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Meteorologia e Montanhas

Parte 3: Frentes Frias e Quentes, Formação de Gelo, Trovoadas e Raios

Acredito que todos aqui tenham visto, alguma vez na vida, um telejornal e escutaram @ mocinh@ do tempo falando a respeito da chegada de, principalmente, frentes frias. Mas, você sabe exatamente o que isso quer dizer?

Bem, tendo a parte 1 e a parte 2 constituído as explicações básicas acerca da meteorologia, para que seja mais fácil compreender como ocorrem os fenômenos climáticos, na última parte desta série sobre Meteorologia e Montanhas, que foi dividida em três, vou começar falando a respeito das frentes fria e quente.

 

A frente é simplesmente o encontro que acontece entre massas de ar quente e fria. Se esse encontro acontece a partir da chegada de massa de ar fria em uma zona com massa de ar quente, chamamos de frente fria. Já quando ocorre a chegada de massa de ar quente em uma zona que está mais resfriada, chamamos de frente quente.

 

Vamos agora à formação de gelo.

As condições ideais para que o gelo seja formado está basicamente na presença de água e temperatura abaixo de 0ºC. 

Nas montanhas do Brasil a presença de gelo ocorre principalmente no inverno em locais de grande umidade como a Serra da Mar e a Serra da Mantiqueira, por exemplo, que, com frequência, atingem temperaturas abaixo de zero nesta época do ano.

Estalactite de gelo na Serra Fina - 2019

 

Além da formação de gelo em si, há também dois outros fenômenos que são importantes conhecer para a prática outdoor nesse âmbito são a geada e a chuva de granizo.

A geada é formada através da sublimação, que é a passagem do vapor de água para o estado sólido. Ela forma uma camada fina e opaca sobre as superfícies que toca. É bastante comum acontecer um ou dois dias depois de períodos de chuva, quando o frio gerado pela precipitação cai e toca o solo úmido. Então, após período chuvoso em altitudes mais elevadas, é usual encontrar os equipamentos deixados do lado de fora da barraca com essas camadas finas de gelo, bem como verificar gramados e arbustos bem branquinhos por conta da geada. 

O granizo é a chuva caracterizada pela presença de pedras de gelo. Essas pedras de gelo são formadas em grande altitude na atmosfera, principalmente no interior das nuvens Cumulonimbus, que possuem gotículas de água na sua base e cristais de gelo em sua parte mais alta. O perigo aqui consiste não na chuva em si, mas na queda das pedras, que podem provocar sérios estragos. O processo de queda livre faz com que elas cheguem ao solo em alta velocidade. Como a força é dada pela multiplicação da massa de cada pedra pela aceleração que é imprimida à ela, o gelo chega ao solo bastante pesado, podendo causar acidentes. Neste caso, é imperativo que se busque abrigo em local coberto e seguro. É importante salientar que o granizo não ocorre do nada. Por estar aliado à presença das nuvens Cumulonimbus, então, desde o primeiro estágio, Cumulus, já é possível verificar esta possibilidade e, desta forma, se prevenir.

 

Seguindo a linha a respeito das Cumulonimbus, como já falado na Parte 2, estas são nuvens também conhecidas por sua atividade elétrica. Desta forma, vem a definição de Trovoada. Esta se trata de um conjunto de fenômenos que acontecem dentro da Cumulonimbus.

Consiste na combinação de ventos fortes, chuva intensa em forma de pancada, granizo, raios, relâmpagos e trovões. 

Os raios acontecem devido aos ventos que provocam atrito entre os cristais de gelo presentes no interior da nuvem. Este atrito cria uma carga elétrica, favorecendo o a criação de um campo elétrico e facilitado as descargas elétricas. O clarão que resulta dessa descarga é chamado de relâmpago e o barulho provocado é o trovão.

Como nem sempre conseguimos observar os raios, se por acaso você está em um ambiente aberto e escuta um trovão, este serve como sinal de alerta para entender a proximidade das fortes chuvas que estão se aproximando. Assim que o barulho soar tente identificar a direção que ele vem e conte o tempo, em segundos, que ele durou. Multiplique esse valor por 343. O resultado traz a distância em metros aproximada que o raio associado à ele caiu. Isto poderá ajudar no mapeamento do trajeto da chuva, e também no planejamento da atividade outdoor para eventual abortagem.

 

Sendo a Meteorologia um assunto muito amplo, cabe dizer que tudo que foi escrito nas Partes 1, 2 e 3 tem muito mais definições, desdobramentos e minúcias. Porém, foram apresentadas apenas as informações mais básicas e diretas bem como resumos com características claras de todos os fenômenos falados que são, de alguma forma, relevantes para a prática do montanhismo no Brasil.

 

Todo o conhecimento apresentado aqui foi amplamente estudado durante os cursos teóricos e práticos de Meteorologia e Sobrevivência na Selva, ministrados para turma 634 de Comissários de Bordo da Escola de Aviação Civil Fly Training Center.

A foto de capa é parte do acervo gratuito do Canva. A foto da estalactite na Serra Fina é do Bruno Negreiros, cujo relato a respeito desta aventura pode ser acessado clicando aqui.

O infográfico por feito por mim, e a reprodução está autorizada desde que conste o devido crédito.

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Danielle Guimarães Hepner

Danielle Guimarães Hepner

Caxambu - MG

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típica nerd! professora de matemática apaixonada por montanhas, viagens e ukulele.

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