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Pedalando na América Austral #08

Pedalando na América Austral #08

Lenhador por um dia, vinho e bivak em Punta del Este.

Bike Trip Camping

Esse post é continuação da série Pedalando na América Austral, clique aqui para ler o post anterior, deixo no final uma lista com todos os post de serie publicados até o momento.

Saindo de Cabo Polinio, seguimos nosso caminho com destino a La Pedrera, chegamos lá no início da noite, fomos a um mercado comprar um pouco de comida, nessa etapa a viagem nós sempre parávamos em mercados para comprar legumes frescos, por isso uma parada em cada cidade com esse objetivo, procuramos um lugar para ficar, mas o lugar mais barato que encontramos não cabiam nos quatro, conversando com algumas pessoas na rua descobrimos que havia um lugar voltando cerca de 2 km na estrada chamado Punta Rubia e lá havia um hostel, não foi difícil encontrar, lá chegamos ao hostel Eco Posada La Casa de la Luna, Paula, dona do hostel nos recebeu e disse que todos os quartos estavam ocupados, mas podíamos montar nossas barracas no gramado e usar o banheiro e cozinha da casa, tratamos de nos acomodar e arrumamos algo para comer, conversamos um pouco com as outras pessoas que estavam hospedadas, uma mochileira francesa chamada Flora que fazia pão enquanto nós cozinhávamos nosso jantar, ela estava a uma semana no hostel e ajudava com as rotinas diárias como forma de pagar sua própria estadia, também havia um casa de australianos que não me recordo os nomes e também já estavam lá a alguns dias hospedados e trabalhando, com eles vimos que é possível viajar se hospedar e trabalhar para pagar pela hospedagem.

Saindo de Cabo Polonio (Leandro, Oscar, Wagner e Stephan)

No dia seguinte, 2 de novembro de 2015, conversamos entre nós e resolvemos não sair de viagem naquele dia, queríamos aproveitar a estrutura do hostel e ficar tranquilos, Leandro e Wagner tentaram vender a proposta de trocar a hospedagem pela publicidade em seu site e explicaram todo o projeto para Paula, ela entendeu o projeto, disse que na noite anterior estávamos em dificuldade e por isso nos acolheu em seu hostel sem custo, e que naquele momento não precisava de tal publicidade e se não tínhamos dinheiro para pagar uma diária podíamos trabalhar um pouco para pagar a diária, no fundo do terreno havia uma arvore caída que já estava seca, ela precisava de um pouco de lenha para a lareira, cansados para seguir viagem mas não para topar uma nova experiencia pegamos os facões disponíveis e fomos ajudar o rapaz australiano que já estava cortando parte da árvore, em algumas horas nós fizemos uma grande pilha de lenha em um canto do quintal, perto das 14 horas fizemos uma pausa para preparar o almoço nesse momento a Paula veio nos falar que podíamos descansar o resto do dia, pois a pilha de lenha que fizemos era suficiente para queimar todas as noite durante um mês.

Aproveitamos a tarde no hostel para descansar e fazer um pouco de nossas rotinas, eu aproveitei para lavar um pouco de minhas roupas, conversando um pouco com a Paula, ela disse que era surfista esporte pelo qual o Wagner também é interessado, então ela o convidou para ir surfar no fim da tarde, Leandro e Oscar também foram a praia naquele dia em La Paloma, Paula os levou de kombi, conhecer La Paloma estava em meus planos, mas havia muito tempo que não conversava com minha família e a saudade de ver e ouvi-los era muito forte, antes mesmo da Paula nos convidar para ir à praia eu já havia combinado uma vídeo conferencia com minha irmã e meus pais, pois a internet do hostel era boa e eu queria aproveitar para fazer isso, acho que conversei com minha família por uma hora ou um pouco mais. O pessoal retornou e no caminho para o hostel passaram em um mercado e compraram macarrão e molho, a Paula disse que nós éramos seus convidados para o jantar daquela noite, arrumamos tudo e ficamos conversando, a Paula muito interessada em cultura falou um pouco sobre a mistura dos idiomas português e espanhol desde a fronteira entre o Brasil e o Uruguai até aquela região onde estávamos, portunhol que usamos para discriminar quem não saber falar espanhol é comum na região, Wagner e Leandro a convidaram para fazer uma entrevista sobre o tema para seu documentário.

Pausa para descanso em algum lugar após passar Rocha

No dia seguinte, acordamos tarde, tomamos um café da manhã e decidimos sair só após o almoço para um trajeto curto até Rocha, eu aproveitei a parte da manhã para arrumar o pneu da bicicleta que furou na entrada do hostel dois dias antes e também reversar o pneu traseiro com o dianteiro, pois o peso maior concentrado na traseira aumentava o desgaste, após tudo arrumado, começamos a nos despedir e sentimos que nos dois dias que ficamos no hostel fizemos amigos, a Paula se emocionou em nossa despedia e com lágrimas nos olhos disse que podíamos ficar mais tempo como convidados, a energia positiva do lugar foi muito boa para nós e estávamos renovados para continuar a viagem rumo ao sul.

Nosso plano era seguir pela Ruta 9 até Punta del Este, logo saímos na estrava e vimos um carro com problemas e duas pessoas empurrando para tentar fazer pegar no tranco, largamos as bicicletas deitadas no acostamento e tentamos ajudar, mas não deu certo o problema era um pouco mais complicado do que parecia, desejamos sorte e seguimos viagem. Quando chegamos em Rocha tentamos acampar em um posto de gasolina na entrada da cidade, mas não foi possível e nos indicaram um lugar onde poderíamos conseguir acampar ali perto e já na Ruta 9, o lugar fazia parte da Universidade da cidade, conseguimos autorização para acampar no gramado ao lado do estacionamento, mas uma vez eu estava incomodado com a situação desde cedo, pois pretendia conhecer La Paloma, mas pelo grupo mudei meus planos, todos conheceram La Paloma no dia anterior enquanto eu conversava com minha família, deixei de lado meu plano de atravessar a Laguna de Rocha na maré baixa ou de barco.

Em algum lugar na Ruta 9

No dia 04 de novembro de 2015, levantamos cedo para desmontar o acampamento, pois devíamos deixar o local antes das 7 horas da manhã, pedalamos cerca de 5km até um posto de gasolina, onde fizemos a nossa rotina matinal, usar banheiro e tomar café da manhã que se resumia a uma pasta feita de aveia, açúcar, amendoim, doce de leite e água. O dia era de pedal longo, pois queríamos chegar a San Carlos antes de seguir para Punta del Este, no fim da tarde fizemos uma parada para descansar em um ponto de ônibus que ficava a frente de uma escola rural e ao lado havia uma estancia (fazenda), conversamos um pouco e decidimos pedir para acampar ali, o dono da fazenda veio até nós em um quadriciclo, explicamos que estávamos cansados e que não chegaríamos a San Carlos nesse dia, ele nos indicou o local para colocar as barracas, um local entre o galinheiro e o curral das ovelhas, o chão estava limpo ali, e havia uma pilha de lenha fazendo uma pequena barreira para o vento, após montar as barracas o homem em seu quadriciclo aparece novamente, ele nos deu uma garrafa de refrigerante e um pacote de bolachas, não durou muito...rs...e cozinhamos algo logo em seguida, aquela foi uma das noites mais frias em minha passagem pelo Uruguai, a barreira de lenha foi de grande ajuda para proteger um pouco do vento gelado.

Camping na fazenda que nos acolheu

Na manhã seguinte o dono da propriedade veio até nós novamente com mais alguns presentes, uma garrafa de água quente, café solúvel, pão e frios, conversamos com ele sobre o caminho, ele nos deu uma dica e resolvemos seguir, alguns quilômetros à frente pegamos a Ruta 104 para voltar ao litoral, a paisagem começou a mudar novamente e nos animamos com a ideia de ver o mar novamente, chegamos em um lugar chamado Manantiales e seguimos para La Barra. Passamos em um mercado para comprar algumas coisas frescas para o almoço, e seguimos até a praia onde havia um parador fechado, aproveitamos o pouco de sombra que ele oferecia e cozinhamos nosso almoço ali, depois resolvemos aproveitar a praia, fui para a água que estava gelada e com ondas muito forte e em um determinado momento cai devido a força das ondas e nisso torci o joelho que ficou doendo por alguns dias, além de toda a areia que entrou na bermuda de ciclismo e me irritou o resto do dia.

Porto de Punta del Este

Depois de algumas horas na praia seguimos viagem, o objetivo era passar por Punta del Este para tirar uma foto do monumento La Mano, os dedos que saem da areia da praia, no caminho encontramos um cicloturista argentino que nos passou um contato de alguém que poderia nos receber em Montevideo, após encontrar o monumento La Mano e tirar uma foto, ficamos sabendo que era possível tomar banho no porto pagando uma pequena quantia, mas tínhamos que correr, pois o porto tinha horário para fechar. Chegamos no porto, deixamos as bicicletas perto da guarita onde havia uma oficial da marinha de guarda, ela nos indicou onde ficavam as duchas e disse que estaria fechado pelo horário, chegando ao local encontramos a funcionaria que cuidava da entrada das duchas e ela já havia batido o cartão, mas se solidarizou com o nosso desespero por um banho, foi um alivio tirar da bermuda toda a areia que me acompanhou a tarde toda. Saímos do porto renovados, decidimos ir a mais um mercado comprar algumas coisas para fazer o jantar e café da manhã do dia seguinte e também uma garrafa de vinho, no estacionamento do mercado encontramos alguns brasileiros com quem ficamos conversando, aproveitamos para fazer um lanche rápido ali, pão com mortadela, ao sair do estacionamento começamos a procurar um lugar para passar a noite, seguimos pela Rambla Claudio Willian (passando na frente do Conrad) e continuamos até nos afastar um pouco do centro de Punta del Este, encontramos um parador fechado, ali havia apenas um vigia guardando o local com quem conversamos e pedimos para a noite na varanda, virados para o mar, cozinhamos nossa comida e tomamos o vinho para comemorar a passagem por Punta del Este, igual a Cabo Polonio, dormimos sem as barracas, apenas com o saco de dormir na varanda, dormir na praia estava se tornando uma experiencia agradável e tranquila.

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André Lima
André Lima

Published on 01/17/2020 09:19

Performed from 11/05/2015 to 03/31/2016

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André Lima

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Ciclista, viajante e pai do Theo :) Autor do antigo blog PedalandoBicicletas e sempre planejando a próxima aventura!!! Instagram @andr.slima

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