PN Perito Moreno - Que AZARA!!
Lugar lindo na Patagônia argentina. Doze dias maravilhosos na companhia de Lúcia e de Ramon Quevedo e Paula Yamamura (Mochilão Sabático).
Trekking Mountaineering CampingA idéia inicial desta trip Chile 2026 era fazer o PN Patagônia sentido Chile Chico-Cochrane. Entretanto Ramon e Paula (Mochilão Sabático) coincidentemente estavam na área e sugeriram fazermos juntos, antes, o PN Perito Moreno na Argentina.
Nao confundir com o glaciar Perito Moreno no PN Los Glaciares, que é bem turistão.
Já tinha visto no Instagram um vídeo deste parque que me chamou a atenção pela extrema beleza. Apesar disto ele é considerado o parque menos visitado e mais selvagem da Argentina. Por uma única razão: dificuldade de acesso. Está a aproximadamente 1.150 km ao sul de Bariloche e 550 km ao norte de El Chaltén. Não há transporte público até ele. Devemos ir até Gobernador Gregores na Ruta 40 e lá pegar transporte privado até o parque a cerca de 300 km de distância, dos quais, a partir de las Horquetas (não confundir com as de Cerro Castillo), são 97 km de rípio.
Como eramos em quatro, o rateio do frete seria mais em conta.
Aceitamos a proposta. Mudamos o roteiro do PN Patagônia para o PN Perito Moreno. Encontraríamos com eles em Chile Chico.
Aqui farei apenas o relato do primeiro circuito dentro do parque. Depois relato os outros.
Eu e Lúcia chegamos em Chile Chico 16/02 a noite após um périplo a partir de Santiago: três ônibus, um ferry (30 horas), mais 3 ônibus e outro ferry até chegamos a vilazinha fronteiriça. A viagem de ferry de 30 horas (Quellón-Porto Cachabuco) foi uma grata surpresa e por si só será objeto de um relato.
Ramon e Paula já nos esperavam para jantar numa casa obtida no AirBNB com quarto extra. Saudades destes amigos. A última vez que nos vimos foi no voo Santiago-São Paulo, coincidência! Ambos os casais voltando da trip Chile 2025. Essa seria a quarta trilha que faria com eles (ver relatos Malalcahuelo e Na Chapada com o Mochilão).
Muita prosa, muita risada regada a vinho tinto.
Paulinha contatou por e-mail quem fazia este transporte e recebeu varias respostas. Rocio, da Estancia La Oriental fazia por 250.000 pesos argentinos (950 reais). E ela era uma transportista autorizada, ou seja, podia percorrer as estradas do parque.
Tiramos o dia 17/02 para fazermos compras em Chile Chico. Do Brasil trazia comida liofilizada, chocolate e leite em pó. Em Santiago comprei comida da Daff MRE e um chocolate chileno que gosto muito. No mercadinho da vila compramos salame, atum em lata, polenta, sementes secas, queijo, pão e coisinhas mais. Ramon nos alertou para comprar comida para 15 dias. Acho que comprei para 12 dias. Neste mesmo mercado compramos nosso almoço.
De tarde dei um passeio subindo até o mirante de Chile Chico.
Estátuas ao lado do mirante e ilhotas no lago General Carrera, em frente a cidade.
18/02 pegamos um taxi para a Aduana/ Imigração Chilena onde demos saída do Chile. Ali ocorre um dos maiores absurdos fronteiriços que já vi. A Aduana/Imigração Argentina ficava a cerca de 6 km e não havia transporte público. Taxis eram impedidos de fazer este percurso binacional. Ou seja, tivemos de andar isto tudo pelo acostamento. Carona? Tentamos, mas em região de fronteira ninguém gosta de oferecer carona por razões óbvias. Nestas horas gosto do Mercosul onde temos Aduanas Integradas, no mesmo lugar. Basta sair de um guichê e ir para o outro.
Entrando a pé na Argentina.
Após os trãmites de entrada na Argentina andamos mais 2 km até o centrinho de Los Antiguos onde paramos para almoçar. Depois fomos para a rodoviária esperar o busão Los Antiguos-Gobernador Gregores (o ônibus na verdade fazia o trajeto Bariloche - El Chaltén). Passagem para as 22 horas. Havia comprado pela internet.
Boa espera. Aproveitamos para comprar mais alguns suprimentos.
A noite pegamos o bus que só saiu as 23 horas da cidade. A viagem foi ruim. Estavamos no andar de cama/leito mas fazia calor e a luz de leitura ligava a toda hora sozinha durante o trajeto. Em determinado momento, na Ruta 40, Ramon sentiu uma freada forte e quando olhou pela janela viu o traseiro de um puma, o felino fugindo para a escuridão após quase ser atropelado. Não vi, eu estava dormindo.
19/02
Cerca de 3 da madrugada saltamos no posto de gasolina de Gobernador Gregores. Não havia terminal de ônibus naquela cidadezinha esquecida por Deus na estepa patagônica. Sorte que o posto dispunha de banheiros e um corredor ao lado da loja de conveniência. Ali percebi o desastre: as varetas da tenda (Mongar 2 UL da Nature Hike) que havia prendido na lateral da mochila de Lúcia cairam dentro do maleiro do ônibus. Eu, sonado, e o rapaz do ônibus, não percebemos. O ônibus seguiu viagem. Apenas uma hora depois me lembrei de checar isto e levei o susto. Tarde demais.
Me amaldiçoei porque nunca faço isto, prender varetas na lateral da mochila, pelo risco de dano e perda. Mas pensei que a mochila de Lúcia iria no bagageiro superior acima dos assentos. Não cabia. Deveria ter tirado as varetas.
Com o WIFI do posto tentei entrar em contato com a empresa de ônibus mas era muito cedo.
A Rocio viria nos buscar apenas 9 horas.Eu e Ramon aproveitamos para visitar o supermercado da cidade procurando tendas a venda. Havia. Mas daquelas porcarias que vendem normalmente em supermercado, com varetas de fibra que não resistem a uma leve brisa patagônica.
Quando Rocio chegou ela me disse que tinha una carpa para alquilar. Fiquei aliviado.
Botamos as coisas na caçamba da pickup Hilux e partimos. Ela passou a senha do WIFI do Starlink do carro. Consegui contatar a Chalten Travel (empresa do ônibus). Disseram que iam consultar o operativo. Nunca mais me contataram.
Por quase 2 horas percorremos a Ruta 40 sentido norte, por aquela estepe patagônica de capim amarelo que parecia infinita. Aqui e acolá guanacos apareciam. Uma monotonia só. Bem a leste, a nossa esquerda, se divisava a pré-cordilheira dos Andes.
Logo após Las Horquetas dobramos a esquerda pegando o rípio. Uma extensa planura onde cabiam 1.000 campos de futebol. Imaginei andar a pé aquela estrada por 97 km...Depois o terreno ficou um pouco mais acidentado com coxilhas. Com cerca de uma hora entramos no parque nacional e chegamos na sede dos guarda parques.
Fomos bem recebidos pelas voluntárias do parque que nos orientaram na elaboração do roteiro. Cada sendero tem refúgio ao final de cada trecho/dia e, para nossa supresa, estes estavam vazios nas datas que precisavamos. Eles trabalham com um sistema de reservas onde inserem numa planilha a data e quem ocupará o refúgio. Cada refúgio, a depender do modelo, poderia receber de 4 a 6 pessoas. Ali deu para perceber o quão o parque é pouco visitado. O PN Perito Moreno não cobra entrada.
A voluntária mostrando os refúgios do circuito para Ramon.
Assim pude dispensar a tenda que Rocio se dispôs a alugar. Deixei o agora inútil tecido da barraca com os guarda parques. Ramon/Paulinha também deixaram a barraca ao cuidado deles. Idem, o excesso de comida.
Decidimos fazer primeiro o circuito AZARA, o mais famoso. Reservamos os refúgios e partimos no carro da Rocio. Da sede dos guardaparques até o início da trilha são mais de 12 km por estrada de rípio. Ela nos levou mediante um pagamento extra (2.700 pesos argentinos por km). E combinamos o dia e horário de regresso, para o resgate (5 dias depois).
Ao chegarmos no início da trilha pagamos o transporte (200 doletas no total). Considerando a distância e que eramos 4 pessoas, achamos até razoável.
Partiu AZARA. Poucos minutos após sentimos a potência do vento patagônico. As meninas haviam avisado que o dia seria ventoso com rajadas superiores a 60 km. Paulinha e Ramon foram molhados por chuva que vinha de baixo. Ao passar junto a margem de uma laguna o vento jogou água da laguna para cima deles. Eu e Lúcia, nas rajadas mais fortes, tivemos que parar e nos inclinarmos para a frente com os bastões apoiados atrás.
A trilha seguia bordeando o lago Belgrano, de um azul turqueza incrível. Ela seguia pela encosta, bem afastada da água. Em apenas um momento chega no lago numa prainha empedrada. O sendero não é difícil. O cansaço se devia mais a caminhada contra o vento.
Chegamos ao refúgio Tucuquere quase as 19 horas após percorrer 12 km. Fica num lugar adorável, numa peninsula florestada formando uma pequena baía no lago Belgrano, e protegido dos ventos dominantes.
Ao chegarmos haviam 4 pessoas no refúgio que imediatanmente saíram e foram para suas barracas. Durante o dia é de uso coletivo. A noite passa a ser exclusivo de quem reservou.
Construção simples mas bonita, muito bem feita e limpa. Este era do modelo pequeno, com apenas 3 beliches. Um de nos (eu) teria de dormir no chão. A cereja do bolo: uma salamandra e lenha já a disposição empilhada ao lado da casinha. Havia também 2 domos ali perto.
Nos acomodamos e Ramon acendeu o fogo da salamandra. Um calorzinho bom subiu e aqueceu o ambiente. Ele comentou que nunca ficou num refúgio tão bom e FREE! E olhe que o Mochilão é viajado, Conhecem refúgios na América do Sul, Europa e Estados Unidos.
Eu e Lúcia descemos para tomar um banho. As regras do parque não permitem se banhar no lago mas, como fizemos, pegar uma panelinha e jogar a água no corpo, afastados das margens. Água em torno de 7ºC. Após o choque inicial se torna uma delícia. Uma sensação de bem estar incrível. Estavamos tão sozinhos que pudemos tomar banho nus.
Após a janta saímos para tirar mais algumas fotos do entardecer e fomos dormir.
Ramon tirando fotos.
20/02
Acordamos por volta de 9 horas. Antes disso é penoso. Frio pra kct. O objetivo do dia seria o refúgio Azara, junto ao lago de mesmo nome e da corredeira que liga o Belgrano ao Azara, considerado o lugar mais lindo do parque. Este refúgio, para 6 pessoas, teríamos que compartilhar com um casal.
Trilha bonita, muito bem sinalizada. Ramon comentou que era padrão PCT, muito bem planejada e elaborada. Havia plaquinhas de km em km com a distância percorrida. Passamos por belíssimas lagunas e florestas de coigues.
Parada para lanche após um riachinho. Não falta água no circuito.
A laguna da foto abaixo era especialmente bonita. Logo atrás dela a pequena serra que subiríamos antes de descer para o Azara.
Subimos a serra. Lá em cima um mirante antes da descida final (altitude 970 m). Uma vista simplesmente extasiante do Azara, do Belgrano e da cascata que liga os dois lagos, Como pano de fundo montanhas nevadas. Ramon mostrou os Três Hermanos, três montanhas alinhadas, já no lado chileno, marco de referência para quem faz a Ruta de Los Pioneros, o trekking mais difícil e lamacento da Patagônia (eles já fizeram).
Azara e a cascata ligando o Belgrano ao Azara. Azul turquesa impressionante.
Descemos então para o refúgio à beira do lago. Outro encanto. Ninguém no local, sequer na área de acampamento. O abrigo era do tipo maior (6 beliches).
Aproveitamos eu e Lucia para lavarmos roupa (mesmo esquema da panelinha). Depois foi o nosso banho. Decidimos levar água numa panela grande (sim, o refúgio tinha esta panela e uma chaleira) para o lado oposto ao vento no refúgio. Não queriamos tomar banho nas margens do Azara porque estava ventando bem. Tomamos banho de cuia ao lado do refúgio. Na vez do Ramon, um casal chegou e ele ouviu um fiu-fiu, não sabemos ainda se assobiado pelo homem ou pela mulher. Eles se dirigiram para a área de camping (haviam 3 decks de madeira para montagem de barracas). Achamos que era o casal que havia reservado também o refúgio mas que ficou intimidado pelo Ramon Peladão. Na verdade penso que queriam mais privacidade daí terem optado pela tenda. Ótimo. Um refúgio espaçoso só para nós.
Apesar da cascata Azara estar a apenas 300 metros decidimos só visitá-la na manhã seguinte.
21/02
Amanheceu lindo. Antes do café fomos para a cascata. Trilha fácil pertinho da margem do lago. Após uma pequena subida a linda cascata. O enorme Belgrano deságua no Azara por esta estreita faixa. Daí a grande vazão. Apesar de ambos os lagos estarem no lado argentino, no lado leste dos Andes, suas águas atravessam a cordilheira e desembocam no Pacífico.
Muitas fotos. A vista deste lugar e do mirante, ontem, é sem dúvida uma das mais belas que já vi na Patagônia. El Chaltén e TDP são espetaculares, mas agregue a este cenário a solitude, trilhas perfeitas e os refúgios excelentes e free deste parque, Perito Moreno é imbatível.
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Felizes neste cenário maravilhoso!
Ramon, rei dos trocadilhos, vivia repetindo: que Azara nos tivemos!!
Logo depois do café partimos. destino de hoje, refúgio La Angostura, num ponto mais estreito do lago Belgrano.
Caminho pela crista de uma serrania, um chato sobe-e-desce exposto aos ventos.
Ultima vista para o Azara.
Eu e Lúcia decidimos pular um side trip para um mirante. Ramon e Paula foram ver. Assim adiantaríamos o nosso lado já que eramos mais lentos.
Descanso.
Vista da crista para o Belgrano.
Nos encontramos novamente por volta das 13 horas, quando eu e Lucia paramos para almoçar. Mal sentamos e eles chegaram. Lanchamos juntos.
Pouco depois a descida para o La Angostura. Cerca de meia hora até o lago.
Refúgio La Angostura. Também com 6 beliches.
Enquanto estávamos acomodados lá dentro chegou uma equipe de voluntários do parque num bote inflável com potente motor de popa. A maioria usava uma roupa de neoprene de salvamento cor laranja feita pela Pino de Santa Catarina. Nestas águas só colete não adianta. Se morre de hipotermia antes de alcançar a margem do lago. Doug Tompkins, fundador da TNF e o grande benfeitor da Patagônia, morreu tragicamente deste modo ao virar o caiaque durante uma tempestade/ventania.
Esta equipe veio fazer a higienização do banheiro seco, verificar o estado do refúgio e trouxeram umas placas de KM para sinalizar o próximo trecho da trilha. Jovens, alguns vinham da província de Buenos Aires. Conversamos um pouco com eles. Na hora que foram embora tiramos fotos da equipe partindo no zodiac. Acenaram para nós, alegres e orgulhosos de serem motivo daquela atenção e fotos. E deviam estar com pena daqueles pobres mortais que estavam apenas de passagem por ali.
A prainha estava boa para o banho de caneco nas margens. Fazia um solzinho bom. Nudismo tranquilo.
Novamente o refúgio ficou apenas para nós.
O mestre-cuca fazendo a janta.
22/2
Eu e Lúcia partimos primeiro. Passamos por duas lagunas e, em seguida bordeamos uma praia numa linda baia do Belgrano onde um casal de hualas (Podiceps major) flutuava.
Logo depois uma grande e cansativa subida para um dos pontos mais altos do trajeto, com linda visão do lagão: 938 m de altitude.
Neste momento dava para enxergar a península onde ficava o Tucuquere onde estivemos 3 dias antes.
Agora uma decidona até alcançarmos uma planície onde fica o antigo Puesto de Los 9 (provavelmente abrigo dos pastores de ovelhas da antiga fazenda).
Perto da área de camping selvagem paramos a beira de um riacho para lanchar. Neste momento Paulinha e Ramon nos alcançaram. Faltava apenas meia hora para o Tucuquere.
De lá seguimos viagem para o refúgio René Negro, percorrendo o caminho que fizemos no primeiro dia bordeando o Belgrano. Dia puxado, 24 km no total. Isto porque o Tucuquere já estava reservado por outros trekkers.
Na descida para o René Negro, olhando para trás o imponente Cerro Mié.
Chegamos no refúgio com 3 beliches após 18 horas. Prainha gostosa. Aproveitamos o sol. Escurece apenas 20:30. Banho e lavagem de roupa.
Lucia no refúgio. Notar a salamandra acessa a direita.
Outra noite aconchegante.
23/2
Mais um dia bonito, ensolarado. Eu e Lúcia saimos mais cedo. Ela inovou usando bermuda.
Vista da baía onde fica o René Negro, na área com mata ao pé dos penhascos.
Chegamos no estacionamento com uma hora de caminhada fácil. Pouco depois chegaram os Sabáticos Galácticos, exatamente as 9 horas, horário do rendez vous. Mas nada da Rocio. E ali não havia sinal de celular (como em todo o circuito). Falei que se nove e meia não aparecesse deveriamos começar a caminhada em direção a sede do parque. Me chamaram de ansioso. O engraçado que 09:20 o Ramon disse para partirmos, justo ele que me chamou de ansioso.
Caminhada chata por 12 km de estrada de rípio. Passamos pela laguna dos Flamingos onde tiramos fotos deles ao longe. Um guanaco desinibido passou entre nos e a lagoa. Mas vale muito a pena fretar o carro porque entre os senderos/circuito do parque há uma boa distância de rípio.
Ramon e Paula se adiantaram.
Olhei o horizonte a Oeste e percebi que o campo visual diminuia rapidamente. Primeiro uma montanha deixava de ser visível, depois outra mais próxima. Uma frente de névoa e chuva se aproximava. Faltando uma hora para a sede do parque a chuva nos alcançou. O açoite forte e gelado das gotas atingia o rosto e não era uma sensação agradável. Fiquei com pena de Lucia que continuava a usar a bermuda. Ela dizia que não valia a pena parar para calçar a calça impermeável dela, uma boa Terrex Adidas.
Ainda bem que nossos abrigos impermeáveis/respiráveis funcionaram a contento.
A chuva só passou seguindo rumo Leste quando quase chegávamos na sede. Paula nos recebeu com novidades: os guarda parques cederam o WIFI e ela ligou para Rocio. Ela pediu desculpas e disse que a avó passou mal e precisou ser hospitalizada e na confusão que se seguiu esqueceram de nós. Mandariam uma van nos buscar e ofereciam uma noite gratuita numa cabaña da Estancia La Oriental, como compensação. Topamos.
Assim deixamos de seguir imediatamente para o Circuito Península (já passara metade do dia) e fizemos a reprogramação da reserva dos refúgios com o pessoal do parque, para começar no dia seguinte. Sorte outra vez. Todos os refúgios que queríamos estavam vazios. Parece também que o circuito é menos procurado que o AZARA e o da laguna Los Témpanos (Rio Lácteo). Também nos antecipamos e reservamos o refúgio/domos do Lácteo.
Pegamos o que deixamos com os guarda parques (tendas e comida extra) e embarcamos no carro.
Na Estância La Oriental descobrimos desapontados que a expectativa do quarto no resort de luxo se resumia a uma cabaña pequena com 4 beliches sem banheiro, kkkkkk. Bem que Ramon dizia, o segredo da felicidade é manter a expectativa baixa pois quando a realidade chegar não ficaremos tristes ou decepcionados. A cozinha e o banheiro do camping estavam mal cuidados, enfim, largados. A primeira cabaña oferecida a Lucia recusou. Os lençois e fronhas não haviam sido trocadas desde o hóspede anterior. Remanejaram para a outra cabaña. Ao menos parecia que tinha sido arrumada.
Para terem ideia dos preços, a cabaña compartida por quatro saia a 95 reais por pessoa. Mas, como prometido, não cobraram.
Fomos lanchar algo na cozinha do camping. O banheiro ao menos tinha ducha quente.
Chamei Lucia para jantar um cordeiro com vinho no restaurante da Estancia. Prato muito bom, mas caro como só a Patagônia argentina pode ser.
Percorremos 60 km do Circuito Azara mais 12 km suplementares já que o resgate falhou.No circuito todo não encontramos mais que 30 pessoas.
Foto do mapa na sede do parque.
Dia seguinte partiríamos para um novo e bonito circuito (próximo relato).
Dedicado a estes amigos que propuseram este roteiro mágico!
Legal demais o relato! PN Perito Moreno é o melhor parque andino que já fomos! Nota 1000!
Ah! Teve mais uma trilha que já fizemos juntos: aquele day hike no Peru.