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El Chaltén - Trekking Fitz Roy via Rio Eléctrico

El Chaltén - Trekking Fitz Roy via Rio Eléctrico

Oitavo episódio de relatos Ciclotrekking - Pra Lá do Fim do Mundo. Uma cicloviagem ao extremo sul da Patagônia e Terra del Fuego

Trekking Mountaineering Hiking

Rumo à El Chaltén

27 de dezembro de 2019

Depois de cruzar o Paso Mayer, Rosangela e eu, definimos que deveríamos fazer de tudo para chegar antes do dia 31 de dezembro em El Chaltén para comemorar a virada de ano realizando um trekking até o Fitz Roy. Para que nosso plano desse certo, deveríamos em apenas cinco dias superar mais de 500 áridos quilômetros na ventosa estepe patagônica. Tarefa essa que demandaria além de pedalar muito, pegar algumas caronas quando a coisa ficasse mais complicada por conta do fortíssimo vento contra.

Tínhamos também a necessidade urgente de chegar à primeira cidade mais próxima, que nesse caso, era Governador Gregores. Precisávamos muito comprar comida e reparar os freios de ambas as bicicletas para poder encarar a larga distância até El Chaltén.

A mudança de clima e ambiente desde quando deixamos o Chile era algo esperado e mesmo assim foi surpreendente. Em cerca de pouco mais de quarenta quilômetros de pedal, o clima que era quase sempre chuvoso e tendo uma paisagem cheia de bosques cercados por montanhas nevadas, agora se convertia numa paisagem desértica com ventos fortíssimos onde a baixa umidade do ar fez por várias vezes meu nariz sangrar de tão ressecado. A única constante desde que deixamos o Chile para trás era o frio.

Enquanto pedalávamos do posto de fronteira argentino no Paso Mayer para alcançar a Ruta 40, num golpe de sorte, depois de muito esforço pedalando e já no final do dia, conseguimos uma carona de caminhonete até Governador Gregores. Lá pernoitamos duas noites em uma pequena pousada e aproveitamos o dia seguinte para ir até o mercado e “lavar a égua”, enchendo os alforjes de comida e guloseimas, pois a variedade de produtos e os preços de tudo na Argentina estavam muito mais barato do que em Villa O´Higgins e em todo o setor sul da Carretera Austral.

29 de dezembro de 2019

No dia seguinte bem cedo, depois de um bom descanso e resolver tudo que era necessário para seguirmos em frente, tomamos nosso rumo para o sul pela Ruta 40 para chegar no pequeno povoado de Três Lagos, aproveitando o fato que o vento começa soprar sempre entre nove e dez horas da manhã, e tendo em vista que a previsão para os próximos dias apontava ventos fortes e quase sempre contrários ao nosso rumo.

Conseguimos avançar bem até o momento que o vento intensificou de tal maneira que exigia um grande esforço físico para manter uma velocidade média de dez quilômetros por hora. Neste ritmo, levaríamos pelo menos dois dias para chegar a Três Lagos. Não fosse nossa pressa para passar o ano novo em El Chaltén, essa questão do vento contra não seria um obstáculo impossível de ser superado. Apenas demandaria muita paciência e tempo para avançar devagar quilômetro por quilômetro. Decidimos então tentar a sorte, e quando alguma caminhonete se aproximasse enquanto pedalávamos, pediríamos carona. Deu certo.

Depois de um dia inteiro de vento contra, três caronas, sendo que a última, no fim do dia quando já estávamos conformados e prontos para acampar debaixo da Ruta 40, dentro de uma tubulação pluvial, acabou nos levandodireto para Três Lagos e nos deixando no camping municipal. Maravilha!

30 de dezembro de 2019

Acordamos cedo e bem dispostos para seguir em frente e alcançar nosso destino final. Faltavam aproximadamente 120 quilômetros para El Chaltén. O clima seco e frio, o relevo que embora não fosse plano e a baixíssima quantidade de veículos na estrada, proporcionavam condições boas para pedalar, não fossem os temíveis ventos da região que são o veradeiro terror dos ciclistas que rodam pela Ruta 40.

A paisagem, olhando para qualquer direção, era repleta de colinas com pequenos arbustos e pedras que se perdiam além do horizonte, onde de vez em quando, apareciam algumas casas e galpões, que em sua maioria estavam abandonados. Alguns pequenos lagos e córregos garantem alguma água pelo caminho. Os únicos sinais de animais eram algumas ovelhas dispersas e vários grupos de guanacos que vivem em total liberdade.

O vento neste dia estava soprando em um sentido lateral e com isso, embora fosse igualmente difícil pedalar, conseguíamos avançar com uma velocidade melhor. De vez enquanto, uma rajada mais forte jogava a bicicleta para o meio da estrada. Uma situação que além do risco de desequilíbrio e queda, expõem o ciclista ao perigo maior de uma colisão com algum veículo que esteja ultrapassando a bicicleta no momento do golpe de vento.

Ao chegarmos ao entroncamento da Ruta 40 e a Ruta 23 que leva para El Chaltén, a mudança de direção nos colocou de cara para o vento fortíssimo. Faltam aproximadamente 90 quilômetros para alcançarmos nosso destino final, mas com aquele vento frontal, isso demandaria mais um dia e uma noite de camping na beira da estrada. Decidimos então tentar novamente uma carona e não demorou muito para uma caminhonete parar para nós. O condutor que também é ciclista nos explicou que aquele setor e naquela direção é realmente muito duro de seguir em frente, pois o vento sempre sopra forte e gelado de oeste. Ou seja, frontalmente contrário.

Em menos de uma hora estávamos na agitada El Chaltén. De imediato, contatei meus amigos franceses que já estavam fazia alguns dias hospedados em um hostel. Fomos ao encontro deles e tínhamos a intenção de ficar por lá também. Porém, ao chegar ao hostel, o mesmo estava cheio. Só tinha lugar para barracas, o que não era um problema para nós, mas desistimos de ficar, devido ao espaço para barracas ser muito exposto ao vento. Então, após conversar um pouco com a turma, combinamos que seguiríamos para outro camping próximo dali e que na noite nos reuniríamos para jantar e tomar algumas cervejas, pois no dia seguinte eles seguiriam para El Calafate.

31 de dezembro de 2019

No último dia do ano, fiquei de bobeira aproveitando para conhecer vila de El Chaltén e também aproveitei para fazer cambio de moeda. Depois, de volta ao camping, fui organizar a mochila cargueira com tudo de necessário para no dia seguinte, meter o pé direto para o PN Los Glaciares e conhecer o mítico monte Fitz Roy através de suas trilhas. A ansiedade era grande a tal ponto que após o jantar, nem quis saber de festa, fui dormir sem dar qualquer importância para as festividades do réveillon.

01 de janeiro de 2020

Acordamos cedo e após tomar um café da manhã reforçado, fomos eu e Rosangela, desmontar as barracas para finalizar de fechar as mochilas e meter o pé na estrada até a Ponte do Rio Electrico.

Por sugestão de Rosangela, ficamos próximo do estacionamento do parque tentando alguma carona, uma vez que a distância até a ponte é de mais ou menos quinze quilômetros de estrada de chão sem grandes atrativos. Não demorou nem meia-hora para arrumarmos uma carona que nos deixou exatamente onde queríamos. Com isso ganhamos tempo e poupamos energia para poder nesse mesmo dia fazer uma perna do circuito do parque e conhecer em um bate e volta até a Laguna Pollone.

O dia bonito estava bastante convidativo para a pernada e sabendo que o bate e volta até a Laguna Pollone daria mais de vinte quilômetros, deixamos nossas mochilas cargueiras escondidas no mato para desta maneira, indo leve, desfrutar do passeio e curtir a paisagem sem a "sofrência" do peso de todo nosso equipamento.

A trilha estava bem tranquila. Em boa parte o caminho segue por dentro de um bosque até chegar ao Refugio Piedra del Fraile. Depois do refúgio a caminhada começa a mudar tanto no visual, que agora se mostra aberto e rochoso com o rio ao lado, como na dificuldade em relação ao solo que aqui é todo pedregoso e exige atenção para não tropeçar em algum obstáculo.

Avançamos até um ponto onde a trilha começava a ficar mais estreita e junto de um paredão de rochas junto ao rio. Poderíamos ter ido mais adiante, mas como era sabido que o visual não iria mudar muita coisa, resolvemos ficar por ali mesmo. Fizemos um lanche rápido, algumas fotos e tomamos nosso rumo de regresso para resgatar as mochilas e encontrar algum lugar discreto para acampar próximo do rio. Acabamos encontrando uma pequena clareira bem escondida do vento dentro de um bosque de arbustos junto da estrada. Foi uma noite bastante tranquila.

02 de Janeiro de 2020

Na manhã seguinte, depois de noite boa de descanso e após um rápido café da manhã, desmontamos o acampamento e seguimos para o nosso destino do dia no camping Pioncenot.

A trilha é bastante bonita e sinalizada, sem dificuldades para orientação. O ganho de altimetria também é bem tranquilo, tornando o trekking praticamente um passeio bastante fácil. Só não posso dizer que foi uma experiência 100% prazerosa e imersiva no sentido de contato mais intenso com o meio devido a presença de grupos de turistas numerosos que utilizam aquele tramo do parque para chegar até o Fitz Roy. Eram grupos numerosos e às vezes bastante ruidosos que nos ultrapassavam na trilha e quebravam um pouco a minha vibe de curtir os sons e observar os pequenos detalhes durante a trilha. Mas tudo bem! Afinal o parque é para todos e nós estávamos lá no auge da temporada turística.

Sem demorar muito, logo alcançamos o mirador do belíssimo Glaciar Piedras Blancas. Aproveitamos para dar uma paradinha para beber água e fazer algumas fotos. O dia estava bonito, sem vento e a temperatura não muito baixa.

Nossa pernada acabou quando chegamos ao Camping Poincenot que nada mais é do que uma ampla área onde é autorizado montar acampamento. De estrutura, existe apenas um banheiro seco para todos que acampam por ali e mais nada. Nem mesmo lixeiras. É expressamente proibido deixar para trás qualquer lixo produzido. Ou seja, é preciso guardar todo o material e descartar quando se regressa para a vila. Gostei muito de ver como isso funciona perfeitamente. Não encontrei lixo solto em lugar nenhum. Tudo limpo, apesar do grande volume de pessoas acampadas ali.

Após escolhermos o local para montar nossas barracas e almoçar, aproveitamos o resto da tarde para curtir a vista do Fitz Roy enquanto tomávamos um banho de sol e deixávamos o tempo correr sem maiores preocupações.

03 de Janeiro de 2020

Durante a noite anterior, após irmos para as nossas barracas, choveu bastante. Ao acordar pela manhã, notei algo que naquele momento me pareceu muito estranho. Ao deixar o braço cair para fora do isolante térmico, tive a sensação de estar tocando em algo gelatinoso e gelado. Ainda sonolento e surpreso com aquela sensação, apalpei algumas vezes o piso da barraca que estava seco e levei alguns segundo para então compreender o que estava acontecendo.

Como que se assusta, saltei rápido para fora do saco de dormi, abri a porta da barraca e constatei que nossas barracas estavam em um local onde formou uma pequena piscina com a água da chuva. Era uma lâmina d’água de uns 2 centímetros. No mesmo instante voltei para dentro e fui verificar se tinha água em algum ponto e se havia molhado minhas roupas que estavam jogadas para fora da mochila. Para minha sorte, tudo estava seco e isso indicava que após quase dois meses acampando direto o piso da barraca ainda seguia íntegro. Ufa!

Já a minha amiga Rosângela não teve a mesma sorte. A barraca dela, por ser mais usada, apresentava vários furinhos que causaram uma pequena inundação que acabou molhando roupas, saco de dormir e etc... A sorte foi que o dia amanhecera com um solzinho providencial para secar as coisas. Então, mudamos as barracas de lugar e improvisamos um varal para secar as coisas que molharam na piscina.

Enquanto a Rosangela ficou no acampamento tomando banho de sol e secando os equipamentos, aproveitei para fazer um ataque até a Laguna de Los Três e tentar a sorte de fazer uma foto bacana do Fitz Roy.

No meio do caminho, para meu azar, a montanha começou a ficar coberta por nuvens baixas que cobriam quase todos os picos. Quando cheguei ao mirante da Lagura de Los Tres o clima era outro de quando saí do acampamento que é bastante próximo. Céu fechado, montanha fechada para fotos, vento forte e muito frio.

Fiquei mais de trinta minutos sentado numa atrás de uma pequena rocha que me abrigava parcialmente do vento gelado na esperança de ver o céu abrir, mas nada mudou. Então dei uma voltinha rápida, fiz algumas fotos “meia-boca” e comecei a decida para o acampamento, pois precisava muito de um café bem quente e forte para me aquecer e animar.

O plano para este dia era desmontar o acampamento e seguir em frente, para outro ponto do parque, mas como os equipamentos ainda estavam molhados e a vibe do Poincenot está muito boa, decidimos ficar por ali mais um dia na mais pura vadiagem de montanha. Kkkk

Na tarde voltou o sol, mas não me animei para subir novamente ao mirante, pois mesmo com a presença do sol, o Ritz Roy insistia em se esconder de mim.

Havia muitas barracas no acampamento e uma rotatividade igualmente grande. O normal é o pessoal passar apenas uma noite ali e seguir para outro camping ou regressar para a vila. Embora tivesse esse grande movimento de campistas e nenhuma fiscalização ostensiva, toda a área de acampamento do Poincenot permanecia sem a presença de qualquer resquício de lixo. Fiquei muito feliz por ver as coisas funcionando tão bem assim. Um exemplo para ser seguido.

04 de Janeiro de 2020

Depois de uma noite tranquila, sem inundações, amanheceu um bonito dia ensolarado, mas nada do Fitz Roy querer aparecer em sua totalidade. Iniciamos lentamente nossos procedimentos para desmontar o acampamento, tomar um café e guardar todas as coisas nas mochilas para seguirmos para nosso próximo destino: Laguna Capri.

A trilha para a Laguna Capri é bem curto porem cheias de pequenos altos e baixos mas que não oferecem muita dificuldade, podemos considerar de nível fácil mesmo para quem está carregando uma cargueira mais pesada.

O caminho é muito bonito, seguindo em alguns momentos por dentro dos bosques do parque e em outros momentos em áreas abertas onde é possível ter uma visão muito bonita das montanhas ao redor. Mais uma vez, fizemos a caminhada com muita tranquilidade e fazendo varias paradas para apreciar a paisagem, escutar os sons e sentir os cheiros do mato. Tínhamos todo o tempo do mundo.

Ao chegarmos na área de acampamento perto do meio-dia encontramos muitos lugares disponíveis para montar as nossas barracas. Como a trilha que vai para a vila passa no meio da área de acampamento, para evitar o ruído e agito do pessoal que passa subindo ou descendo pelo caminho, procurei um lugar que ficasse mais afastado da trilha e o mais próximo possível da margem da laguna com o intuito ter mais tranquilidade e também a facilidade para coletar água para consumo.

Depois de almoçar, fiquei fui para a beira da laguna e lá sentando numa pedra, fiquei apenas curtindo a beleza da laguna e pensando em tudo que tinha experimentado até aquele momento desde quando saí de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Pensando também em tudo que ainda estava por vir. Lembro que aquele momento foi de grande satisfação, pois estava realizando com sucesso o sonho de viver uma grande viagem sem a preocupação de ter que estar atento ao relógio ou calendário. Zero preocupação de ter de estar atento com reservas de hospedagem, passagens e voos marcados. Apenas um roteiro e um mapa soltos na cabeça. Liberdade total.

05 de Janeiro de 2020

Terminamos nosso passeio de cinco dias com mais um belo dia ensolarado. Seguimos a trilha numa longa e suave descida até a portaria do parque. O caminho muito bonito, bem sinalizado e com o manejo cuidadoso da trilha, bem como a total ausência de lixo, apesar da alta quantidade de pessoas fazendo esse setor da trilha, me surpreenderam muito positivamente, fazendo-me sonhar em quem sabe um dia termos uma realidade assim também em nossos locais de atividades outdoor espalhados pelo Brasil.

Ao chegarmos na vila de El Chaltén, fomos direto para o camping para tomar aquela longa, quente e merecida ducha que após 5 dias de montanha era nossa maior urgência.kkk Depois, para comemorar o nosso feito no parque, fomos até a fabulosa Heladería Domo Blanco, onde nos esbaldamos comendo um enorme pote do melhor sorvete que já experimentei em minha vida! Pensa que acabou aqui? Nada! Ainda passamos no mercado, compramos cerveja e um kit para prepararmos uma pizza na cozinha do hostel onde estávamos acampados. Foi uma festa!

A aventura continua nos próximos capítulos da série CicloTrekkig - Pra Lá do Fim do Mundo e se você que leu tudo até aqui e quer saber como chegamos em El Chaltén, leia os episódios anteriores:

https://aventurebox.com/ejmaia/paso-mayer-el-camino-donde-no-hay-camino/report

https://aventurebox.com/ejmaia/carretera-austral-de-bike-parte-2-coyhaique-villa-o039higgins/report

https://aventurebox.com/ejmaia/carretera-austral-parte-1-puerto-montt-x-coyhaique/report

https://aventurebox.com/ejmaia/cicloturismo-bariloche-x-puerto-varas/report

https://aventurebox.com/ejmaia/massa-critica-amp-5-dias-en-la-ciudad-de-la-furia/report

https://aventurebox.com/ejmaia/uruguay-express-barra-del-chuy-x-colonia-del-sacramento/report

Edson Maia
Edson Maia

Published on 03/07/2021 13:40

Performed from 01/01/2020 to 01/05/2020

2 Participants

Ciclotrekking Spot Brasil

Views

568

5
David Sousa
David Sousa 03/07/2021 15:51

Pedalada top 🔝

Fabio Fliess
Fabio Fliess 03/07/2021 20:17

Irado demais bro. 👏🏻👏🏻👏🏻

Renan Cavichi
Renan Cavichi 03/08/2021 13:58

Hashtag #LevaEu!!! Hahahah Demais!

Edson Maia
Edson Maia 03/09/2021 12:10

Valeuzão meus caros! El Chaltén é o lugar!!! Renan, vamos comprar um buzão velho, montar um hostel móvel adventure, chamar uma galera e meter o pé! kkk

Fabio Fliess
Fabio Fliess 03/09/2021 19:07

#TMJ Bro

Edson Maia

Edson Maia

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Um pouco cigarra. Um pouco formiga. Não necessariamente nesta ordem. Instagram: @edee_maia

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