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Pacific Crest Trail - Sierra Nevada

Pacific Crest Trail - Sierra Nevada

Segundo trecho da nossa jornada pela Pacific Crest Trail, as altas montanhas da Sierra Nevada.

Trekking Long Distance Mountaineering

Esse relato é a parte 2 de 5. Se você já leu o Pacific Crest Trail - Deserto pule para depois da primeira foto.

A Pacific Crest Trail (PCT) é uma das mais famosas trilhas de longo curso do mundo. Seu trajeto conecta o México ao Canadá, cruzando as montanhas da Costa Oeste dos Estados Unidos por mais de 4 mil quilômetros. Recém casados, desejosos de vivenciar uma jornada de muito tempo em contato com a natureza, eu e Bia começamos a cogitar algumas possibilidades. Um belo dia ela virou para mim:

- Porque não vamos para a PCT?

Assim surgiu o projeto Caminho a Dois. Definimos três objetivos claros para nós: vivenciar a desconexão, o minimalismo e o mínimo impacto. Como a ideia não era viver um ano sabático e sim viver um processo de sinergia para reorganizar nossas vidas, criamos um projeto para trabalhar juntos. Assim, definimos mais três objetivos: produzir um documentário (o terceiro da nossa história), uma exposição fotográfica e um livro (que está com uma campanha no catarse até o fim de março - catarse.me/caminhoadois)

No documentário, trabalharemos em cima das diversas entrevistas que realizamos com os trilheiros que encontramos no caminho. No livro, relatamos a nossa história, sem desejar manualizar a jornada. Nas fotos, estarão nossa visão e sentimentos.

Aqui no Aventurebox, pretendo relatar o campo do "COMO". Minha intenção é deixar claro nossas decisões logísticas e o planejamento que preparamos e executamos.

Devido a dimensão dessa travessia, que cruza um país continental, transformamos nossa meta em objetivos intermediários. A PCT foi dividida em cinco: os estados do Washington e Oregon, balizados por suas divisas, eram os dois últimos trechos; a california foi dividida em três - Deserto (a porção sul), Sierra Nevada (central) e Norte da Califórnia. Essa medida, além de nos trazer a alegria de ver as etapas sendo superadas, facilitou as decisões logísticas.

Números PCT - Sierra Nevada

  • Distância da fronteira com México: 1636,6 km
  • Dias do início: 84
  • Distância total da Sierra: 506,6 km
  • Dias na Sierra Nevada: 28
  • Período: 31 de maio à 27 de junho
  • Média km/dia Sierra:19,8 km
  • Média km/dia andados Sierra: 21,3
  • Altimetria positiva acumulada: 20873 m
  • Altimetria negativa acumulada: 18531 m
  • Zeros (dias sem andar): 2
  • Neros (dias com a distância < 15 km): 5
  • Dia mais longo: 32,9 km
  • Dia mais curto: 5,2 km
  • Temperatura mais quente: 28º C
  • Temperatura mais fria: -15º C

Sierra Nevada

A Sierra Nevada era um dos pontos mais esperados por nós. A ansiedade de se aventurar na neve, o medo da altitude e o desafio de longos dias sem sair da trilha faziam desse trecho uma grande incógnita. Repleto de dúvidas e incertezas, saímos de Kennedy Meadows para descobrir as maravilhosas montanhas da Califórnia.

Bem diferente do trecho anterior, o deserto, a trilha na parte da Sierra Nevada é bastante técnica e desafiadora. A começar pelos efeitos da altitude. Grande parte do tempo caminhamos acima dos 3.000 m. O trajeto começa no Parque Nacional da Sequoia, saindo de Kennedy Meadows a 1.874 m e já no primeiro dia chegamos a 3.078 m.

Outro aspecto que demanda atenção é a progressão na neve. A trilha na Sierra Nevada se estende no sentido Sul-Norte, subindo e descendo montanhas. Basicamente, descemos no fundo dos vales e subimos até regiões de passagens conhecidas como Pass. O pass é o ponto na montanha onde é possível transpor da face sul para a face norte. Algumas vezes esse lugar não chega a ser o cume da montanha, mas é bem próximo disso.

Devido a altitude e a época que cruzamos a serra, as regiões mais altas estavam tomadas por neve. Para progredir em segurança e de maneira confortável, o ideal é transitar na neve nas primeiras horas do dia para que ela esteja bem densa e compacta, facilitando a caminhada. À medida que o sol aquece, o gelo começa a derreter e a neve fica menos densa. Quando pisamos, acontece o que os americanos chamam de post holing. A pressão do pé na neve a compacta, afundando. Quão mais tarde, mais complexo é para progredir.

Nas partes mais baixas, o desafio deixa de ser a neve e passa a ser atravessar os rios. Alguns deles são bem fortes pois também recebem a água do degelo da neve. Os rios mais difíceis foram o Evolution Creek e o Bear Creek, ambos com água entre o joelho e a cintura e com a correnteza relativamente forte.

Fora a dificuldade com a altimetria, para caminhar na neve e para travessar os rios, as subidas e descidas íngremes, os trechos de pedras soltas e a dificuldade para se orientar nos permitem classificar o trecho da Sierra Nevada como entre médio e difícil.

Material


A obrigatoriedade de conduzir o bear canister - um recipiente para armazenar a comida protegendo-a dos ursos e os ursos da comida - é a principal diferença. Também implementamos os micro-spikes uma corrente que adaptamos nos tênis para progredir na neve. Eu comprei uma piqueta porque era mais barato que um par de bastões. Como só tinha um bastão, achei que valia a pena. Bia manteve com um par de bastões e foi suficiente.

imagina 11 dias de comida nesse pote azul =D

Ressuprimento

A decisão de ficar 11 dias sem reabastecimento foi bem custosa. Principalmente pela obrigatoriedade da comida estar dentro do Bear Canister. Basicamente separamos dois ziplocs gigantes, em um quebramos miojos, no outro colocamos purê de batata em pó. Para café da manhã levamos aveia e durante o dia comemos chocolate. A moça do mercado me perguntou se meus pais sabiam que eu estava comprando aquilo tudo de besteiras. =D

Pontos de ressuprimento no Deserto

  • Lone Pine (refeições, mercado e material)
  • Vermilion Valley Resort (snacks e refeições)
  • Mammoth Lakes (refeições, mercado e material)
  • Kennedy Meadows North (refeições e snacks)

Material

Checklist

Paisagem e Animais

A Sierra Nevada é incrivelmente linda! Começando pelo Parque Nacional das Sequóias e aquelas imensas e lindas árvores, passando pelas montanhas nevadas, os lagos e as águas de degelo, e os enormes e lindos vales. Tudo muito lindo! Os infinitos esquilos, as marmotas brincando na neve, os veados que sempre apareciam nas regiões alagadas.

O aspecto que não gostamos nem um pouco aconteceu mais para o final, principalmente nos vales e lagos. São os mosquitos. Milhares, em nuvens, como nunca tínhamos visto. Em alguns trechos chegamos a andar com as roupas de chuva para evitar as picadas. Pois com as roupas normais eles picavam por cima da roupa. Não teve a surpresa do deserto mas teve a confirmação da beleza que imaginamos.

Fizemos uma side trip que apesar de desgastante foi incrível. Celebramos dois meses de trilha no cume do Mount Whitney, o ponto mais alto dos EUA fora do Alasca.

Whitney na madrugada

Orientação e Navegação

No trecho da Sierra, a trilha é técnica. O balizamento é claro e bastante intuitivo mas, com a neve todas as marcas somem. O aplicativo Guthook nos telefones ajuda muito porque a localização do GPS do telefone independe de sinal. Porém, em vários trechos não funcionou bem. A solução era abrir a carta topográfica do aplicativo e navegar no processo carta-terreno. As infintas montanhas, com cumes que se destacavam no horizonte, eram ótimas referências para orientar. As curvas de nível e a clara identificação dos pontos cardeais tornavam a navegação intuitiva mas não era tão simples como no deserto. Outro aspecto que observamos foi uma drástica diminuição do fluxo de pessoas na trilha.

Condicionamento Físico

Começamos a observar um aumento exponencial da nossa capacidade. Os mais de mil quilômetros do deserto nos prepararam para os desafios da Sierra. Bia demorou um pouco mais para se adaptar à altimetria. Os primeiros dias acima dos 3.000 m foram desafiadores. Um aspecto que pegou para ela foram as transposições de rios. O peso das mochilas, principalmente nos primeiros dias da estratégia de comida, também foi um aspecto bem desafiador.

Destaques da Sierra Nevada

  • Mount Whitney
  • Forester Pass
  • Marmotas
  • Muir Pass
  • Rae Lakes
  • Evollution Lake
  • Selden Pass
  • VVR
  • Mammoth Lakes
  • Devils Postpile
  • Yosemite
  • Donohue Pass

A PCT foi uma jornada incrível e transformadora para nós. Qualquer um que tenha interesse em viver algo parecido e deseja trocar ideias sobre. Fique à vontade para questionar. Além do nosso perfil do Aventurebox, também temos o site suacasaeomundo.com.br , além de facebook e instagram.

A todos, bons ventos e aquele abraço!

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Edinho-Sua Casa É O Mundo
Edinho-Sua Casa É O Mundo 03/30/2019 05:57

Usamos a Duplex da Zpacks. Ela foi concebida para armar com o bastão mas é possível adquirir um acessório extra para montar sem. O ponto positivo é o peso. Pesa cerca de 650 g.

Paula @mochilaosabatico
Paula @mochilaosabatico 03/31/2019 08:44

Adorei!!! Estamos pensando em conhecer essa região. Espero que dê certo. Final de junho, quando vcs estavam saindo de Sierra Nevada, havia muita neve?

Edinho-Sua Casa É O Mundo
Edinho-Sua Casa É O Mundo 03/31/2019 22:45

Oi Paula. Pegamos bastante neve no começo, na parte mais alta, entre Lone Pine e VVR. Acredito que final de junho, julho deve ser mais tranquilo. ;)

Renan Cavichi
Renan Cavichi 04/01/2019 19:42

Que massa, vou pesquisar! Não conhecia!

Luiz Fernando
Luiz Fernando 08/26/2019 22:11

Fotos incríveis meu chapa! E as paisagens estão fiéis ao que imaginei com o livro! hahaha Um Abraço!!

Edinho-Sua Casa É O Mundo
Edinho-Sua Casa É O Mundo 09/13/2019 19:23

Valeu Nando! Abração meu irmão!!!

Samuel Oscar
Samuel Oscar 11/11/2019 19:31

Idoloooooooooooooooooo

Edinho-Sua Casa É O Mundo
Edinho-Sua Casa É O Mundo 11/12/2019 13:12

Hahahahaha!!! 🤟🏾ídolo/fã Manolo!!!

Edinho-Sua Casa É O Mundo

Edinho-Sua Casa É O Mundo

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Criador do Sua Casa é o Mundo. Apaixonado por viagens, atividades ao ar livre e esportes de aventura. Acredita que sonhar é importante e realizar sonhos é fundamental.

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