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Pedalando na América Austral #05

Pedalando na América Austral #05

Cicloturistas a vista.

Bike Trip

Esse post é continuação da série Pedalando na América Austral, clique aqui para ler o post anterior, deixo no final uma lista com todos os post de serie publicados até o momento.

Quando planejei a viagem, coloquei na bagagem algumas peças e ferramentas, incluindo uma segunda corrente, em Bojuru já havia pedalado algo perto dos 1.000km então resolvi fazer o revezamento da corrente da bicicleta, acordei bem cedo coloquei a bicicleta na rua e comecei a trabalhar, após realizar a troca limpei a corrente usada para guardá-la e voltar a utiliza-la dali 1.000km, após isso, tomei um banho e fui até a padaria do outro lado da rua tomar café da manhã, mesmo com o trabalho extra consegui iniciar o trecho do dia antes das 9 horas da manhã, nesse dia eu estava preocupado, pois todos falavam que a Lagoa dos Patos estava cheia e ninguém sabia dizer se era possível fazer a travessia de São José do Norte para Rio Grande, chegando lá pude constatar o que todos falavam parte da cidade de São José do Norte estava alagada, em alguns pontos foram colocadas plataformas de madeira nas ruas para as pessoas circularem assim consegui chegar até a lancha, mas não me deixaram embarcar pois devido a cheia a lancha não estava levando nenhum tipo de carga, a bicicleta no caso, então fui procurar a balsa para carros e caminhões que pelo mesmo motivo havia mudado de lugar.

São José do Norte - RS

No novo local da balsa, fiquei conversando com o pessoal, e conheci dois geólogos que estava fazendo um trabalho de mapeamento das estradas (não lembro os nomes) , eles passaram por mim na estrada e curiosos com a viagem vieram conversar comigo, a balsa chegou e logo começou a operação para desembarcar e embarcar os caminhões, eu estava esperando toda a operação terminar para embarcar quando vi um senhor passar com uma bicicleta cargueira e ficar em cantinho atrás de um caminhão, não perdi tempo e fiz o mesmo colocando minha bicicleta ao lado da dele, logo a balsa estava completa e começou a viagem até Rio Grande, o senhor com a bicicleta cargueira me disse sempre fazia aquela travessia pela balsa pois era mais barato que a lancha, na lancha eu iria pagar por volume, ou seja, havia uma taxa para cada bolsa presa na bicicleta, pensando por esse lado até que foi bom dar uma volta a mais na cidade esperar um pouco mais e atravessar pela balsa, pois paguei apenas 5 reais na travessia.

Bike na balsa

Já em Rio Grande, tratei de procurar um lugar para ficar, queria encontrar um lugar gratuito, fui até uma loja de bike e pedi ajuda, mas me indicaram um hotel super caro, fui em outra loja e me indicaram uma pequena pousada ao lado da rodoviária, resolvi ficar lá mesmo por 25 reais, em um quarto minúsculo, sem café da manhã e banheiro compartilhado no dia seguinte acordei cedo fui até uma padaria tomar café da manhã e procurei um banco, queria resolver a questão de um cartão que não consegui liberar a tempo antes de iniciar a viagem, não encontrei a agencia que me indicaram e mesmo que a tivesse encontrado só iria consegui usar o caixa eletrônico para tentar alguma coisa, pois os bancários estavam em greve, de volta a pousada mandei uma mensagem para meus irmão pedido a ajuda deles nessa questão, arrumei tudo e sai de Rio Grande com um sentimento pesado, por algum motivo eu estava me sentindo mal e não sabia o que era, tinha aimpressão que a passagem por Rio Grande não tinha sido boa pra mim, na estrada próximo a ligação com a estrada que segue para a Praia do Cassino havia um local que vendia gás, resolvi para pedir informação sobre qual direção seguir para chegar a Chuí, a vendedora disse que também pedalava e perguntou sobre a minha viagem, conversamos um pouco e eu expliquei os detalhes da viagem, percebi que ali não era só um ponto de venda de gás mas também uma loja de conveniência, resolvi comprar um sorvete e quando fui pagar ela disse que não precisava pagar, era presente, esse pequeno gesto fez o sentimento ruim que me incomodava desde manhã desaparecer e eu segui a estrada mais aliviado.

Saindo de Rio Grande - RS (primeira placa mencionando Chuí)

Alguns quilômetros à frente entrei na estrada que leva a cidade de Chuí no extremo sul do Brasil e fronteira com o Uruguai, alguns instantes nessa estrada e vejo que longe na minha frente haviam dois ciclistas, logo pensei que eram moradores de alguma vila próxima, alguns instantes depois vislumbro a silhueta de um alforge em suas bicicletas, meu pensamento mudou, cicloturistas vou alcança-los, instantes depois voltei a achar que eram locais de novo e diminui o ritmo, até que um dele para e começou a tirar fotos de alguma coisa na estrada....cicloturistas, vou aproveitar que um está parado e vou alcança-lo...mas ele voltou a pedalar, sem olhar pra trás, os persegui por mais alguns quilometros, até que finalmente um deles olho pra trás e diminuiu o ritmo, os alcancei, seus nomes Leandro e Wagner, nos cumprimentamos e seguimos juntos a viagem.

Para apresenta-los a você leitor, Leandro é natural de Lorena-SP mas mora em João Pessoa na Paraíba, onde conheceu seu amigo Wagner, na época da viagem estavam trabalhando em um projeto interessante, coletando material audiovisual para a realização de um documentário ao final da viagem, e para se manterem na viagem ofereciam publicidade em seu site em troca de hospedagem.

Alguns quilômetros à frente eles pararam para almoçar, imaginei que seria um lanche rápido até me dar conta que eles estavam se preparando para cozinhar ali no acostamento, apesar de levar comigo fogareiro e comida, sempre pensei em cozinha no acampamento e na estrada fazer um lanche rápido, bom ajudei com o meu fogareiro e um pouco de macarrão que eu tinha para ser misturado ao arroz deles, nessa mistura também entrou amendoim, o Wagner comandou a cozinha a comida ficou boa e após almoçar eles fizeram café e o Leandro começo a organizar as coisas para continuarmos a viagem, havia um acordo entre eles, um cozinha e o outro lava a louça de arruma a bagunça.

Seguimos alguns quilômetros à frente, começou a ficar tarde e não conseguiriamos chegar a vila da praia da Capilha, vamos ter que arrumar um lugar para acampar, foi quando vimos uma granja e resolvemos pedir agua, e logo após perguntamos ao guarda onde poderíamos acampar, ele disse que tinha que pedir autorização para a administração, mas ali já não tinha mais ninguém para autorizar e que 8 km a frente havia outra granja do mesmo grupo e que podíamos tentar lá, foi que fizemos, ao chegar na granja conversamos com o guarda, ele ligou para a administração e em alguns minutos recebeu uma ligação em seu ramal, nós fomos autorizados a acampar dentro da granja, ao entrar o responsável do restaurante que estava de saída e veio conversar conosco, então ele voltou ao restaurante e pediu para a funcionária que estava lá nos servir marmitas para nosso jantar, ao nos entregar as marmitas ela nos disse para ir no dia seguinte logo cedo para tomar café da manhã, após comer arrumamos um lugar para colocar as barracas e fomos dormir. No próximo post conto o restante desse trecho até a chegada em Chuí.

Foto com Leandro, Wagner e os funcionários da granja que nos acolheram

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André Lima
André Lima

Published on 12/20/2019 11:48

Performed from 10/05/2015 to 03/31/2016

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435

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Ivan Amaral da Silva
Ivan Amaral da Silva 03/08/2020 14:41

Conheço bem esses lugares! Sou de Porto Alegre e trabalhei na região sul do estado. Lugar lindo "reserva do taim, parabéns pela aventura

André Lima
André Lima 03/08/2020 14:54

Obrigado Ivan, o lugar é lindo mesmo. Abraço!

André Lima

André Lima

São Paulo - SP

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Ciclista, viajante e pai do Theo :) Autor do antigo blog PedalandoBicicletas e sempre planejando a próxima aventura!!! Instagram @andr.slima

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