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Na Chapada com o Mochilão Sabático

Na Chapada com o Mochilão Sabático

Três dias percorrendo o norte da Chapada Diamantina com Ramon Quevedo e Paula Yamamura, visitando o Morrão e o Pai Inácio.

Trekking Waterfall Camping

Os amigos Ramon Quevedo e Paula Yamamura, do blog Mochilão Sabático, com os quais fiz duas trilhas no Chile (ver relatos Lonquimay e Sierra Nevada aqui no Aventure Box) depois de quase um ano na Patagônia/Atacama retornaram ao Brasil e me avisaram que viriam para a Chapada Diamantina, o meu quintal. Não podia deixar de fazer uma trilha com eles.

A greve dos caminhoneiros e minha agenda adiaram o encontro por 3 semanas, mas finalmente os encontrei no Capão de onde partimos para o Morrão/Pai Inácio, dois cartões postais da Chapada.

Dia nublado, com chuvisco. Este começo de inverno está um pouco atípico, muita chuva, num período que já deveria começar a secar (os invernos/outonos são secos na Chapada).

Paula e Ramon. O Morrão aparece destacado ao fundo.

Trilha com córregos cheios. este aí é facinho.

Depois de 3 horas de caminhada chegamos em Águas Claras, lugar bonito. No caminho avaliávamos se subiríamos ou não o Morrão. Mas as nuvens encobriam o topo e o vento e chuva tornariam a subida desagradável. Decidimos que faríamos o cume noutra ocasião. seria um desperdício de esforço subir e não avistar nada.

O tempo melhorou pela tarde, com o sol aparecendo entre nuvens, o que permitiu um banho nas piscinas. Resolvemos ficar em Águas Claras e ali montamos acampamento para passar a noite.

Paula e Ramon com o Morrão ao fundo.

Foto clássica no caldeirão da cachoeirinha. As vezes forma fila para tirar foto neste local. Uma mulher ficou um tempão dentro do caldeirão tirando dezenas de selfies, num narcisismo sem noção kkkkkk.

Pouco depois do jantar começou a chover e ventar bem e assim continuou a noite toda. Os gerais do Morrão são conhecidos pelos ventos fortes, que vem do Sul, desde Mucugê, passando pelos Gerais do Rio Preto e do Vieira. Não há montanhas e serras no caminho, que quebrem a força do vento que flui por este corredor natural. Uma frente fria do Sul chega desimpedida.

Foi um teste para o meu bivaque. A chuva não me molhou, mas senti frio por volta de uma hora da manhã. Não carrego saco de dormir, apenas um saco de bivaque de e-Vent e um liner. Vesti um agasalho de fleece. Melhorou, mas ainda assim sentia um pouco de frio. Entretanto um descongestionante nasal oferecido por Paula (eu estava gripado) me fez dormir que nem uma pedra. No dia seguinte, cedo, o Ramon tentou me acordar e não conseguiu. Só numa segunda tentativa, uma hora depois, eu despertei. Estava dopado pelo remédio.

Decidimos não sair naquele momento, ficar mais algum tempo na encolha, debaixo de nossos lençois, esperando o tempo melhorar. É ruim desmontar acampamento debaixo de chuva.

Tomamos nosso café abrigados na minha tarpa, ainda com chuvisco. A tarpa tem esta vantagem sobre a tenda. Dá para modificar seu formato permitido que vire um ponto de reunião e cozinha comum.

Olha a diferença: o mesmo local da foto acima (onde apareço dentro do caldeirão) após a chuva, vista da margem oposta. O caldeirão foi totalmente encoberto pela água.

Saímos apenas 11:30. Sem chuva, apenas nublado e tomamos rumo Norte para visitarmos o morro do Pai Inácio.

No caminho o Ramon quase esbarra num filhote de camaleão, parecendo um graveto sobre um arbusto, meio que atravessado na trilha.

Atravessamos o rio Mucugezinho duas vezes, a segunda com certa correnteza e risco de escorregão e rafting involuntário (a correnteza podia fazer perder o pé de apoio).

Deixamos as mochilas na Pousada Pai Inácio, no sopé do morro de mesmo nome, onde lanchamos. Teríamos que passar por ali na volta. Fomos então para o morro, 3,5 km adiante. Lá em cima o vistão lindo. O melhor horário é o pôr-do-sol porque os raios batem nos paredões da vizinha serra do Brejão, pintando-os de laranja.

Vista do Pai Inácio para o Sul, com o Morrão isolado aparecendo a direita, ao fundo.Fotógrafo e modelo.

Mas não pudemos esperar o crepúsculo. Teríamos que voltar, pegar as mochilas e andar outros 3 km até a cachoeira do Pai Inácio.

Chegamos na cachu no escuro. Lugar lindo. Uma plataforma de lajes de pedra, chão de um antigo quiosque, serviu como base para nossos abrigos. Armamos eles e preparamos a janta a luz de headlamps.

Antes porém descemos para o poção da cachoeira, 50 metros distante, para um banho. Mesmo a luz da lanterna percebíamos como esta cachoeira, embora pequena, é um dos locais mais mágicos e fotogênicos da Chapada.

Apesar dos gravetos molhados, consegui acender o fogo no meu fogareiro de titânio, para fazer um chá. Mas sempre usamos os fogareiros a álcool devido ao tempo chuvoso.

Ramon & Paula comentaram que ficaram impressionados com a diversidade e qualidade dos alimentos vendidos nos mercadinhos do Capão. E muita coisa de produção local. Me deram até um pouco de cogumelos secos para hidratar e incrementar o meu jantar.

Noite boa, de prosa. Eles contaram suas aventuras na Patagônia, passando boas dicas. Muita experiência e conhecimento mais que suficiente para serem bons guias de muitos roteiros de trekking na Patagônia.

Fomos dormir quando começou um leve chuvisco. Durante a noite choveu, mas pouco. Não senti frio. Estávamos num local cercado de mata, sem vento.

Foto do meu bivaque, ao amanhecer.

Logo cedo, após o café, desci para lavar os pratos e tomei um rápido banho no poção. Tiramos fotos da cachoeira. Colocamos as coisas na mochila e antes da nove horas já estávamos andando.

Pequena e bela.

Foto profissional!

Decidimos voltar para a BR 242 (sopé do morro Pai Inácio) porque o roteiro alternativo que propus (Poço Verde, Poço do Diabo, voltando para Lençois por trilha paralela ao Rio São José) implicava numa volta bem maior e o cruze de mais rios.

Andamos 3 km no acostamento da estrada até pegarmos uma estradinha de terra à direita, descendo para o Mucugezinho onde pegamos água, cruzamos a ponte e passamos diante da casa abandonada de Dona Ponem.

Dona Ponem.

Ali entramos num antigo caminho de tropeiros, alguns trechos com calçamento de pedra. Várias partes desta trilha viraram córregos devido as chuvas. Tínhamos que abandonar o caminho, por vezes, para logo retornar num ponto seco.

Duas horas após sair do Ponem chegamos no ponto onde se cruza o rio Mandassaia. Aproveitamos para lanchar. Em seguida subimos para a Garganta de Pedra, um corte artificial na serra para facilitar a passagem das tropas de mulas.

Subindo para a Garganta de Pedra.

Ali começava uma longa descida rumo a Lençois, passando pelo Barro Branco.

Pegamos um desvio para visitarmos a cachoeira do rio Mandassaia. Mas devido ao terreno difícil e o leito do rio muito cheio de água, abortamos a idéia e retomamos o caminho de volta para Lençois, pela estrada do Barro Branco.

Fomos até aqui. Ao fundo, no meio, a Cachoeira Mandassaia. Terreno difícil.

Uma carona providencial nos poupou pelo menos meia hora de caminhada para Lençois, onde chegamos por volta de 17 horas.

Pelo GPS ficou registrado que percorremos 50 km nestes 3 dias.

Fomos para a rodoviária onde comprei a passagem de volta para Salvador e, em seguida, sentamos num restaurante para um tradicional e delicioso suco de mangaba e para obter sinal de internet pelo wifi. Ramon e Paulo conseguiram uma reserva de quarto imediata pelo Air BNB. Eles ficarão mais 2 dias em Lençois de onde seguirão em sua jornada sabática, agora pelo Brasil.

Em breve, no caminho de volta para São paulo, devem passar novamente pela Bahia. Descobriram que um mês é pouco, para passear e conhecer a Chapada.

DICAS

Trilha fácil, visitando dois cartões postais da Chapada. Se for por agência paga uma grana boa por algo que pode ser feito sem guia (para aqueles com um mínimo de experiência e com conhecimento de navegação). Mapa e GPS ajudam quem não conhece o terreno.

De Salvador para Palmeiras há ônibus diário da Real Expresso e Rápido Federal (cerca de R$ 100). Em Palmeiras se pega uma van para o Capão (R$ 15).

Peter Tofte
Peter Tofte

Published on 06/13/2018 12:57

Performed from 06/09/2018 to 06/11/2018

2 Participants

Paula @mochilaosabatico Ramon

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Paula @mochilaosabatico
Paula @mochilaosabatico 06/13/2018 22:07

Um mês é muitooo poucoooo

Peter Tofte

Peter Tofte

Salvador, Bahia

Rox
2147

Carioca, baiano de criação, gosto de atividades ao ar livre, montanhismo e mergulho. A Chapada Diamantina, a Patagônia e o mar da Bahia são os meus destinos mais frequentes.

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