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Pedalando na América Austral #14

Pedalando na América Austral #14

¡Hola Patagonia!

Bike Trip Camping

Continuando a série Pedalando na América Austral, uma cicloviagem que realizei entre 2015 e 2016, deixo aqui o link do post anterior e também deixo no final uma lista com todos o posts publicados até o momento.

Da mesma forma que eu conversava com o Oscar nos dias em que seguimos caminhos diferentes, também conversávamos com o Leandro e o Wagner de quem tínhamos nos separado em Montevideo e percebemos que nossas rotas se cruzariam novamente em Bahia Blanca. Estávamos em Tornquist, a cerca de 70 km de Bahia Blanca pela RN 33, nesse trecho a estrada não tem acostamento, é estreita tem um fluxo grande de caminhões, por causa disso eu saia para a grama constantemente e fiquei com um pouco de medo em pedalar nela, depois de um tempo percebi que os carros e caminhões davam mais espaço ao ultrapassar o Oscar, por causa da largura do triciclo, eu estava na frente e diminui a velocidade e ficar mais perto do Oscar, mesmo assim vez ou outra alguém passava mais perto e eu descia para a grama, perto do meio dia decidimos parar em restaurante de estrada que parecia estar fechado, foi a única parada que encontramos nesse trecho, batemos na porta e ninguém atendeu, nos acomodamos em uma sombra onde pretendíamos cozinhar nosso almoço, quando uma mulher abriu a porta e nos disse que iria abrir o restaurante, entramos para pedir agua gelada, conversamos um pouco e decidimos pedir um prato, a dona do restaurante começou a perguntar sobre nossa viagem e chamou seu marido para conversar conosco, ficamos um bom tempo ali falando da viagem e mostrando algumas fotos, quando pedimos a conta nos disseram que não iriam cobrar, fiquei feliz pela generosidade deles e também porque estávamos precisando economizar um pouco para compensar os gastos do hotel em Coronel Pringles.

Donos do restaurante que nos receberam

Terminamos o dia chegando na casa do Agustin em Bahía Blanca, conseguimos seu contato pelo coushsurfing, ao chegar lá ele estava recebendo um grupo de mochileiros franceses, conforme combinado dias antes recuperei meu cartão e o reembolsei pelo serviço do mensageiro que levou o cartão até a casa dele, naquela noite dividimos o custo do jantar e fizemos empanadas, Agustin cozinhou o recheio e todos ajudaram a montar as empanadas, combinamos que ficaríamos dois dias em sua casa. O Agustin era uma grande figura que nos ajudou muito nesses dias, não só com meu cartão mas também pedalando conosco para conhecer um pouco da cidade e ir nos levar aos lugares que precisávamos, ele também ajudava outros mochileiros e cicloturista que encontrava perdidos pela cidade a achar seus coushsurfing e hospedagens.

Empanadas na casa de Agustin

No dia seguinte a nossa chegada na casa de Agustin, Leandro veio nos encontrar, o Wagner tinha ficado em um feira e o encontramos mais tarde quando Agustin nos levou até a bicicletaria de um amigo para dar uma olhada em nossas bicicletas, a minha bike não tinha nada além do revezamento da corrente que eu mesmo fiz enquanto esperava o pessoal que realmente estava dando trabalho para o mecânico da bicicletaria, no fim o Leandro e o Wagner ganharam algumas peças usadas mas que ainda dava para usar e iria ajuda-los a seguir viagem e o Oscar fez uma manutenção nos cubos das rodas dianteiras de seu triciclo. Nesse dia fomos todos para a casa do Agustin, no caminho passamos em um mercado para comprar pizza e cerveja, também nos abastecemos para viajar, lembro que foi um pouco difícil comprar gasolina para o fogareiro em um posto dentro da cidade. A noite, após jantar o Leandro e o Wagner voltaram para o coushsurfing onde estavam hospedados e combinamos um horário para seguir viagem no dia seguinte, combinamos de seguir em grupo até Puerto Madryn onde Leandro e Wagner seguiriam para Esquel enquanto Eu e Oscar continuaríamos nossa viagem para o sul.

Na saída de Bahia Blanca encontramos um grupo de cicloturistas argentinos, com a bicicletas carregadas, achei que se juntariam a nós mas eles eram da região e estavam indo acampar em um local próximo a dali, conversamos um pouco com eles e seguimos o nosso caminho rumo a Mayor Buratovich, chegando lá vimos havia um posto de gasolina na beira da estrada pensamos em ficar ali mas percebemos que se tratava de um posto abandonado que haviam pessoas morando ali, seguimos até outro posto e perguntamos se podíamos acampar em algum canto, não nos permitiram ficar ali mas nos indicaram um lugar ao lado, um restaurante com uma grande área gramada.

Unico registro em foto que tenho do Agustin é uma selfie que ele fez durante um pedal pela cidade

O restaurante estava fechado, mas fomos atendidos pelo dono e conhecemos um personagem daqueles que marca qualquer viajante, Cone o dono do restaurante que nos recebeu muito bem, explicamos a nossa viagem e perguntamos sobre a possibilidade de acampar no gramado, logo ele nos convidou para entrar no restaurante muito empolgado em ouvir sobre nossas histórias, nos trouxe uma bandeja com carne assada, pães e cerveja e depois mais cerveja, e mais cerveja, e mais cerveja e perdi a conta de quantas garrafas bebemos, Cone era muito alegre e engraçado nos contou que gostava do Brasil, principalmente pelo samba pois ele também era percursionista e nos fez rir contando suas histórias. Dormimos dentro do restaurante, no dia seguinte acordamos tarde e demoramos para arrumar as coisas e sair, creio que por conta da bebedeira da noite anterior...rs

Restaurante do Cone

Nos despedimos de Cone que não nos cobrou as cervejas pois éramos seus convidados, seguimos viagem, mas logo que saímos do restaurante encontramos uma fábrica de doces em conserva e geleia na beira da estrada e havia um quiosque de venda, paramos para pedir agua e para nossa surpresa a vendedora era uma brasileira, infelizmente não vou lembra o nome dela, ficamos ali conversando com ela um longo tempo, aproveitei para comprar um pote de geleia, e compramos ovos que colocamos muito bem embalados em uma caixa que era carregada na bicicleta do Wagner, nesse dia não andamos muito, foram cerca 15km do restaurante em Mayor Buratovich até um posto de gasolina na entrada de Hilario Ascasubi, chegando lá estava começando a chover e decidimos fica no posto até a chuva passar, mas logo a chuva se transformou em uma tempestade, acampamos na varanda de um restaurante ao lado da loja do posto.

No dia 8 de Dezembro de 2015, atravessamos a ponte sobre o Rio Colorado que separa as províncias de Buenos Aires e Rio Negro, a província de Rio Negro é a entrada da Patagônia Argentina, logo vimos a placa do Partido de Patagones nos dando as boas vindas junto com uma ventania e uma tempestade repentina, encontramos um ponto de ônibus na estrada onde nos abrigamos até a chuva passar, nesse dia seguimos até encontra um posto que fica na entrada de Villalonga, ficamos por lá, pois também havia uma estrutura legal e local e nos deixaram acampar atrás da loja, pra quem acha estranho passar a noite em posto de gasolina, basta lembrar-se que é um ótimo ponto de apoio para viajantes, encontramos nesses postos, banheiro, chuveiro, wi-fi, comida e um local seguro para passar a noite, nesse dia era aniversário da minha irmã eu gravei uma mensagem e enviei usando a internet do posto.

Placa de boas vindas a Patagonia

Nossa próxima parada não estava longe, diferente das paradas anteriores, planejamos fazer um pedal curto, cerca de 35km até Stroeder, pois de lá seguiríamos direto até Viedma e segundo o Oscar não havia outro ponto de apoio. Ao chegar na de Stroeder decidimos ir até a cidade que ficava alguns quilômetros distante da RN 3, na chegada fomos chegados de vagabundos por um senhor em um carro, nossa reação foi rir, na cidade não encontramos um local de camping, fomos até uma delegacia perguntar onde poderíamos passar a noite, uma policial chamou um funcionário da prefeitura que nos levou pra lá e nos cedeu um lugar no pátio fechado para montar nossas barracas, após deixar nossas coisa lá, fomos comprar algo para comer.

Nessa viagem procuramos economizar sempre que possível, quando reencontramos o Leandro e o Wagner em Bahia Blanca eles nos contaram que aprenderam com outros viajantes que poderiam pedir pão de ontem nas padarias, pois bem, em Stroeder decidimos que precisávamos pedir pão para economizar dinheiro e assim comprar algo para o recheio, eu e Leandro entramos em uma padaria e explicamos nossa viagem e que tínhamos pouco dinheiro e pedimos pão do dia anterior, para nossa alegria nos deram pão do dia, algumas facturas (pão doce de massa folhada recheado com creme) e um panetone, ficamos muito felizes com a generosidade deles, fomos ao encontro de Oscar e Wagner que havia comprado um pouco de mortadela no mercado então retornamos para a prefeitura para fazer nosso lanche, o senhor que nos atendeu na prefeitura também nos indicou um posto onde poderíamos tomar banho, ao ver a situação do banheiro eu desisti e resolvi tomar um banho de lenço umedecido que carregava comigo, os outros se arriscaram naquele banheiro que parecia não ser limpo há anos.

A entrada de Stroeder

O Oscar entrou em contato com um primo que morava em Viedma e perguntou se podia nos receber, mas seu primo não tinha espaço para todos nós, então procuramos um couchsurfing que poderia nos receber, logo na manhã seguinte decidimos sair da cidade e pedalar até a saída da RN 3 e fazer nosso café da manhã por lá, o dia seria longo na estrada pretendíamos pedalar os 85km que faltava para chegar na cidade, nesse dia o vento começou fraco e foi ficando mais forte ao longo do dia, no fim da tarde estávamos exaustos o Oscar decidiu ligar para seu primo que veio de carro ao nosso encontro quando faltavam cerca de 20km para chegar na cidade ele trouxe pão e Coca-Cola, queríamos chegar na cidade pedalando então deixamos os nossos alforges com ele e seguimos pedalando leves e com muito menos arrasto.

Fim-de-tarde, chgando em Videma

Chegamos na cidade já estava anoitecendo, o Oscar foi para a casa de seu primo e nós fomos procurar nosso coushsurfing que se chamava Marcelo, tínhamos a informação de que ele trabalhava em uma delegacia mas não se se ele era policial, enfim fomos a delegacia procura-lo mas já havia saído, conseguimos o endereço de sua casa e chegando lá encontramos sua esposa Marina e o Marcelo chegou logo na sequencia enquanto ainda conversávamos no portão, passamos o endereço para o Oscar que logo veio nos trazer nossos alforges que estavam no carro. Para Marcelo e Marina tudo era motivo para festa e não demorava muito para tudo acabar em música e cantoria, ficamos dois dias em sua casa, no segundo dia enfrentamos falta de agua que segundo eles estava se tornando frequente na região, o Marcelo fez questão de nos levar até a casa de um amigo que estava montando seu motorhome, e eles ainda nos levaram em sua van até Balneário El Condor de onde apreciamos um pouco a praia e depois seguimos viagem pela Ruta 1.

Eu, Leando e Wagner comendo pizza com Marcelo e Marina

Esse é o último post que estou recuperando do meu antigo blog Pedalando Bicicletas, mas essa viagem não terminou aqui, depois de Viedma andei muito e tenho diversos registros em fotos, vídeos e memórias escritas que irei rever para continuar escrevendo os próximos relatos dessa viagem. Muito obrigado por ler até aqui e até o próximo post.

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André Lima
André Lima

Published on 06/02/2020 10:01

Performed from 10/05/2015 to 03/31/2016

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631

3
Peter Tofte
Peter Tofte 06/03/2020 19:10

Que aventura legal. Cada parada novas amizades! Parabéns!

André Lima
André Lima 06/03/2020 20:44

Obrigado Peter, é verdade, uma das coisas mais marcantes dessa viagem é a quantidade de pessoas que encontrei pelo caminho, pessoas boas e que me ajudaram e diversos momentos. Abraço!

Alexandre Ritter
Alexandre Ritter 09/09/2020 13:32

Show André! Parabéns pelo relato até aqui! Estou lendo desdo o início e viajando junto com suas palavras escritas!

André Lima

André Lima

São Paulo - SP

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Ciclista, viajante e pai do Theo :) Autor do antigo blog PedalandoBicicletas e sempre planejando a próxima aventura!!! Instagram @andr.slima

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