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Pedalando na América Austral  #01

Pedalando na América Austral #01

Uma cicloviagem rumo ao extremo sul!!!

Bike Trip

Eu iniciei o primeiro post dessa viagem no meu antigo blog com a frase "Sim, essa viagem será a realização de um grande sonho..." aqui eu digo, "Foi a realização de um sonho", então dando continuidade a reciclagem de post extinto blog aqui para o Aventurebox, trago uma série de relatos que fiz durante a viagem, aqui pretendo adicionar mais informações com algum material que não tenha ido para o blog, além da reciclagem básica dos post para manter o registro do que já foi contado. Já re-publiquei o post trekking no Parque Torres del Paine que realizei durante essa cicloviagem, em momento oportuno vou colocar uma lista dos posts relacionados.

Introdução

Desde que comecei a pedalar e ter o interesse em cicloturismo, pesquisava um pouco sobre grandes viagens, a vontade de cair no mundo e "explorar o desconhecido" foi crescendo e tomando forma, viajar, aventura-se, vivenciar e viver uma viagem de bicicleta com data para iniciar e sem data certa para terminar, com roteiro predefinido mas mutável, sem saber onde iria parar para dormir a cada dia, sem medo de conhecer o que a estrada me traria no dia seguinte, também sempre foi um sonho conhecer um pouco da Patagônia, um sonho mais velho que a viagem de bicicleta em si, um sonho que remete a minha adolescência pelo que me lembro quando tomei conhecimento do que era a Patagônia através de um documentário. Acho que se passaram alguns anos mantendo esses sonhos de lado, adormecidos e com foco em outras coisas, até que em 2015 decidi realiza-los, deixando meus pais de cabelo em pé ao contar sobre meus planos.

Dei a viagem o nome Pedalando na América Austral, um nome longo e justificado, pois meu blog onde divulgava essa e outras aventuras se chamava Pedalando Bicicletas, a segunda parte do nome é América do Sul apenas trocando a palavra Sul pelo sinônimo Austral e nome de uma famosa estrada chilena que estava nos meus planos.

Os primeiros dias

Me preparei para fazer a viagem sozinho, mas para iniciar a viagem convidei um velho amigo de pedal, o Xikaum para pedalar os primeiros dias junto comigo, o quanto ele pudesse, ele conseguiu uma folga no trabalho e juntos decidimos modificar o roteiro para sair iniciar a viagem em Santa Catarina, assim em tempo de pedal junto com o Xikaum passaríamos pela Serra do Rio do Rastro que era um plano em comum muito antigo, revimos essa parte do roteiro e o Xikaum me acompanho de Joinville a Criciúma.

Eu e Xikaum fazendo o planejamento da viagem.

Um dia antes de embarcar no ônibus para Joinville meu irmão veio em casa para nos despedirmos, no dia seguinte meus pais, irmã e cunhado me levaram o terminal Tiete onde encontramos o Xikaum. Arrumamos as bicicletas para o embarque e eu comecei a me despedir deles, fiquei com um sentimento de alegria por finalmente iniciar a viagem com um misto de aperto no coração por deixá-los ali, dentro do ônibus esperando o ônibus partir fique em pé tentando vê-los o máximo possível para tentar memorizar todo aquele momento e tudo que estava sentindo.

Chegamos em Joinville no fim dia e aproveitamos o dia da chegada em Joinville para conhecer o Museu da Imigração e Colonização, confesso que foi um pouco difícil para acostumar com todo o peso da bike no caminho da rodoviária para o museu e depois para o hotel. Nós saímos de Joinville pela Estrada do Arroz, e logo aconteceu algo que tomou uma certa constância, encontrar alguém curioso no caminho perguntando sobre a viagem ao ver as bicicletas carregadas, nessa ocasião foi o Samir que nos contou que já tinha viajado para Ushuaia de moto.

Joinville - SC

Nosso plano para o primeiro dia era chegar em Timbó, mas percebemos que não iriamos conseguir, acho que o peso das bicicletas estava nos mostrando qual seria o ritmo da viagem e que nossa meta de quase 100km por dia não seria possível, paramos em Pomerode sem saber onde ficar então decidimos pelo que seria mais fácil e cômodo ali e fomos para uma pousada. No dia seguinte (06 de outubro de 2015) saímos com destino a Rio do Sul, nossa primeira parada nesse dia foi em Timbó onde encontramos o Nelson, que conhecemos no ônibus entre São Paulo e Joinville, o encontramos na ponte Thapyoka muito gente boa nos guiou pera região próxima a ponte e explicou sobre o funcionamento das antigas rodas d’aguas ali, também o monumento em homenagem aos pracinhas da segunda guerra mundial, aproveitamos de visitamos o Museu do Imigrante.

Chegamos em Rio do Sul já estava escuro, nessa cidade fizemos contato com o Marcio pelo WarmShowers, ele nos recebeu em sua casa com cerveja e macarrão caseiro, cicloturista, mochileiro viajante e com muitas histórias para contar, ficamos conversando por um bom tempo, ele já foi para Ushuaia, também morou durante 4 anos na Bahia, fez uma viagem de bicicleta pela África e morou por 3 anos entre a Índia e o Nepal, em sua casa é destaque em sua mesa uma foto no acampamento base do Everest. Ele nos acompanhou até Ituporanga no dia seguinte, e seguindo sua recomendação mudamos um pouco nossa rota e seguimos para Petrolândia, uma cidadezinha fora do roteiro e com uma única pousada ao lado da rodoviária.

Marcio, eu e Xikaum em Rio do Sul - SC

Logo na saída de Petrolândia enfrentamos uma serra em estrada de terra muito inclinada e então começou a chover, minha bicicleta estava mais pesada que a do Xikaum, eu escorregava e não conseguia andar, o Xikaum deixava a bicicleta dele em um ponto mais alto e voltava para me ajudar a empurrar a bicicleta morro a cima, seguimos nessa rotina até o topo da serra quando a chuva virou granizo, por sorte ali havia uma casa e nos abrigamos na varanda, quando chegamos na BR-282 estávamos exaustos e sem ânimo, seguimos até um restaurante na entrada da estrada para Rio Rufino onde comemos um lanche, enquanto descansávamos a chuva recomeçou percebemos que seguiríamos toda a viagem com chuva, como já era tarde decidimos ir só até Rio Rufino deixando nosso objetivo de chegar em Urubici para o dia seguinte. Em Rio Rufino mais uma vez a necessidade do momento alterou nossos planos e decidimos por uma pousada, o dono nos orientou em relação ao caminho que poderíamos seguir dali em diante, também nos avisou sobre um ônibus que sairia no dia seguinte em frente a pousada com destino a Urubici, como atrasamos nosso planejamento decidimos pegar o ônibus.

No dia seguinte, logo após o café da manhã o ônibus estacionou no outro lado da rua, o motorista nos ajudou a tirar a bagagem das bicicletas e acomodar tudo no bagageiro, fazer a viagem entre Rio Rufino e Urubici de ônibus foi um adianto em nosso roteiro, pois a estrada que liga as duas cidades é de terra e com a chuva que caiu a noite toda estava muito ruim, também havia o risco de alagamento por causa do rio que passa bem ao lado da estrada.

Em algum ponto proximo a Petrolâdia - SC

Chegamos em Urubici pensando que estávamos muito atrasados em nosso planejamento e pensando em seguir para Bom Jardim da Serra, mas então dois senhores que estavam ali onde o ônibus estacionou, curiosos com a quantidade de bagagem carregada em nossas bicicletas, vieram conversar conosco, um deles era o Sr. Dilmo da barbearia o outro vou pedir desculpas mas não lembro o nome, eles falaram das distancias das atrações de Urubici que estavam em nosso plano inicial, então pensamos direito e vimos que o ônibus nos colocou dentro de nosso planejamento novamente, perguntamos onde havia um camping e nos indicaram o Camping Nossa Senhora das Graças já na estrada para o Morro da Igreja, nosso objetivo do dia. Seguimos para o camping que estava vazio, um senhor nos mostrou todo o camping, banheiros, lugar onde montar as barracas e a cozinha, deixamos a bagagem lá saímos pedalando para ver o Morro da Igreja, no caminho encontramos a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, logo saímos de lá iniciou uma chuva que não deu trégua, como planejado fomos tentar subir o Morro da Igreja, mas após alguns quilômetros com muita chuva e frio vimos que o risco não valia a pena poderíamos pegar um resfriado ou até mesmo ter hipotermia, decidimos voltar para o camping, o dono do camping veio conversar conosco e nos disse para dormir dentro da cozinha pois estava muito frio para dormir nas barracas, decidimos por fazer isso.

No dia seguinte, decidimos permanecer no camping pois nossas roupas de pedalar estavam muito molhadas e nossas bicicletas precisando de uma atenção especial depois de tanta chuva e terra, nesse dia saímos apenas para comprar algumas coisas e complementar nossas refeições, como havia ali uma mesa de sinuca, a rotina do dia foi limpar bicicleta e jogar sinuca, lavar roupa e jogar sinuca, cozinhar e jogar sinuca, jogar sinuca e jogar sinuca…kkkk

Gruta Nossa Senhora de Lourdes - Urubici - SC

Naquela noite começou a chegar mais gente no camping, ficamos com medo que o pessoal reivindicasse o uso da cozinha que era coletivo, vieram apenas fazer um lanche conversaram conosco e voltaram para suas barracas e cabanas sem problema. No dia seguinte tudo pronto, saímos para o que seria o trecho com maior altimetria acumulada, mas vou deixar para contar no próximo post.

André Lima
André Lima

Published on 11/22/2019 14:21

Performed from 10/05/2015 to 03/31/2016

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Edson Maia
Edson Maia 11/22/2019 21:30

Estou lendo seu posto aqui do Chile. Estou no segundo dia da Carretera Austral. Haha muito massa, meu amigo!

André Lima
André Lima 11/23/2019 01:08

Que massa!! A Carregar a Austral é linda nessa viagem fiz de Villa O'Higginis até Coyhaique... pretendo voltar pra fazer o resto. Boa viagem vou esperar seu relatos!!! Abraço!

André Lima

André Lima

São Paulo - SP

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Ciclista, viajante e pai do Theo :) Autor do antigo blog PedalandoBicicletas e sempre planejando a próxima aventura!!! Instagram @andr.slima

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