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Rumo ao Norte: BR 101 - Maceió (AL) - Set/08

Rumo ao Norte: BR 101 - Maceió (AL) - Set/08

Perna 9: seguindo firme rumo ao norte, agora com destino a Maceió (AL), mas não sem antes passar pela linda cidade de Penedo (AL). Especial!

Canindé do São Francisco a Maceió - (15/9)

Tive uma noite mal dormida no hotel, por causa de um acontecimento meio insólito: tinha um grilo dentro do quarto, que ficou “cantando” a noite inteira. Procurei o danado, mas não encontrei, desconfio que ele estava dentro da porta do banheiro. Foi difícil conseguir engatar o sono.

Pegamos a estrada depois de tomar café, por volta das 8h20. Eu não ia colocar o carro na mesma estrada esburacada da vinda, a SE 206, então fui estudar os mapas. Achei uma rota alternativa, que sai exatamente um pouco antes de Monte Alegre do Sergipe (SE), em direção a Porto da Folha (SE). As informações eram que a estrada estava boa até Gararu (SE), depois dali se tornava uma incógnita...

Resolvi arriscar e a aposta se mostrou certa: até Propriá (SE) a estrada estava boa, muitíssimo melhor do que a SE 206. Valeu a pena arriscar. No caminho, diversas situações curiosas: mega feira popular em Porto da Folha (parecia a 25 de Março); parada em Gararu, às margens do Velho Chico, e um papo com um paulistano que se mudou pra lá, pra cuidar do sogro doente; parada rápida em Propriá, e fotos da divisa SE/AL. O caminho foi tranquilo, e logo cruzamos a ponte para Alagoas.

Voltamos para a BR 101, agora com uma “novidade” em termos de 101: buracos. Decidimos sair da 101 e pegar a esquerda, visitar Penedo (AL). Foi a segunda boa escolha do dia. Penedo é uma cidade à beira-rio, com um cais importante, mas para embarcações pequenas. O casario desse cais já impressiona: séc. XVI, XVII, XVIII. Coisas mais modernas também, mescladas. É bonito.

Começamos a caminhar, e literalmente cada passo revelava um cenário mais incrível que o outro! Fotografei muitos prédios, igrejas, conventos. E é claro, as paisagens da foz do rio São Francisco. Não é a toa que Penedo é chamada de a “Ouro Preto do Nordeste”, um daqueles títulos meio bobos de comparação, mas que faz jus à beleza do lugar. Almoçamos num restaurante self-service ao lado de uma igreja, PF a R$7, incluindo uma ambrosia fantástica, que a dona do restaurante chamava de doce de leite. Pra quem não conhece, é um doce de leite que ao acrescentar suco de limão e batido no liquidificador, fica talhado.

Enquanto Iara ia resolver uns problemas de banco, eu fui caminhar. E fotografar. Acabei achando um forte, chamado da Rocheira, testemunha das invasões holandesas nessas terras. Hoje em dia tem um restaurante ali, bem agradável. Por volta das 15h, seguimos viagem. As infos davam conta de que a estrada litorânea estava esburacada. Perguntando em um posto de gasolina, a info foi totalmente diferente! E agora, em quem confiar? Escolhemos pela costa. Foi a terceira boa escolha do dia.

Seguimos pela costa então, passando por uma interminável sequência de coqueirais, onde quase não se vê o mar, mas quando se vê, o azul é hipnotizante. Passamos por Coruripe (AL), Barra de São Miguel (AL) e a Praia do Francês (AL), todos pela AL 101, até chegarmos a Maceió (AL).

Maceió apresenta uma orla bem urbanizada, e o que vimos até então (ou seja, a praia de Pajuçara) foi uma quantidade gritante de hotéis, pousadas e restaurantes. Alguns bem caros. E pedintes, vários deles. Saímos à caça de pousada. Foi meio complicado, mas acabamos encontrando uma com bom custo-benefício: por R$70, quarto completo, a Pousada Girassol tem um atendimento simpático.

Descansamos um pouco e saímos para jantar. Entramos num rodízio de pizza, R$10,90 por cabeça, e deu pra comer na boa. Um rolê pela orla, e fomos para a pousada, dormir.

Maceió – 2º dia (16/9)

Amanheceu, e a avenida em frente a pousada estava vazia, silenciosa.

Estranho.

Acordamos tarde, e por isso tivemos que ir procurar uma padaria, e achamos uma bem simples, só pra tomar um café e um pão de seda, típico de Alagoas. Fomos para a praia, e nos deparamos com uma multidão nas areias. Plena terça-feira, lotado daquele jeito? Ficamos sabendo depois que era feriado na cidade.

A situação em Maceió, na minha modesta visão, é a seguinte: a cidade é dividida entre os pobres e uma elite que adora ostentar. Hoje deu pra ver isso direitinho: na praia lotada, a invasão da favela, turmas de pingaiada e afins; no calçadão e na avenida, gente desfilando roupas de marca, relojões e carros zero. Em nenhum dos dois lados eu me senti à vontade. Antipatia geral.

Ficamos procurando uma “vaga” na areia, e acabamos encontrando. Aluguel das cadeiras e do guarda-sol, R$3. Isso aliás é a tônica do litoral alagoano: quando vêem que você é de fora, logo te pedem 10, 20, 50 centavos, ou estipulam logo um preço alto, tipo 10 reais. Surreal...Turismo predatório, onde a presa é o visitante!

Ficamos na areia, cercados de muita gente. Foi até engraçado. Digno de nota mesmo fica por conta do mar: verde, calmo, uma verdadeira piscina. Fascinante. A bebedeira na areia corria solta, era questão de tempo até aquilo dar numa merda...meu instinto falou mais alto, e resolvemos sair da areia, caminhar. Sentamos num quiosque, pedi um suco. Iara voltou para a pousada. Eu fiquei mais um pouco, a tempo de ser abordado por um bêbado me pedindo dinheiro, e ver também um grupo de jovens, também bêbados, iniciar uma confusão. Quando eu ouvi “Ele tá armado!”, foi a deixa para eu sair dali imediatamente.

Voltei para a pousada. Eu, que sou “da rua”, me senti inseguro naquela muvuca. Do quarto onde estávamos eu avistava um ponto de ônibus do outro lado da avenida. Determinada hora, aquele povo todo que estava na praia se dirigiu para os pontos, a espera da condução para casa. O espetáculo eu deixo para a imaginação do meu caro leitor.

Caiu a noite, e nós precisávamos comprar algumas coisas no mercado. Uma caixa de mercado mal humorada me fez sentir raiva da “hospitalidade alagoana” escrita em alguma placa na estrada...e essa raiva só piorou na hora de comer alguma coisa numa esfiharia, e constatar que o alagoano médio de Maceió gosta mesmo é de botar uma banca, ostentando carro zero e roupinha de marca. Triste.

Conversei com Iara, que concordou de imediato: amanhã vamos embora. Maceió decepcionou, não pelas praias, mas pela gente que vive nela.

Dicas: Nunca, mas nunca mesmo, vá a Maceió num dia de feriado!

Marcelo Baptista
Marcelo Baptista

Published on 06/24/2016 19:38

Performed from 09/02/2008 to 09/27/2008

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Marcelo Baptista

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Montanhista, mochileiro, viajante, pai, conectado com as boas vibes do universo e com disposição ainda para descobrir os mistérios da vida.

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