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Pacific Crest Trail - Deserto

Pacific Crest Trail - Deserto

Primeiro trecho da nossa jornada pela Pacific Crest Trail, o Deserto, Southern Terminus até Kennedy Meadows.

Trekking Long Distance Mountaineering

A Pacific Crest Trail (PCT) é uma das mais famosas trilhas de longo curso do mundo. Seu trajeto conecta o México ao Canadá, cruzando as montanhas da Costa Oeste dos Estados Unidos por mais de 4 mil quilômetros. Recém casados, desejosos de vivenciar uma jornada de muito tempo em contato com a natureza, eu e Bia começamos a cogitar algumas possibilidades. Um belo dia ela virou para mim:

- Porque não vamos para a PCT?

Assim surgiu o projeto Caminho a Dois. Definimos três objetivos claros para nós: vivenciar a desconexão, o minimalismo e o mínimo impacto. Como a ideia não era viver um ano sabático e sim viver um processo de sinergia para reorganizar nossas vidas, criamos um projeto para trabalhar juntos. Assim, definimos mais três objetivos: produzir um documentário (o terceiro da nossa história), uma exposição fotográfica e um livro (disponivel no site caminhoadois.com.br)

No documentário, trabalharemos em cima das diversas entrevistas que realizamos com os trilheiros que encontramos no caminho. No livro, relatamos a nossa história, sem desejar manualizar a jornada. Nas fotos, estarão nossa visão e sentimentos.

Aqui no Aventurebox, pretendo relatar o campo do "COMO". Minha intenção é deixar claro nossas decisões logísticas e o planejamento que preparamos e executamos.

Devido a dimensão dessa travessia, que cruza um país continental, transformamos nossa meta em objetivos intermediários. A PCT foi dividida em cinco: os estados do Washington e Oregon, balizados por suas divisas, eram os dois últimos trechos; a california foi dividida em três - Deserto (a porção sul), Sierra Nevada (central) e Norte da Califórnia. Essa medida, além de nos trazer a alegria de ver as etapas sendo superadas, facilitou as decisões logísticas.

Números PCT - Deserto

  • Distância da fronteira com México: 1130,1 km
  • Distância total do Deserto: 1130,1 km
  • Altimetria positiva acumulada: 26898 m
  • Altimetria negativa acumulada: 28720 m
  • Dias: 55
  • Período: 5 de abril à 29 de maio
  • Média km/dia total: 20,5 km
  • Zeros (dias sem andar): 6 dias
  • Neros (distância < 15 km): 8 dias
  • Média km/dia andados: 23 km
  • Dia mais longo: 35,3 km
  • Dia mais curto: 2km
  • Dia mais quente: 39º C
  • Dia mais frio: -7º C

Logística

Uma das maiores dificuldades na primeira fase da PCT é chegar no início da trilha. Voamos do Rio para SP e de lá para Los Angeles onde pegamos um trem para San Diego. Ficamos hospedados na casa do Scout e da Frodo, um casal de trail angels (voluntários que ajudam os trilheiros) que nos hospedou e deu o suporte inicial, nos levando até o começo da trilha.

Bia, Scout e Edinho

Material

No checklist é possível ver todo o material que utilizamos no trecho do Deserto.

Ressuprimento

Como a trilha passa pelas cristas das montanhas, para acessar cidades e vilas e reabastece nossa comida, via de regra, tínhamos que descer das montanhas desviando para o local mais conveniente. Existiram diversas situações, pegamos caronas para acessar cidades, andamos por trilhas fora da PCT, pegamos ônibus e até uber.

Pontos de ressuprimento no Deserto

  • Lake Morena
  • Mount Laguna
  • RV Stagecoach
  • Mountain Valley Retreat
  • Warner Springs Community Center
  • Paradise Valley Cafe
  • Idywild
  • Big Bear
  • Cajon Pass
  • Wrightwood
  • KOA Acton
  • Agua Dulce - Hiker Heaven
  • Green Valley - Casa de Luna
  • Hiker Town - We Vill
  • Lake Isabela
  • Kennedy Meadows

Deserto

O deserto foi uma grande surpresa. Ao ouvir, ler ou dizer deserto, vem à cabeça o clima árido e a paisagem marrom com areia e pedras. Quando na verdade o deserto do sul da Califórnia é bem diferente. A ansiedade e as expectativas de iniciar uma jornada tão longa e dura também ajudaram a imaginar um caminho mais exigente do que encontrado.

Um ponto de muita dificuldade é a escassez d’água. O que demanda um estudo e um planejamento detalhado para evitar a desidratação. Consultamos o PCT water report e as informações do App Guthook para esse fim e foi suficiente.

Para amenizar o desafio da água, alguns trail angels (voluntários que apoiam os trilheiros) deixam cachês de água próximo a trilha. Por diversas vezes encontramos várias garrafas com bilhetes de happy trails. Uma surpresa muito agradável diante daquele cenário.

Outra surpresa significativa foi perceber a influência da variação vertical no ecossistema e observar no terreno o efeito rain shadow. Segundo uma fórmula, cada 1.000 pés de variação vertival equivale a um deslocamento de 170 milhas para o norte. Nessa mudança, a temperatura também variava bastante. Logo nos primeiros dias, deixando o calor do Hauser Creek e nos deparando com um vento frio e muitas nuvens no Mount Laguna, constatamos a veracidade desse dado.

O efeito rain shadow ocorre com o avanço da massa de ar úmida do Oceano Pacífico para leste. Ao se deparar com a cadeia de montanhas, essa massa de ar começa a subir e perder força. Como a elevação é muito grande, ela precipita ocasionando uma área verde e úmida à oeste das elevações e desertos áridos à leste. Saindo de Mount Laguna, caminhando numa crista, nos espantamos com isso.

Vegetação

A vegetação no deserto, devido a essa variação vertical, é bem heterogênea. Percorremos trechos de areia fofa e pedras, com alguns cactos. Percorremos trechos tomados por um tapete de chaparral, uma vegetação caracterizada por emaranhados de arbustos pequenos e médios. Nos lugares mais altos, encontramos florestas de pinheiros, chegando a ver neve nas proximidades de Idywild e do Mount San Jacinto. Mais ao norte, próximo aos desertos de Tehachappi e Mojave, também nos deparamos com inúmeras Joshua Tree. Uma surpresa muito boa foram as flores. Encontramos várias, de diversas cores e em diferentes ocasiões. Ficamos encantados.

Animais

Em relação aos animais a surpresa ficou por conta dos pássaros. De diferentes tamanhos e cores, desde pica-pau a águias. Também nos deparamos com muitas cobras, a maioria cascavel. No primeiro dia, antes do almoço já tínhamos encontrado a primeira. Uma cobra enorme que deixou Bia bem tensa e receosa. Porém, por volta do trigésimo dia, ela já nem se importava tanto com as cobras. Inúmeros calangos e muitos esquilos também cruzaram nosso caminho. Não encontramos ursos, mas um casal de amigos muito próximos de nós teve uma experiência inesquecível. Esqueceram de pendurar a comida e receberam uma visita de um urso fungando na barraca deles. Todos no acampamento começaram a gritar e bater palmas e o urso acabou se afastando assustado.

Orientação e Navegação

No trecho do deserto, a trilha não é técnica. O balizamento é claro e bastante intuitivo, facilitando muito a orientação. Utilizamos o aplicativo Guthook em dois telefones e conduzimos um GPS de backup. Como no aplicativo tínhamos a carta topográfica, optamos por não levar papel. Foi uma decisão tomada por considerar que tínhamos painel solar, dois powerbanks, dois telefones e um GPS de backup. O "problema" em relação ao aplicativo é que apesar da navegação funcionar sem sinal telefônico, às vezes o satélite não atualizava e a seta indicadora do nosso local ficava em uma posição errada. No entando, eu utilizava o painel da carta para navegar como se fosse um mapa.

Como a trilha é pelas cristas das montanhas, com muitas subidas, descidas, existem muitas informações no relevo que facilitam bastante a orientação pelo processo carta-terreno. O aspecto desafiador é encarar infinitas subidas e descidas. No entanto, apesar de variar muito na altimetria existem poucas subidas íngrime. Em geral, nos momentos de grande variação vertical, a trilha se desenvolve em zigue-zagues que suavizam o aclive.

Condicionamento Físico

Aproveitando da minha experiência com macro-ciclos de ultra trail (ultramaratonas de montanhas) fiz um planejamento para concluir a PCT em seis meses. Logo, considerei o período do deserto como um trabalho de base.

Levando em conta que nosso condicionamento estava bem aquém do ideal. Apesar de termos um certo lastro nos esportes, Bia teve uma lesão no tornozelo sete meses antes do início da trilha e parou de treinar. Para completar, dois meses antes do início da jornada fez uma cirurgia para extrair o apêndice, reservando a véspera da nossa caminhada para se recuperar da intervenção médica.

Assim, começamos respeitando bastante nossos limites. Muitos preocupados com a alimentação e principalmente com a hidratação e o descanso. Em toda a PCT, ficamos sem andar (dias de zero) em nove dos 166 dias. Desses dias, seis foram no trecho do deserto.

Comida e água

A solução para a escassez de água era carregar muitos litros. Em algumas situações precisamos carregar 6 litros cada um. Nosso cálculo era 1 litro de água a cada 8 km, além de 1 litro para dada uma das refeições. A alimentação era dividida em café, almoço e janta. Ao longo do dia, de 2 em 2 horas comíamos algum snack, normalmente chocolate.

O café, nessa fase inicial, era uma mistura de aveia e breakfast essentials (uma mistura de cereais e vitaminas). O almoço variava entre tortilha com sardinha ou bagel everything um pão parecido com rosquinha com várias sementes. Para jantar, macarrão instantâneo com purê de batata.

Destaques do deserto

  • Mountain Valley Retreat
  • Paradise Cafe
  • Idyllwild
  • Mount San Jacinto
  • Mount Baden Powell
  • Whitewater Preserve
  • Falha San Andreas
  • Deserto Mojave
  • Deserto Tehachappi
  • Pássaros
  • Cobras cascavéis
  • Trail Angels
  • Hiker Heaven
  • Casa de Luna
  • Kennedy Meadows

A PCT foi uma jornada incrível e transformadora para nós. Qualquer um que tenha interesse em viver algo parecido e deseja trocar ideias sobre. Fique à vontade para questionar. Além do nosso perfil do Aventurebox, também temos o site suacasaeomundo.com.br , além de facebook e instagram.

A todos, bons ventos e aquele abraço!

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Paula @mochilaosabatico
Paula @mochilaosabatico 03/22/2019 03:28

Show! Adorei o relato!!!!!

Peter Tofte
Peter Tofte 03/22/2019 09:03

Lindas imagens, excelente relato. Parabéns!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 03/22/2019 12:32

Salve Edinho! Muito show o relato, com fotos incríveis. Sem dúvida alguma, uma jornada inspiradora!! Parabéns!

Renan Cavichi
Renan Cavichi 03/25/2019 11:36

Fantástico! Viajei com vocês ontem curtindo todos os registros!

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Criador do Sua Casa é o Mundo. Apaixonado por viagens, atividades ao ar livre e esportes de aventura. Acredita que sonhar é importante e realizar sonhos é fundamental.

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