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Cerro Bonete 5.050 Metros de Altitude | Aconcágua

Cerro Bonete 5.050 Metros de Altitude | Aconcágua

Quarta e última parte do Trekking no Parque Provincial do Aconcágua, saindo de Plaza de Mulas até o Cerro Bonete e o retorno para Mendonza.

Mountaineering High Mountaineering Trekking

"The winter is comming"

Para quem chegou neste relato diretamente, esta é a quarta e última parte do relato do Trekking no Parque Provincial do Aconcágua até o cume do Cerro Bonete. Os links para as demais partes do texto estão no final deste relato!

Plaza de Mulas (Aconcágua Basecamp) x Cerro Bonete

No dia 11 de janeiro acordamos no acampamento base do Aconcágua para o que seria, para mim, a meta da viagem: o cume do Cerro Bonete que fica a cerca de 5.050 metros de altitude. Hélio, Lina e Fernanda ainda seguiriam para tentar o cume do Aconcágua.

A noite foi melhor que a anterior e acordei descansado, o calor na barraca foi maior que na tenda onde dormimos na noite em que chegamos em plaza de mulas. Eu estava bem, ainda tomando bastante água e sem dores de cabeça. O dia amanheceu ensolarado, mas o sol só atingiu a tenda onde tomamos um café da manhã reforçado por volta das 9h30. Na Plaza de Mulas o sol nasce atrás do Aconcágua e a sombra do gigante ofusca os raios de sol da manhã e o desejado calor.

Preparamos um lanche para o dia, arrumamos as mochilas e nos organizamos para o ataque ao Cerro Bonete. Estava ansioso pois esta seria minha primeira montanha de 5k (quer dizer, teve aquela vez no Chacaltaya mas essa eu fui de táxi, então nem conta hahaha) e minha meta nessa viagem.

Iniciamos a caminhada descendo um pequeno vale que divide o acampamento de Plaza de Mulas de um antigo Hotel-Refúgio abandonado na cordilheira (não encontrei muita informação sobre ele na internet. Se alguém souber mais e puder comentar alguma referência, gostaria de ter mais informações).

Uma grande estrutura e um lugar incrível, ficamos imaginando como seria acordar de manhã com a vista do Aconcágua do quarto e tomar um café quente! Voltando à realidade, uma subida íngreme de pedras nos aguardava pela frente.

Seguimos pela trilha em zigue zague com passos lentos. As pedras estavam bem soltas e a subida bastante íngreme, uma acelerada a mais no ritmo e já sentiamos o ar começando a ficar cada vez mais rarefeito.

No final da subida passamos por uma área de neve, cortada por uma trilha compactada por outros montanhistas que seguiram para o cume mais cedo.

Ao fundo o gigante ia se tornando cada vez mais imponente. Sem dúvida, esse caminho para o Cerro Bonete tem uma das vistas mais lindas do Aconcágua, na minha opinião. Às vezes eu parava alguns instantes e ficava perplexo com a imensidão. É dificil descrever essa sensação. Acredito que só aqueles poucos que se aventuram nas montanhas sabem o quanto a grandeza delas é impactante ao olhar.

Descemos o trecho de neve até um outro pequeno vale e começamos uma subida menos íngreme, agora com um monte nevado à direita que ia mostrando toda sua face. Junto com o Aconcágua, ao fundo, formaram uma vista incrível.

Seguimos mais um pouco pelo trecho de pedras e logo começamos a ver o Cerro Bonete se aproximando, uma subida intensa com trechos de pequenas pedras soltas. Vimos alguns outros grupos subindo.

O tempo nesse momento começou a fechar, percebemos que a nevasca ia chegar mais cedo nesse dia e possivelmente iríamos chegar junto com ela no cume.

Continuamos em passos curtos e consistentes e iniciamos a subida mais acentuada. O frio nesse momento começava a se intensificar e o oxigênio às vezes não era suficientes para ganhar fôlego em uma acelerada fora do compasso.

Começamos a nos aproximar do cume, o vento nesse momento era ainda mais forte e o frio que anunciava a nevasca era intenso no rosto. Paramos para lanchar e descansar um pouco antes do sprint final.

A nevasca nos atingiu nos últimos 200 metros. Estávamos em tempo para fazer um ataque mas o desconforto aumentava a cada passo. Passei um grande dilema com o Buff nesse momento, subestimei um pouco o checklist achando que não ia precisar de mais de um para proteger o rosto do frio, mas com cinco dias de uso o cheiro não era dos melhores rsrs.

Com pouco oxigênio e a necessidade de tampar o rosto para diminuir o frio na pele e o ar gelado nos pulmões, fiquei em uma guerra de tirar o buff e passar frio, colocar o buff e sentir ânsia (somado pelo cansaço e falta de oxigênio). Acredite, parece algo simples mas foi punk.

Nesse momento com as condições adversas, o corpo e a mente começam a se proteger e querer retornar. O montanhismo, nesse momento, passa ser um exercício incrível de controle emocional, seguir em passos curtos e respirar profundamente se torna um mantra. Ainda mais, para ajudar, estava bem apertado e começando a sentir cada vez mais frio. Me senti muito melhor depois de fazer um xixi a 5 mil metros, é muito revigorante e com uma vista incrível! :D

Dica: Com urina na bexiga o corpo precisa gastar muita energia para "manter" o líquido aquecido, a sensação térmica dimunui e o frio fica mais intenso. Procure urinar sempre que possível para não reter muito líquido no corpo, essa é uma dica importante não só no montanhismo como em outros esportes outdoor em locais com baixa temperatura.

Faltava pouco agora!

A sensação de conquista começava a tomar conta do ânimo de todos enquanto passávamos os últimos trechos de pedras escorregadias, gelo e neve.

É CUME!

Essa sensação é outra que não se pode descrever em palavras, o tempo estava fechado, a neve intensa mas conseguia ver nas frestas das nuvens a altitude em que estávamos. Eu estava lá, vendo e sentindo a grandeza de se estar nas montanhas. Estava bem e feliz.

Fizemos um registro fotográfico de todos, comemos um lanche rápido e não ficamos muito tempo no cume. Ainda tínhamos um longo retorno e a neve continuava caindo.

O retorno, apesar da nevasca, foi tranquilo. Descemos rápido com passos longos que deslizavam nas pedras, todo trabalho em ficar derrapando e subindo devagar é recompensado na descida.

Retornamos ao acampamento base com um sorriso no rosto. A neve nos acompanhou por todo o retorno, mas chegamos bem. Pra comemorar, nessa noite tivemos pizzas preparadas pelo Hélio, aprendi as técnicas de se preparar mini-pizzas no fogareiro rsrs.

Aqueci uma água para a térmica, e já na barraca me preparei para noite, e claro, comi a Pringles da vitória hahaha. :D

No dia seguinte acordei de manhã e me despedi dos amigos, eles vieram para tentar o cume do Aconcágua! As janelas para ascensão não eram boas e seria uma missão difícil. Mas essa parte só eles podem contar!

Segui solo no caminho de volta até a portaria, foi uma boa sensação caminhar sozinho nas montanhas também. Voltei rápido para chegar a tempo de pegar o ônibus para Mendonza. Em um momento me vi sozinho na Playa Ancha, sem ninguém ao redor e com um mundo de montanhas em volta. Foi emocionante!

Parei para um lanche rápido em Confluência e segui para a portaria para o checkout. Cheguei por volta das 16h30, em tempo para o ônibus. O rapaz da caminhonete me pegou na portaria e levou de volta para Ponte Del Inca, onde peguei minhas coisas que ficaram para o retorno e então embarquei no ônibus para Mendonza.

PS: As pessoas acham que vivo essa vida de aventuras pelo contato com a natureza, os amigos, as jornadas desafiadoras, o desenvolvimento pessoal e autoconhecimento, mas na verdade eu só faço essas coisas pelos créditos calóricos - que foram muito bem gastos em Mendonza nas Churrascarias regadas a Cerveja, Vinho e acompanhado das verdadeiras Empanadas Argentinas! - hahah :b

Prost! :D

Bônus: Pizza de Fogareiro

  • Para a pizza de fogareiro, passe um pouco de ketchup na massa de mini-pizza, acresente o queijo e alguma proteína como salame ou calabresa. Tempere com orégano, manjericão e um pouco de azeite.
  • Coloque o fogareiro em fogo baixo e a pizza na frigideira com tampa.
  • Deixe um pouco até perceber que o fundo da massa está começando a ficar sequinho.
  • (Segredo do Sucesso): Quando perceber que a massa está sequinha e dourada no fundo, levante um pouco a tampa, coloque na lateral da frigideira um pouco de água e feche rapidamente.
  • O vapor vai derreter o queijo e pronto! Só servir e repor as energias! :D

Termino aqui o registro dessa aventura. Estas lembranças para mim são como pequenos tesouros que coleciono nessas caixas de aventuras.

Obrigado pela leitura! Que o relato inspire outros aventureiros a visitar as montanhas dos Andes, com preparo e consiência dos valores de Mínimo Impacto.

1) Puente del Inca x Confluencia
2) Plaza Francia, Face Sul do Aconcágua
3) Confluencia x Plaza de Mulas
4) Cerro Bonete

Bons ventos!

Renan Cavichi
Renan Cavichi

Published on 05/18/2019 17:56

Performed from 01/11/2019 to 01/12/2019

3 Participants

Fernanda Degow Hélio Fenrich Spot Brasil

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Peter Tofte
Peter Tofte 05/20/2019 13:11

Parabéns! Bela aventura! Senti frio e água na boca num só relato kkkkkk. Creio que a 5ª foto de baixo para cima tem uma vista para o cajón no final da Quebrada de Matienzo (vale vizinho ao de Horcones).

Eduardo Sato
Eduardo Sato 05/28/2019 00:49

Vai voltar lá Renan? Hahahaha. Eu ando meio parado, comecei a esboçar o relato do ano passado só agora (Aconcágua, mas sem cume - vai demorar mais um tanto ainda). Tou pra tirar a ferrugem do corpo e começar a me mexer pra encarar a Sentinela de novo. Isso se não mudar o plano de novo....

Renan Cavichi
Renan Cavichi 06/03/2019 17:56

Bruno, certeza cara! Logo está chegando nos 5k e mais! Simbora!

Renan Cavichi
Renan Cavichi 06/03/2019 17:56

Ana, Querida! :) Obrigado!

Renan Cavichi
Renan Cavichi 06/03/2019 18:02

Peter, Hahaha, coloquei as fotos dos pratos pra dar mais motivação pra voltar pra Mendonza! Hahah Vi o mapa que comentou na outra parte do registro e fiquei olhando as fotos para ver se o vale era a Quebrada de Matienzo, pelo que eu vi aqui, esse pequeno vale que fica logo atrás do cume é uma "quebrada" da Quebrada rsrs. Ele é curto e dá acesso ao vale principal que ainda segue ainda mais alguns quilômetros. Deve ser uma aventura muito legal entrar pela Quebrada, e fazer esse desvio para atacar o cume! Me parece pela foto que é possível, vindo pela crista do cume mais baixo ao lado!

Renan Cavichi
Renan Cavichi 06/03/2019 18:04

Fala Sato! Ainda quero voltar lá qualquer hora pra fazer o cume. Mas ainda tem muita montanha ali na região na faixa de 5k, 6k que vale a pena fazer antes, não quero comer a cereja do bolo antes vai perder a graça. hahaha Massa quero ver o relato, nessa temporada muita gente não pode fazer o cume por conta do tempo!

Peter Tofte
Peter Tofte 06/04/2019 11:52

Renan, creio que vc avistou o Cajón del Rubio, uma quebrada quase no final da Matienzo que corre para a direita, em direção ao Bonete.

Airton Rosas
Airton Rosas 06/09/2020 09:41

td bem . estou estudando a possibilidade de escalar o aconcagua esse ano, há interesse da sua parte ou um grupo.

Renan Cavichi

Renan Cavichi

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Apaixonado por atividades outdoor e aventuras. Explorar as belezas naturais do nosso mundo na companhia dos amigos é uma das minhas maiores felicidades na vida.

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