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Circuito Couto x Prateleiras | Parque Nacional do Itatiaia

Circuito Couto x Prateleiras | Parque Nacional do Itatiaia

Trilha (hiking) em circuito circular realizada em um dia no Parque Nacional do Itatiaia - PNI.

Mountaineering Hiking

Circuito Couto x Prateleiras | Parque Nacional do Itatiaia - PNI

Trilha realizada em 07.11.2020.

Tipo de Aventura: Trilha (hiking) circular realizada em um dia no Parque Nacional do Itatiaia - PNI.

Ponto inicial e final: Sede da Parte Alta - Posto Marco Antônio Moura Botelho (Marcão): https://goo.gl/maps/RGQXDbKsWy9rCrnz8

Tracklog gravado: https://www.wikiloc.com/hiking-trails/travessia-couto-x-prateleiras-60235795

Dados: Aproximadamente 13,7 km de caminhada, ~439 metros de ganho e de perda de elevação, já que é um circuito circular. Dificuldade (FEMERJ): moderada superior.

Informações Importantes:

  • Situado na Serra da Mantiqueira, o Parque Nacional do Itatiaia foi o primeiro Parque Nacional do Brasil. Vale reforçar um dos trechos do DECRETO Nº 1.713, DE 14 DE JUNHO DE 1937, que cria o parque: “Considerando que, por essas circunstâncias, a região em que está localizada a referida Estação Biológica, deve ser transformada em Parque Nacional, para que possa ficar perpètuamente conservada no seu aspecto primitivo e atender às necessidades de ordem científicas decorrentes das ditas circunstâncias
  • Antes e depois de subir ao Parque, vale a parada para tomar café ou comer aquele pastel especial nos restaurantes localizados na garganta do Registro: https://goo.gl/maps/pe2SDS6iraLBscSp6
  • Os ingressos para as atividades de ecoturismo no Parque podem ser comprados antecipadamente em: https://parquedoitatiaia.tur.br/ingressos-2021b/. Pagamos R$18,00 (cada um) pela atividade e mais R$16,00 para o estacionamento. Os preços já foram atualizados em 2021.
  • O Circuito Couto x Prateleiras é ideal para aqueles aventureiros iniciantes que querem começar a ter um contato com trilhas e/ou dias mais longos de caminhada. Não tem grandes dificuldades técnicas, mas reserva paisagens deslumbrantes.
  • Vale tomar um pouco de cuidado no trepa-pedra que tem antes do cume do Morro do couto. Com atenção, você passaará sem problemas. Também tenha um pouco de atenção na orientação na Toca do Índio e logo após a mesma. Ali o guiamento será mais visual e com totens.
  • Vale contratar um guia credenciado pelo Parque para ir até o cume das Prateleiras. Essa aventura está na minha lista pessoal que quero cumprir em 2021. Veja os guias credenciados em: https://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/condutores-guias-cadastrados.html

RELATO

Acordei ainda meio sonolento... Eram 4:00 da manhã e, quem me conhece, sabe que eu sempre durmo meio mal antes de um dia de montanha por conta da minha ansiedade. Sei lá, parece que eu quero me teletransportar e viver logo aquilo. Acordei, dei um pulo da cama, fiz um café forte, arrumei as últimas coisas da mochila e saí do Rio de Janeiro aproximadamente às 4:00.

Abasteci e peguei a Rodovia Presidente Dutra até Itatiaia, quando saí da estrada à direita, 10km depois do pedágio. Subi aproximadamente 25km pela BR-354 até a Garganta do Registro. Lá, a Dani já me esperava com um sorriso no rosto para subirmos para o Parque. Joguei mais um café pra dentro com um pão de queijo gostosão, pegamos o meu carro e partimos.

São aproximadamente 14km em estrada de terra da Garganta até o Posto Marcão (entrada do Parque). A estrada costumava estar em melhores condições, mas no dia dessa trilha, vi que a mesma está há algum tempo sem manutenção. Com cuidado, fomos superando os buracos e pedras soltas pelo caminho. Uma hora depois, chegamos no PNI, por volta das 8:00.

Dalí descemos para acertar os procedimentos de entrada. Com tudo liberado, entramos com o carro e estacionamos logo no primeiro local de parada à direita. Arrumamos as coisas e iniciamos caminhada pela mesma estrada que aparecia no fim de nossa área de estacionamento. O sono já tinha sumido e reinava a animação absoluta por, depois de muito tempo em casa, estar novamente no PNI. Mais legal ainda era viver a experiência de fazer algo novo por lá. Sim, eu nunca tinha feito o Circuito Couto x Prateleiras. Seria mais uma boa trilha para o currículo sob a maravilhosa guiada da Dani. Eu só confiei na minha guia e parti. Andar é comigo mesmo.

Começo da trilha.

Não é difícil entender como se desenrola o começo da trilha. Já da estrada mesmo antes de chegar ao Parque, é possível ver o Morro da Antena, onde estão instalados equipamentos sob a gestão de Furnas Centrais Elétricas. A trilha começa exatamente pela estrada de acesso às antenas, inicialmente no sentindo sudoeste e, depois, contornando o morro para leste. Dalí já era possível curtir o marzão de nuvens que estava sob nós. Claro, tirar umas fotos iradas.

Curtindo o mar de núvens.

Fomos seguindo até que, numa rápida entrada para norte (como se fossemos em direção às antenas) nos deparamos com uma bifurcação e pegamos a direita, voltando o rumo para leste, preferencial de toda a caminhada.

Ao olhar para a esquerda, os campos de altitude que impressionava na paisagem do PNI, à direita, nuvens contrastavam o visual que, rapidamente se abriam e mostravam o vale do Paraíba e as cidades mais baixas da região. De vez em quando, aparecia a Serra Fina. Continuamos andando até que, já com aproximadamente 2.620 metros de altitude, chegamos no alto de um mirante onde estão instalados mais algumas outras antenas. Perguntei logo: “é aqui o Couto?”. De cara, a Dani já disse que não e apontou para o ponto mais alto à nossa frente: “ainda tem que subir isso aí”. Bebi um pouco de água e subimos.

Couto x Prateleitas.

Aqui apareceu um trecho um pouco mais técnico. Uma sequência de blocos rochosos empilhados num vão da rocha principal. É preciso ter cuidado, planejar bem o ângulo da passada de pé, achar uma boa puxada de mão e subir. Montanhistas iniciantes terão uma ótima experiência do que poderão enfrentar em muitas outras trilhas de rochas de granito do Brasil. Acerta a pegada, confia na aderência, impulso e vai... e assim chegamos ao alto do Morro do Couto, primeiro grande objetivo do dia com seus imponentes 2.680m de altitude a uma impressionante vista de todo o Parque. Por sorte, as nuvens davam rápidos momentos de trégua e víamos um pouco do horizonte.

A subida do Couto.

Eu já falo logo que estava impressionado. Sim, eu já tinha ido até o Cume das Agulhas ou do Sino de Itatiaia em outras oportunidades, mas nunca pensei que uma subida tão fácil e tranquila como a do Couto reservaria uma das vistas mais bonitas de todas. Ah, mano, tem dia que a gente não quer perrengue, só quer curtir uma montanha de leve e se impressionar com a natureza... Eu não tirava o olho de tudo. Parecia que queria emoldurar cada minúsculo pedaço de visão/paisagem na minha mente pra sempre.

Merecia uma moldura.

Muito legal ver também, na escarpa sul do Parque, a transição marcante entre a floresta densa lá da parte baixa e os campos de altitude na parte alta, com vegetação de menor porte, formada por espécies arbustivas e campestres e afloramento de blocos rochosos. Trata-se de formação características dos maciços da Mantiqueira no sudeste brasileiro que começam a surgir a partir de 1.200 metros de altitude.

Foi quando, depois de uns 30 minutos curtindo o Couto, bateu um vento forte... coloquei o anorak, comemos alguma coisa e voltamos para a direção leste, já saindo do Couto e rumando para a Base das Prateleiras. Dalí o caminho entre numa gradual descida por trilhas bem marcadas e pequenos pula-pedras que agregam diversão à caminhada até aproximadamente 2.480m de altitude, onde há a bifurcação para quem quer desce ao Norte rumo a estrada de dentro do Parque e finalizar a caminhada apenas com a conquista ddo primeiro morro.

Pegamos uma subida até aproximadamente 2.540 metros de altitude e uma convidativa saída à esquerda... Sinalizei: “tem um mirante ali hein!”. Mais um ponto daqueles pra ficar extremamente impressionado. O Agulhas estava aberto e lindo demaaaais. Sentamos um pouco e ficamos ali admirando aquele pedação de granito com cerca de 2.791m de altitude sulcado por milhões de anos de processos erosivos. Oh, saudade de ir lá.

Admirando o Pico das Agulhas Negras.

Voltamos para a trilha, retomamos o caminho original e, logo ali na frente... cadê a trilha? “É por aqui por dentro mesmo?”. Era a Toca do Índio... Eu sou alto, né... Então tive que entrar com cuidado pra não raspar mochila em nada, desvia daqui, desvia dali, avista a luz entrando pelo outro lado, toma um pouquinho mais de cuidado com a mochila e sai...Nessa hora eu confesso que olhei o GPS para atestar. Pior que a trilha era por ali mesmo.

Saindo da Toca, é importante ficar ligado. A trilha cai um pouco pra esquerda antes de retomar o caminho original. É por cima da rocha onde estão os totens mesmo. Sobe lá, olha e... paralisa!! As prateleiras estão chegando...

A trilha é por ali mesmo e desce até aproximadamente 2.340m de altitude onde há um cruzamento com placas que sinalizam o caminho e um belo local para fotos.

Eu, a placa e o Agulhas.

Pegamos a direita (sul) rumo à base das Prateleiras. Subimos, sentamos lá em cima e logo achamos uns sofás de pedra para descansar, curtimos o visual, comemos e brincamos muito. Fiquei ali me imaginando retornando em breve para, de fato, encarar o Cume. Logo logo vai rolar. Depois de uns 30 minutos de muitas boas conversas e risadas, voltamos para o cruzamento das trilhas, andamos mais alguns metros e viramos à direita (leste) rumo ao bônus da caminhada.

A Base das Prateleiras.

Fomos até as Pedras da Maçã e da Tartaruga e ficamos curtindo aquelas formações curiosas curtimos mais um pouco do visual, brincamos, sorrimos, ficamos pensando na formação daquilo tudo, retornamos para a bifurcação e miramos para a direita (norte) rumo à estrada que daria no Abrigo Rebouças.

Felizão na Pedra da Maçã.

Fomos descendo pela trilha bem demarcada, encontramos o caminho lá de baixo, admiramos a Cachoeira das Flores e voltamos nossa direção para oeste. Mais alguns minutos e chegamos no Abrigo Rebouças. Paramos para tomar uma água, comer mais alguma coisa e encaramos os últimos 4km de caminhada subindo a estrada de volta para o Posto Marcão. Finalizamos o nosso Circuito aproximadamente às 15:30 da tarde depois de um belíssimo dia de caminhada.

Muita alegria e comemoração... Visuais incríveis, boa parceria, amor, conversas iradas e muita boa energia. Melhor ainda com o que o destino nos reservava... Tiramos as mochilas nas costas, arrumamos no carro, saímos do Parque pela portaria principal e entramos nos mesmos 14km de estrada ruim da chegada. E não é que ali, do nada, aparece algo...

Na nossa frente. Ainda de dia, no reflexo, indaguei: “é um boi?”. Não, não era, era um lindo lobo-guará cruzando a estrada na nossa frente. Era um tipo de alegria que eu não sabia o que fazer... eu só freei e fiquei olhando sem reação. Não consegui fazer nada, nem pegar celular, nem falar nadinha de nada. Eu e Dani nos olhávamos chocados. Mano, era um lobo-guará... Só admirei aquele rápido desfile de segundos bem na minha frente... QUE BICHO BONITO DA PORRA.

Dani ainda tentou fotografar o lobo-guará.

Sacudi a cabeça ainda não acreditando o que tinha acontecido, apertei o pedal do acelerador e segui viagem rumo à Garganta do Registro pra comer mais um PASTEL DE QUEIJO BOLADO + UMA COQUINHA GELADA. Foi um Pastel cheio de alegrias e recordações. Ainda estávamos em ecstasy...Valeu demais, PNI. Valeu demais, minha guia linda.

CONCLUSÕES

Depois de um tempo, já com a cabeça fria e impressionado com o desfile da espécie de fauna brasileira, fiquei refletindo sobre o que ele estaria fazendo ali por aqueles campos de altitude. Penso que a pressão sobre o ambiente e, consequentemente, sobre seus habitats naturais no cerrado brasileiro ao norte de MG, foram fazendo com que o Lobo-Guará fosse migrando para o sul, chegando na Mata Atlântica e subindo para o Itatiaia. Um daqueles encontros que, de cara, impressionam pela beleza, mas depois, já com um pensamento crítico, entristecem por imaginar o que o homem é capaz de provocar de mal na natureza.

Apesar disso, foi ótimo estar novamente no Parque Nacional do Itatiaia ainda em 2020. Estávamos vivendo um período de baixa nos casos registrados de Covid-19 e começava um movimento de reabertura gradual dos Parques Nacionais. Depois de muito tempo parado e de algumas trilhas pelo Rio de Janeiro, foi muito bom estar novamente sobre as montanhas mais altas do meu estado, ainda mais sendo guiado por companhia tão especial.

Adorei o Circuito Couto x Prateleiras e já o considero obrigatório pra qualquer tipo de aventureiro, desde os mais experientes até os iniciantes. Muitas paisagens bonitas e um real contato com o que o PNI tem a oferecer. Por fim, fica o sentimento de que volto logo para conquistar o cume das Prateleiras. Afinal, depois de uma montanha, a gente sempre quer mais montanha. PNI, até breve.

Veja outros relatos...

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros

Published on 03/15/2021 20:35

Performed on 11/07/2020

1 Participant

Danielle Hepner

Views

1039

10
Jose Antonio Seng
Jose Antonio Seng 03/16/2021 08:05

Show de relato e aventura ! A bota não é muito quente para esse hiking? Pergunto pq tenho uma e nao uso muito em circuito nacional.

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 03/16/2021 08:07

"Dani, é por aqui?" Hahahahahaha melhor guia do PNI!

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 03/16/2021 08:08

Eduardo, é uma daquelas coisas que acontece e você não acredita... O bicho é bonito demais, irmão. Demaaaais.

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 03/16/2021 08:08

Ah, e obrigado pelas boas energias de sempre!

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 03/16/2021 08:11

Fala, José, tudo bem? Então, eu confesso que na época dessa trilha, eu só tinha a opção de usar a bota mesmo, pq não tinha nenhum tênis bom para atividades Outdoor. Eu já rodei quase 600km com ela por aí e meio que sou acostumado com o peso e a temperatura interna... então foi de boa. Você sabe como é... Equipamentos no BR são caros e nem sempre a gente consegue ter tudo. Hoje eu tenho um tênis da Adidas que adoro e super recomendaria o uso de um tênis mesmo...

Jose Antonio Seng
Jose Antonio Seng 03/17/2021 01:28

Sei bem, Bruno. Eu comprei uma igual a sua quando estive na REI, em NY. E tb uma La Sportiva, no Chile. Aqui é muito caro. Mas o fato é que achei ela meio quente pra cá. Uso até outra da Salomon, menos quente. Mas a bota em si é excelente !

Bruno Negreiros
Bruno Negreiros 03/17/2021 15:54

José, Eu não acho ela muito quente, mas não gosto muito do grip dela. As vezes me sinto um pouco inseguro em rochas lisas... Já tive calçados com grips melhores, como o solado Vibram.

Orlando Correa Netto
Orlando Correa Netto 06/21/2021 19:09

Fantástico!

Bruno Negreiros

Bruno Negreiros

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Engenheiro ambiental e montanhista com o sonho de contribuir para a disseminação dos esportes ao ar livre e de aumentar a conscientização ambiental e social no mundo outdoor.

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