Dona Doca (maravilhas de Minas Gerais) e logo chegou o Edinho, que fez o translado de caminhonete até o início da trilha.

Saindo da rodovia, aproximadamente 30 minutos de estrada de terra bem esburacada, passamos a ponte depois do Hotel Refúgio Serra Fina, onde começa a trilha.

A trilha começou com uma boa subida e 25 minutos depois chegamos a Toca do Lobo, uma gruta e um riacho que corta a trilha. De lá, seguimos mais 1h até o Quartzito, ponto importante onde pegamos toda água necessária para quase dois dias de caminhada, incluindo um acampamento.

A pequena cascata fica alguns metros saindo pela direita da trilha principal (trilha bem aberta que começa com uma descida de barranco). Abastecemos 2.5L cada um e seguimos mais um trecho de 1h até o Morro do Cruzeiro, uma linda vista da crista que segue até o alto do Capim Amarelo, onde faríamos o primeiro acampamento.

Seguimos a crista, subimos até o Capim Amarelo em aproximadamente 3h, passando por trechos de capim alto e "barrancolaminhadas", com ajuda de cordas que ficam na trilha, próximo ao cume.

Como chegamos cedo, por volta das 13h, resolvemos seguir mais um trecho e fazer o primeiro acampamento no Maracanã, descampado que fica cerca de 1h40 descendo o Capim Amarelo.

A área de acampamento do Maracanã é muito boa, adiantar esse trecho no primeiro dia é uma boa estratégia para reduzir um pouco intensidade do segundo dia.

Durante a noite, recebemos a visita de um camundongo que furou uma das mochilas que estavam fora da barraca e comeu parte do pão do café da manhã rsrs. Em todos os outros acampamentos também tivemos mais visitas e mochilas furadas por camundongos. Fica a dica para tomar cuidado com alimentos fora da barraca.

Segundo Dia - Maracanã até a Pedra da Mina

Saimos por volta das 8h30 da manhã do acampamento e começamos a caminhada. O segundo dia passa por várias cristas com trechos de escalaminhada em pedras e mato alto com bambus e galhos entre uma crista e outra.

Nesse dia o tempo começou a ficar fechado com nuvens e neblina, mas durante o dia tivemos várias janelas de sol que permitiam vislumbrar a Serra Fina.

Deixando a vista do Capim Amarelo para trás e seguimos por aproximadamente 4h até a base da Pedra da Mina, onde se encontra o riacho da nascendo do Rio Claro.

Os 2.5L de água foram suficientes para o trecho do Quartzito até o Rio Claro, mas não pegamos muito sol, pode ser que com tempo mais quente 3L ou um pouco mais sejam mais seguros para evitar desidratação.

No Rio Claro, abastecemos menos, cerca de 2L cada um, mais que o suficiente para subir a Pedra da Mina, acampar e andar mais um trecho de um pouco mais de uma hora no dia seguinte.

Seguindo do Rio Claro iniciamos com tempo bem fechado e úmido a subida da Pedra da Mina, um trecho bem cansativo que levamos cerca de 1h20 até o cume.

Chegando ao cume, aos poucos, o tempo começou a abrir e tivemos o privilégio de assinar o livro do cume com uma vista linda do por do sol e o mar de nuvens cobrindo parte da Serra da Mantiqueira.

Durante a noite, começamos a perceber o vento aumentando e na manhã seguinte além do frio o tempo estava fechado, não conseguimos ver o tão famoso nascer do sol na Pedra da Mina.

Terceiro Dia - Pedra da Mina até o Acampamento dos Bandeirantes

O terceiro dia começou com tempo fechado e terminou muito fechado rsrs. Na minha opnião foi um dos dias mais difíceis, não tivemos nenhuma vista dos vales, somente alguns metros de visibilidade durante toda a trilha. Muito vento, tempo úmido e frio.

Saindo da Pedra da Mina a trilha desce pela encosta na direção do Pico das Agulhas Negras, que pode ser avistado ao longe com tempo aberto. Logo ao descer a Pedra da Mina, chegamos ao pitoresco Vale do Ruah, um pequeno vale perdido no meio da serra, sem nenhuma árvore, apenas um capim alto e seco com solo encharcado.

No final do Vale do Ruah, fica o riacho da nascente do Rio Verde. A trilha segue pela direita do riacho por um bom trecho e no final é preciso se abastecer de água novamente. Este ponto é importante pois a água deve durar quase até o final da trilha.

Depois de abastecer, cerca de 2.5L cada um, começa a subida por um trecho de capim. Depois de algumas subidas e descidas pelas cristas, que devem ser lindas com tempo aberto, passamos por trechos de mato alto e bambus até começamos a subir o Pico dos Três Estados, ponto onde faríamos o terceiro acampamento.

No meio da tarde, antes de chegar ao pico, o tempo começou a ficar muito fechado, a visibilidade diminuiu ainda mais e o vento aumentou bastante.

Chegamos no Pico dos Três Estados depois de aproximadamente 6h30 caminhando devagar por conta do vento e algumas paradas. Decidimos não acampar no pico já que o vento continuava aumentando muito.

Seguimos mais 50 minutos, até chegar no Acampamento dos Bandeirantes, uma área pequena para emergências.

Foi o tempo de chegar e armar a barraca com muito vento frio. Mas o que não poderia piorar, PIOROU MUITO! rsrs. Essa noite foi feia, ninguém dormiu, o vento ficou tão forte que chegava a entortar as varetas das barracas com as rajadas, começou a chover e com a intensidade do vento a capa não suportava e deixava respingar dentro da barraca. Tivemos que improvisar um jantar com muito cuidado e passar a noite segurando as laterais da barraca. Foi TENSO!

Quarto Dia - Acampamento dos Bandeirantes até a Rodovia

Depois de uma noite tranquila e agradável #sqn, "acordamos" na primeira luz do dia e começamos a levantar acampamento para seguir o último trecho, antes que a Serra Fina nos preparasse outra surpresa.

Pegamos a trilha passando por trechos de capim, mato alto, bambu e escalaminhada, mas nada disso foi tão crítico como a força do vento nas cristas. Eu nunca presenciei um vento tão forte! As rajadas carregadas de umidade não permitiam caminhar normalmente, foi preciso usar a força contrária do corpo e se apoiar nos bastões para conseguir caminhar lentamente nas pedras.

Em alguns momentos as rajadas ficavam tão fortes que era preciso sentar no chão e se apoiar atrás de uma pedra pra não ser arremessado. (Eu juro que não estou sendo trágico, foi FODA! rsrs).

Depois de seguir lentamente nessas condições, chegamos ao vale das bromélias, onde começa a parte abrigada do final da descida.

Daí pra frente foi passeio no parque, depois de todo perrengue, chegamos na bica com água de sobra. Levamos 5h40 até a bica e mais 1h até o final da trilha na Rodovia. ufaa! Só descansar e esperar o resgate do Edinho.Considerações Finais

Realmente foi uma das travessias mais difíceis pra mim, estarmos todos preparados e com uma boa sinergia foi fundamental para terminar bem.

Vou guardar na lembrança uma Serra Fina sedutora e temperamental, que mostras suas curvas, te encanta com sua beleza, depois agita seu cabelo, te dá um tapa na cara e no final te oferece flores ;)

Quilometragem: 33.5 Km

Duração: 4 Dias

Acampamentos: 3

Hospedagem: Hostel Harpia

Translado / Resgate:

Edinho: Vivo (35) 9963-4108 – TIM (35) 9109-2022 - Residencial (35) 3371-1660
Carlos Moura (mantiex.com.br): contato@mantiex.com.br (12) 98109 - 3292

Mochilas Furadas por Camundongos: 2 :)

Renan Cavichi
Renan Cavichi

Published on 07/16/2015 21:23

Performed from 07/06/2015 to 07/09/2015

2 Participants

Bruna Fávaro Jeff Almeida

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Renan Cavichi
Renan Cavichi 08/21/2015 09:20

Hahahaha Valeu Iza, :b sobre seu projeto, acho que com um bom treino dá pra fazer sim! Por coincidência fizemos algumas trilhas no PNI algumas semanas antes. Essas trilhas do PNI são de um dia com mochila de ataque, então só de não ter o peso da cargueira já fica bem mais tranquilo! Fique atenta no PNI com os feriados... lá enche muito e algumas trilhas ficam lotadas :/ principalmente o cume da Agulhas Negras. Se puder tente evitar os feriados! Sobre a ordem eu faria a Serra Fina primeiro mesmo rsrsrs chegar lá cansado não é uma boa, até por uma questão de segurança se der algum problema! PNI tem guardas e bastante gente, então fica mais tranquilo.

Iza Dourado
Iza Dourado 08/25/2015 20:59

Era desse apoio que eu estava precisando...hahaha...valeu!

Lucas Andrade
Lucas Andrade 11/11/2015 11:48

Verdade viu, o apoio certeiro! Parabéns pelo relato e a viagem né!rs Me ajudou bastante, estou me programando para fazer!

Lucas Andrade
Lucas Andrade 11/11/2015 11:51

Show de fotos!

Renan Cavichi
Renan Cavichi 12/21/2015 14:18

Não tinha visto sua mensagem Lucas, rsrs! Valeu, obrigado! Qualquer dúvida só dar um toque! Abraços

Bruna Fávaro
Bruna Fávaro 03/06/2016 19:00

Fiquei pensando aqui relendo esse relato. Nem na imprevisível e furiosa Patagônia eu peguei um vento tão forte como esse... puta merda, que perrengue rsrsr

Renan Cavichi
Renan Cavichi 03/19/2016 10:22

Tá vendo! Patagônia é fichinha! :b rsrs

Renan Cavichi
Renan Cavichi 06/24/2016 14:06

Olha aí o vídeo completo agora! Atualizado o post! ;)

Renan Cavichi

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