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Pedalando na América Austral #15

Pedalando na América Austral #15

O Rípio e um lugar mágico.

Bike Trip Camping

Continuando a série Pedalando na América Austral, uma cicloviagem que realizei entre 2015 e 2016, deixo aqui o link do post anterior e também deixo no final uma lista com todos os posts publicados até o momento, também aproveito esse momento para anunciar uma novidade, estou editando o material dessa viagem e em breve será publicado no Youtube, o trailer está disponível nesse post.

Saindo de Viedma...

Após dois dias em Viedma, Marcelo e Marina nos levaram em sua van até Balneário El Condor, cerca de 30km, o local é uma praia, mas não demos um mergulho pois ainda queríamos pedalar um pouco naquele dia, nossa ideia era chegar em La Loberia, a paisagem foi mudando aos poucos e a Patagônia desértica começou a mostrar suas belezas. Pedalamos até o anoitecer quando chegamos no nosso destino, logo na chegada vimos um posto policial e perguntamos onde poderíamos montar nossas barracas, o policial nos mostrou um camping ao lado que estava desativado, o lugar estava cheio de espinhos e tivemos que escolher com cuidado onde montar as barracas, na manhã seguinte vimos que os espinhos eram grandes suficientes para atrasar nossa saída com alguns pneus furados.

Balneário El Condor

Após sair do camping visitamos o museu marinho da Loberia, lembro que Leandro e Wagner gravaram algum material com a guia do museu para o documentário, também fomos ao mirante ver a colônia de lobos marinhos. O camping onde passamos a noite fica logo quando termina o asfalto e começa o rípio (cascalho batido) nos dias que seguiram além da beleza do litoral da Patagônia vimos também suas dificuldades. Saímos tarde da Loberia, nesse dia não sabíamos onde iriamos dormir, passados alguns quilômetros encontramos pescadores a beira de um barraco, que deixavam as varas presas nos carros no alto no algo e levaram a ponta da linha em um bote até uma certa altura na praia e onde há pescador há peixes, depois de um pouco de conversa eles nos presentearam com alguns peixes recém pescados e também nos falaram que havia um refúgio mais a frente, aquilo nos animou, além dos peixes tínhamos um objetivo onde chegar naquele dia.

Mirante La Loberia

Depois de um tempo eu e Wagner percebemos que o Oscar e o Leandro haviam ficado para trás, esperamos um pouco mas não apareceram, como o combinado era chegar no refúgio resolvemos seguir até encontra-lo, chegamos no fim da tarde, descemos até o refúgio para deixar nossas coisas e voltamos para a estrada para esperar por nossos amigos, acho que eles demoraram quase uma hora para nos alcançar, Oscar estava muito devagar pois estava sentido o peso do seu triciclo no rípio e Leandro diminuiu o ritmo para acompanha-lo.

O refúgio era algo medonho, resumia-se a velhas telhas de metal pregadas em madeiras juntas a uma lareira a beira de um precipício, estava em péssimas condições e não dava para entender como ainda estava de pé. Alguém havia estado ali recentemente, pois havia uma brasa na lareira e restos de comida, provavelmente era uma família que passou por nós alguns quilômetros antes e paramos para pedir informações. Tratamos de alimentar a brasa para reacender o fogo que serviu para assar nossos peixes e nos aquecer e na medida no possível consertamos algumas telhas do refúgio.

Refugio onde passamos a noite

Nosso próximo destino era Bahia Creek um vilarejo no meio da ruta 1, o Oscar estava lento e o Leandro o acompanhava eu e Wagner diminuímos um pouco o ritmo, mas estávamos mais a frente, em um ponto eu parei para esperar por nossos amigos, o Leandro passou por mim gritando _"Corre!!! O Oscar está sendo rebocado." No primeiro momento não entendi, mas logo passou por mim uma moto puxando nosso amigo em seu triciclo, foram 20km suados para acompanha-los até Bahia Creek, chegando lá descobri que a ideia do reboque surgiu mais ou menos na brincadeira, não lembro o nome do nosso amigo motociclista apenas que ele era inglês.

Despedida do nosso amigo motociclista

Bahia Creek é um pequeno povoado e na grande maioria suas casas são de veraneio, quando passamos por lá havia apenas seis moradores fixos, embora só tivemos contato com um deles, um senhor que morava ao lado da única vendinha da vila, o comércio não era dele, mas estava fazendo um favor para seu amigo que estava viajando mantendo o comercio aberto quando alguém precisasse de algo, o lugar é totalmente fora da rede de abastecimento, e isso inclui energia elétrica, quem quer ter esse luxo tem que comprar um gerador. O gerador da venda era ligado duas vezes ao dia durante algumas horas para manter o freezer frio, e era nesse intervalo que as casas próximas a venda ganhavam wi-fi liberado, pois lá tinha um link de internet por rádio que era ligado junto com o gerador. Ao fundo do comercio havia uma pequena casa, com um quarto, cozinha e banheiro com aquecimento a gás para alugar, decidimos dividir o valor da diária e ficamos todos nela, nosso amigo motociclista seguiu viagem no dia seguinte e nós gostamos tanto do clima e a peculiaridade da vila que decidimos passar mais um dia lá, aproveitamos o sol e fomos tomar um banho de mar.

Na praia de Bahia Creek (foto tirada por Leandro)

No dia seguinte ainda estava quente, sabíamos que seria difícil pois teríamos que arrumar onde acampar, em certo ponto percebemos que teríamos pouca agua para quatro pessoas passar dois dias, paramos em uma das poucas casa que achamos no caminho e pedimos agua, recebemos uma agua de poço barrenta e um pouco salgada, mas ainda assim dava para beber, no fim do dia encontramos um local um pouco mais aberto ao lado da estrada, e decidimos acampar por ali, não foi uma boa ideia, a areia fina do local grudava em tudo como talco, naquela noite o vento soprou forte e o tecido telado do interior da minha barraca virou um peneira deixando passar o pó mais fino para dentro, na manhã seguinte acordei todo empoeirado, e demorou dias para conseguir limpar o interior da barraca e o saco de dormir e para completar tomei um baita susto ao encontrar dois escorpiões embaixo das minhas coisas quando estávamos nos arrumando para seguir viagem.

Uma de nossas paradas no caminho para Puerto San Antonio Este

Nosso destino final na ruta 1 era o Puerto San Antonio Este, o dia começou quente, mas logo mudou e uma chuva nos ameaçava a todo instante, fizemos algumas paradas em algumas praias para tirar fotos, incluindo uma praia toda formada por conchas e pedras, ao chegar no asfalto há alguns quilômetros do nosso destino encontramos uma venda onde decidimos para e comer algo. Chegamos em Puerto San Antonio Este já era noite e sem saber onde ficar pedimos informação em uma delegacia, o policial fez questão de nos acompanhar até um camping que logo descobrimos que estava fechado, mas os donos concordaram em nos receber gratuitamente.

Os donos eram um casal jovem, moravam em uma casa que ficava no mesmo terreno do camping, o local tinha uma boa estrutura com alguns quiosques, churrasqueiras e banheiros, mas o banho era de agua fria, passamos alguns dias agraveis lá descansando dos dias de rípio, nesses dias vimos que havia a possibilidade de ir até San Antonio Oeste de ônibus, como o ônibus não saia todos os dias tivemos que esperar até o dia certo para partir.

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André Lima
André Lima

Published on 07/14/2020 13:19

Performed from 10/05/2015 to 03/31/2016

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Fabio Fliess
Fabio Fliess 07/14/2020 13:28

Véio, vai acabar a quarentena, vai virar 2021 e não acaba essa história incrível do André! Hahahaha Muito show essa série de posts meu amigo. Já estou até animando a comprar uma bike e fazer umas viagens nesse estilo. Abração.

André Lima
André Lima 07/14/2020 13:32

hahaha...Obrigado Fliess, estou muito devagar para escrever, mas acho que ainda dá pra fazer alguns posts para finalizar essa série....rsrs ahhh se for pedalar me avisa!! Grande Abraço!

Fabio Fliess
Fabio Fliess 07/14/2020 13:34

Esperando os próximos. E com certeza aviso. Vai ser um prazer!!! Abraços.

André Lima

André Lima

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Ciclista, viajante e pai do Theo :) Autor do antigo blog PedalandoBicicletas e sempre planejando a próxima aventura!!! Instagram @andr.slima

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